93rd Academy Awards

(Este post foi atualizado após a festa do Oscar 2021, deste domingão 25 de abril. Os vencedores e alguns comentários estão na cor azul)

Afinal, como é que ficou a minha lista, hein? Este ano, pela primeira vez pretendo acompanhar além do twitter uma live pelo YouTube, vamos ver como vai ser isso – com alguns anos de atraso, como contei um pouquinho neste post, finalmente descobri que gosto de pegar um dia da semana para ver alguns vídeos nessa plataforma; principalmente com a gravidez e a maternidade (e mais tempo em casa) comecei a usar para procurar informações e nem sempre a gente está disposto (após um dia exaustivo com um baby, por exemplo…) a ler algo, ou apenas estamos fazendo alguma outra coisa enquanto ouvimos (o que aliás me faz pensar no papel da TV que foi substituída pelas atarefadas domésticas nesse sentido?).

Bem, desculpem as eternas divagações à parte. Apenas relembrando: sublinhados são os meus votos, dados por um motivo ou por outro (por exemplo, figurino e maquiagem são pelo melhor filme, nem tanto pelo melhor trabalho da lista). NÃO são as apostas de quem vai ganhar… nem sempre minha opinião combina com a dos votantes reais ;) Bom Oscar para todos, daqui a pouquinho.

Melhor documentário de curta-metragem

Collete(considerei como possível ganhador, tratando da guerra, drama sentimental, disponível no YouTube)

A concerto is a conversation

“Do not split”

“Hunger ward”

“Uma canção para Natasha”

Melhor documentário

(deve levar “Professor Polvo”)

Colective

“Crip camp”

“The mole agent”

Professor Polvo”

“Time”

Melhor curta-metragem em live action

Feeling through

“The letter room'”

“The present”

Dois estranhos(já imaginava, fácil de encontrar e tema relevante nesse ano cujo caso de George Floyd foi bem importante, como a própria Regina King comentou na abertura)

“White Eye”

Melhor filme internacional

(deve levar “Druk”)

Druk – Mais uma rodada” (Dinamarca)

“Shaonian de ni” (Hong Kong)

“Colective” (Romênia)

“O homem que vendeu sua pele” (Tunísia)

Quo vadis, Aida?” (Bósnia e Herzegovina)

Melhor curta de animação

“Burrow”

“Genius Loci”

If anything happens I love you

“Opera”

“Yes people”

Melhor animação

(não tem pra mais ninguém, será “Soul”)

“Dois irmãos: Uma jornada fantástica”

“A caminho da lua”

“Shaun, o Carneiro: O Filme – A fazenda contra-ataca”

Soul

“Wolfwalkers”

Melhor roteiro original

“Judas e o Messias negro”

“Minari”

Bela vingança

“O som do silêncio”

“Os 7 de Chicago”

Melhor roteiro adaptado

“Borat: fita de cinema seguinte”

Meu pai

“Nomadland”

“Uma noite em Miami”

“O tigre branco”

Melhor design de produção

(creio que leve “Mank”)

“Meu pai”

“A voz suprema do blues”

Mank

“Relatos do mundo”

Tenet

Melhor figurino

“Emma”

A voz suprema do blues

“Mank”

“Mulan”

“Pinóquio”

Maquiagem e cabelo

“Emma”

“Era uma vez um sonho”

A voz suprema do blues

“Mank”

“Pinóquio”

Melhor fotografia

“Judas e o messias negro”

Mank

“Relatos do mundo”

Nomadland

“Os 7 de Chicago”

Melhor som

“Greyhound: Na mira do inimigo”

“Mank”

“Relatos do mundo”

“Soul”

O som do silêncio

Canção original

Fight for you” – “Judas e o messias negro”

“Hear my voice” – “Os 7 de Chicago”

Husa’vik” – “Festival Eurovision da Canção: A saga de Sigrit e Lars”

“Io sì” – “Rosa e Momo”

“Speak now” – “Uma noite em Miami”

Melhor trilha sonora

“Destacamento blood”

“Mank”

“Minari”

“Relatos do mundo”

Soul

Melhor edição

(pode levar “O som do silêncio”)

Meu pai

“Nomadland”

“Bela vingança”

O som do silêncio

“Os 7 de Chicago”

Efeitos visuais

(deve levar “Tenet”)

Amor e Monstros

“O céu da meia-noite”

“Mulan”

“O grande Ivan”

Tenet

Melhor atriz coadjuvante

Maria Bakalova – “Borat: fita de cinema seguinte”

Glenn Close – “Era uma vez um sonho”

Olivia Colman – “Meu pai”

Amanda Seyfried – “Mank”

Yuh-Jung Youn – “Minari”

Melhor ator coadjuvante

Sacha Baron Cohen – “Os 7 de Chicago”

Daniel Kaluuya – “Judas e o messias negro”

Leslie Odom Jr. – “Uma noite em Miami”

Paul Raci – “O som do silêncio”

Lakeith Stanfield – “Judas e o messias negro”

Melhor atriz

(deve levar a Viola)

Viola Davis – “A voz suprema do blues”

Andra Day – “Estados Unidos Vs Billie Holiday”

Vanessa Kirby – “Pieces of a woman”

Frances McDormand – “Nomadland”

Carey Mulligan – “Bela vingança”

Melhor ator

(devem dar o prêmio póstumo)

Riz Ahmed – “O som do silêncio”

Chadwick Boseman – “A voz suprema do blues”

Anthony Hopkins – “Meu pai”

Gary Oldman – “Mank”

Steve Yeun – “Minari”

Melhor direção

Thomas Vinterberg – “Druk – Mais uma rodada”

David Fincher – “Mank”

Lee Isaac Chung – “Minari”

Chloé Zhao – “Nomadland”

Emerald Fennell – “Bela vingança”

Melhor filme

(se “Minari” ou “O som do silêncio” correrem por fora e ganharem, não vou ficar triste não)

8 – “Meu pai”

7 – “Nomadland

6 – “Minari”

5 – “O som do silêncio”

4 – “Judas e o messias negro”

3 – “Mank”

2 – “Bela vingança”

1 – “Os 7 de Chicago”

Xenti, se eu tivesse participado de bolão este ano, eu acho que teria ganhado, hein? Porque eu teria errado só 3 (Fotografia, Melhor canção e Melhor atriz) nas apostas. Realmente credito isso a ter visto muito mais coisa este ano do que praticamente todos os outros anos.

Mas e a festa em sim, hein? O que vocês acharam das ambições do Soderbergh, que queria dar uma cara mais de filme e deixou o povo dar os discursos à vontade, sem serem cortados? (Comentaristas da TNT tavam até dizendo que isso foi culpa do DJ, haha coitado, eu só dei risada!) Pra mim, quando começou, eu fiquei até animadinha sabe? Vendo a Regina King desfilando com desenvoltura e os “créditos” na tela… mas daí, bem, acho que tentaram usar a luz e caprichar na fotografia, só que não empolgou tanto não. Até a “montagem” querendo surpreender ali no final – quase todo mundo já sabia quem ganharia direção e filme, as surpresas poderiam (e foram!) ser nessas categorias de atores, então tentaram fazer essa inversão pro clímax. Pra mim, não funcionou, né gente. O maior prêmio é o de filme e pronto.

Até que não ficou tão ruim o pessoal nos outros países, nem sabia daquele negócio que o Bryan Cranston apresentou, queria ter visto todas as apresentações de melhor canção no pré-show (ei, TNT, dá um jeito aí no futuro, mostraram só alguns trechinhos), adorei o vestido cisne negro da Laura Dern quase imitando Bjork, honestamente acho que se colocaram o povo em mesinhas deveria ter comes e bebes imitando o Globo de Ouro, pra mim Daniel Kaluya tava meio chapado (incluindo o meme instantâneo da reação da mãe), nem achei ruim Thomas Vinterberg homenagear a filha emocionado, tô ficando velha e quase não consegui acompanhar os nomes no In Memorian, uma graça a vovozinha de Minari corrigindo Brad Pitt, e a Frances Mcdormand uivando?, e é a primeira diretora asiática a ganhar Oscar, e o Anthony Hopkins certo de que não ganharia, por isso não estava lá, mas fez questão de lembrar com respeito o eterno Pantera Negra? – mas não teve jeito não. O Oscar 2021 será lembrado como aquele da rebolada da Glenn Close ao som de “Da butt” (ou será o pior final de Oscar de todos os tempos?)

P.S. não deu muito certo eu ver a live não… não consigo prestar atenção aos dois, ao mesmo tempo! Tá de bom tamanho ver alguns tuítes nos intervalos, prefiro ver o que falam os apresentadores e os discursos, sou velha assim. Mâs! Eu vi uma live pós-Oscar no canal do Super Oito (Otavio Ugá), junto do PH Santos e Daleno que até que gostei viu, dava até pra ganhar desconto no Mac n’cheese da Sadia – o meu favorito é o de bacon.

Oscar 2021: meus votos e comentários – parte 3

Por último, nesta série de posts sobre o Oscar 2021, meus votos (sublinhados) para as categorias mais “fáceis”, para a grande maioria, de identificar e votar (creio eu).

Melhor atriz coadjuvante

Maria Bakalova – “Borat: fita de cinema seguinte” = que mulher loka, gente. Imagina? Ter que fazer outras pessoas acreditarem nessa personagem como se fosse alguém real, tem algumas cenas que ultrapassam o mau gosto, mas e aquela entrevista com Giuliani? Xenti.

Glenn Close – “Era uma vez um sonho” = ah, como eu queria que ela ganhasse um desses prêmios… mas, poxa, por este filme aqui acho que não vai rolar não, hein. Sim, está muito bem como a vovó que cita “O exterminador do futuro 2” (1991)*** para endireitar o neto, mas… só ganha se formos considerar o conjunto da obra.

Olivia Colman – “Meu pai” = interpretação digníssima, como tenho visto ser usual para esta artista. Pensem em como ela passa com tudo de si a dor de ser preterida por uma irmã que nem está mais lá, sendo que podemos imaginar todos os esforços e sacrifícios para cuidar do pai… Porém, como ela já ganhou recentemente, acho que o Oscar não vai para suas mãos este ano.

Amanda Seyfried – “Mank” = ah, é uma graça de atriz, aqui representando com charme a jovem que busca sucesso e ao mesmo tempo tem sensibilidade para servir de ombro amigo a Mank, mas… Oscar acho que não, né.

Yuh-Jung Youn – “Minari” = sim, outra vovó! Mas esta aqui um pouco mais interessante, traz um certo alívio cômico para o drama da família até que ela também tem tribulação a carregar. Cativa o netinho que inicialmente não a reconhece como uma avó de verdade, é quem planta “minari” e com limitação, ainda quer fugir após causar um grande estrago. Lagrimazinhas que roubaram a cena e valem meu voto.

Melhor ator coadjuvante

Sacha Baron Cohen – “Os 7 de Chicago” = correto, talvez impressione mais porque está fugindo um pouco do personagem cômico que o grande público se acostumou a ver.

Daniel Kaluuya – “Judas e o messias negro” = muito contundente, convence como um líder forte e seguro, apesar da “timidez” no lado pessoal. O maior favorito nesta categoria (e a gente já não sabia que ele era bom desde “Corra” (2017)***?)

Leslie Odom Jr. – “Uma noite em Miami” = eu particularmente achei um trabalho excepcional. Principalmente pelo fato de ele também cantar muito bem, além de servir de forte contraponto enfrentando Malcolm X!

Paul Raci – “O som do silêncio” = talvez a performance mais “branda” de todas aqui, ou eu diria mais delicada. Nem por isso menos difícil. E ele incorpora a linguagem dos sinais, e aquela cena em que ele sabe que vai magoar o rapaz, mas precisa negar ajuda por seus próprios princípios?

Lakeith Stanfield – “Judas e o messias negro” = fiquei na dúvida se ele não deveria estar concorrendo a melhor ator principal? Um bom trabalho, incorporando o cara que não se pode deixar pegar, que parece concordar com o partido, mas também precisa se esquivar por outro lado. Pra mim, conseguiu deixar em seu semblante o medo estampado, bem como é mostrado na entrevista com a pessoa real, aliás.

Melhor atriz

Viola Davis – “A voz suprema do blues” = ah, Viola também já tem uma estatueta em sua casa, né. Não tô muito a fim de dar este pra ela não, embora entenda que é bem possível que ganhe. Transfigurada em uma personagem de presença forte, com agressividade verbal e no olhar marcantes, está bem sim, não estou dizendo que não está.

Andra Day – “Estados Unidos vs Billie Holiday” = a novinha, com muito mais créditos musicais, que tirou a sorte grande em poder interpretar este papel. Sim, caiu como uma luva.

Vanessa Kirby – “Pieces of a woman” = a primeira meia hora deste filme é só o parto (que pela sinopse, a gente já sabe que dá errado), daí é que aparecem os créditos. Mas só quem é mãe e já passou por isso vai entender tão bem toda aquela situação – e outras que poucos filmes mostram de pós-parto, como o leite vazando ou ter que usar “fralda” por uma menstruação muito forte ou incontinência urinária; pensa então em como lidar com a dor e rever a parteira de frente num tribunal. Nem precisava do restante, pra mim ela mereceria um prêmio só pela primeira meia hora.

Frances McDormand – “Nomadland” = ah, garota! Outro dia vi uma headline comentando que ela poderia ganhar um Oscar pelo mínimo de trabalho que já teve como atriz. Eu dei risada, porque Frances parece ter muito dessa personagem ela mesma, alguém de alma livre, meio desacreditada em relação aos moldes da sociedade, independente, forte e que encararia dificuldades com braveza, se viraria muito bem. Ao natural, com rugas à mostra e cabelos desgrenhados (eu me identifico!), nem precisou ser “enfeiada”, como o Oscar costuma admirar e agraciar suas atrizes. Engraçado como até alguns dos nômades acreditaram que ela era um deles, nem sabiam ou imaginaram que era uma atriz de Hollywood.

Carey Mulligan – “Bela vingança” = nem sempre precisamos de um estardalhaço de atuação, e com modos mais contidos ela consegue sim personificar muito bem o sentimento dessa personagem que ficou meio perdida na vida após uma tragédia e simplesmente não consegue deixar de lado a morte da amiga. Essa sensação da perda é algo com quem muitos podem se identificar, bem como a vontade que nos dá às vezes por mais justiça, e não é à toa que torcemos por ela, mesmo que use de alguns meios que não concordemos muito.

Melhor ator

Riz Ahmed – “O som do silêncio” = muitíssimo bem o primeiro candidato muçulmano a melhor ator na história dos Oscares. Compreendemos como deve ser desesperador para um músico, ainda mais baterista, perder a audição e passar pela raiva, pela indisposição a ficar naquela comunidade, pela aceitação e procurar mudar, apesar de querer, como qualquer humano faria, uma “cura”. E aí, então, enfrentar ainda a sensação de não pertencer até poder ter paz. Nunca, em toda a projeção, esses sentimentos parecem falsos.

Chadwick Boseman – “A voz suprema do blues” = provavelmente vão dar o prêmio póstumo para ele, e tudo bem, ele fez um bom trabalho sim, nesse personagem meio revoltado com suas dores de vida e na luta eloquente – sabemos do sofrimento ainda criança e como sua destreza de jovem músico representa força pare ele “superar” os brancos. O que me irrita um pouco é essas versões filmadas do teatro, que parecem servir apenas para exibir os talentos dos atores – talvez seja exagero meu, mas sinto isso aqui assim como foi com “Um limite entre nós” (Fences/ 2016)*. 

Anthony Hopkins – “Meu pai” = avassalador, sabe quando alguém transcende? É quase inacreditável que um profissional com seus 80 e poucos anos consiga ter um desempenho assim. E nem precisava mais trabalhar, tendo no currículo trabalhos marcantes, mas se entrega de corpo e alma, nunca tem um trejeito ou fala inútil, nunca duvidamos do que aquele homem está vivendo, seja pelo olhar ou postura física, sentimos com ele a confusão que o projeto todo propõe. Sim, valeu a pena o diretor fazer uma versão em inglês especificamente para trabalhar com este ator. E se Oscar fosse justo, sem dúvidas este prêmio seria dele.

Gary Oldman – “Mank” = será que as pessoas vão se lembrar desse personagem como um bêbado que vomitou num jantar pomposo na mansão de um bam-bam-bam de Hollywood da época? Este ator já demonstrou seu talento por diversos personagens, e está bem na pele desse roteirista que relembra bastidores enquanto escreve sua maior obra, mas não me fez torcer por ele em nenhum momento.

Steve Yeun – “Minari” = só por ser o primeiro asiático indicado nesta categoria, esta indicação tá valendo. É um bom trabalho, interpretando esse pai que representa tantos imigrantes e lutas pessoais. Na luta por uma vida melhor, não é fácil ter até a pessoa mais próxima parecer não te apoiar, tentar fazer o certo, ceder, mas querer vencer, celebrando nem que seja pequeníssimas conquistas, errar. E até mesmo desconfiar, ou estranhar um novo amigo meio doido. 

Melhor direção

O que vejo em direção é sempre como tudo foi orquestrado pelo maestro, que faz uso dos recursos narrativos disponíveis desta forma de arte para contar sua história, passar sua mensagem, impactar ou emocionar, ou fazer refletir, o espectador.

Thomas Vinterberg – “Druk – Mais uma rodada” = lances trêmulos e imagens por vezes borradas ou com alguma alteração para estados alterados; close para enfatizar aquela primeira taça irrecusável, e o clima do drink também irrecusável que já sabíamos estar passando do limite, barco de morte iminente, sobriedade com a esposa.

David Fincher – “Mank” = pra mim, a que empolga menos, me chega como uma direção fria e calculada, embora ele deva ter um carinho especial, a ponto de creditar somente o pai no roteiro. Se fosse pra fazer jus ao “Cidadão Kane” (1941)***, acho que poderia ter trabalhado melhor, quem sabe até incluindo as inovações técnicas que o filme homenageado trouxe?

Lee Isaac Chung – “Minari” = sabe quando a gente diz que este é o filme singelo, que meio que acalenta um pouco o coração? Os planos da fazenda e da natureza, a sensação de isolamento já quando chegamos com a família naquele ex-trailer velho no meio do nada, a ênfase no cansaço e os respiros em meio às adversidades; a dinâmica dos atores que realmente vemos como se fosse uma família real – e não idealizada, o que nem poderia ser, já que o intuito é exatamente sentirmos os sofrimentos e falhas de qualquer sonho (americano ou não) – isso tudo faz parte da direção. 

Chloé Zhao – “Nomadland” = eu quero dar meu voto para uma mulher, prontofalei. Mistura atores com pessoas reais de forma natural, e sem medo de filmar o que é necessário, de às vezes nos deixar no silêncio, de não apelar pra sentimentalismo (mesmo assim nos emocionando, sem evitar a família) nem exposição gratuita. É a favoritassa e deve levar a estatueta mais cobiçada desta temporada de prêmios do cinema.

Emerald Fennell – “Bela vingança” = sim, ela consegue colocar os atores no lugar em que gostaria e pairar com sua atriz principal para nós mesmos contemplarmos uma possível esperança de um amor, uma relação “normal”, mas acho que a sequência da despedida de solteiro, algemas, se solta, as ações e as consequências – isso é o que vai ficar na memória.

Melhor filme

Bem, eu já vim comentando até aqui conforme passamos pelas diversas categorias, e acho que não tenho muito a acrescentar, se pensarmos na combinação de todos esses elementos de destaque. Claro que a escolha é sempre muito particular a mim, considerando meu próprio histórico, vivências, interesses… mas talvez também seja assim para os membros da Academia? Cada um deve ter algum critério para ter mais ou menos consideração por uma ou outra obra. Aqui, fazemos a votação como eles lá fazem, a melhor nota do filme que mais gostei decrescendo para o que menos gostei da lista. E como de costume, vamos torcer para que não haja um “empate técnico” que faça algum mediano levar o prêmio…

8 – “Meu pai” = preciso comentar aqui que eu não esperava que esse filme me arrebataria como fez!

7 – “Nomadland”= só pelo tema, eu sabia que ia gostar de conhecer esse tipo de vida e que também me daria vontade de jogar tudo pro alto e ir contra o “sistema”.

6 – “Minari” = tá vendo? Não é só você que tem uma família disfuncional, e não é só com sua família que acontecem tragédias.

5 – “O som do silêncio” = o árduo processo de se refazer a si mesmo.

4 – “Judas e o messias negro” = um trabalho exímio para termos vontade de justiça e pra lembrarmos de nunca desistirmos da luta, porque desistir sim poderia ser vergonhoso.

3 – “Mank” = não é que eu mesmo me surpreendi com esta escolha? No final das contas eu bem tenho afeição com os bastidores do cinema, sim, de qualquer época. Mais afeição até do que o gostinho de uma vingança feminina.

2 – “Bela vingança” = pra ser honesta, não esperava a indicação a melhor filme (só para atriz, roteiro e direção). Vale por expressar um grito das mulheres, mas não chega a ser um dos grandes a ser lembrado na história do cinema.

1 – “Os 7 de Chicago” = interessante, bons personagens por bons atores, diálogos espertos, mas me perde naquele final honroso e glorioso e… provavelmente eu vou esquecer dele em alguns anos.

Oscar 2021: meus votos e comentários – parte 2

Continuando a série de três posts com meus comentários e votos para o Oscar 2021, neste aqui veremos as categorias mais “técnicas”. Mesmo assim, não cheguei a ver todos os indicados… Meus votos estão sublinhados.

Melhor roteiro original

“Judas e o Messias negro” = o líder do partido dos Panteras Negras e o traidor infiltrado em seu meio. Para mim, um dos destaques do texto foi no diálogo da moça que o chama de poeta; e creio que mesmo para quem já conhecia a história (eu não!) foi interessante o modo de condução da narrativa até o desfecho e a fala do cara real.

“Minari” = uma família coreana nos Estados Unidos, o pai que quer criar uma fazenda para vender suprimentos para as lojas coreanas locais, a mãe que progride no trabalho braçal de sexagem de pintinhos, os filhos crescendo nesse meio e a avó meio fora da curva. E quando a vovó zoa o garotinho, e quando ele tem que buscar uma vara pra ser punido, e a cena em que a mãe diz: “você preferiu a fazenda em vez da sua família lá dentro” – nooossa, hein?

Bela vingança” = uma mulher que quer dar uma lição aos homens que se aproveitam de mulheres bêbadas, além de vingar uma amiga. Abordando um tema pouco mostrado e contando com um desfecho de vingança meio inesperado, mas satisfatório, é bem provável que leve nesta categoria, sendo uma representante feminina aí.

“O som do silêncio” = um baterista que fica surdo e precisa lutar e aprender a continuar vivendo. Gosto muito dos acontecimentos, do desenvolvimento do personagem e de como ele chega a uma bela conclusão que eu chamaria de paz espiritual.  

“Os 7 de Chicago” = o processo no tribunal de sete pessoas acusadas por protestos violentos numa convenção em Chicago. Tem uns diálogos muito eloquentes e uma espécie de reviravolta quanto ao personagem que acaba instigando mesmo a violência, mas acho que este ano o roteirista veterano em textos políticos Aaron Sorkin não leva – ele já tem um por “A Rede Social” (2010)***.

Melhor roteiro adaptado

“Borat: fita de cinema seguinte” = depois de anos preso, Borat volta aos EUA para entregar um presente ao vice-presidente e acaba desenvolvendo uma boa relação com a filha. Aproveitando pessoas reais e situações irreais, o roteiro até que se deu bem ao incluir o tema da pandemia Covid-19 – pelo menos eu gostei, com direito a cena inspirada em “Os Suspeitos” (1995)***. É eficaz, rendendo suas risadas pelas bobagens e sarcasmo político, mas nenhuma obra prima, talvez sirva como uma espécie de registro alternativo dos nossos tempos. 

Meu pai” = baseado numa peça de teatro, um homem que vê sua memória se embaralhar. Achei tão perfeita essa adaptação do texto para o meio cinematográfico, nem consigo imaginar direito como seria apresentado numa peça.

“Nomadland” = uma vida de nômade em uma van pelos EUA, após uma crise financeira. 

“Uma noite em Miami” = um encontro entre líderes, cada um a seu modo, pelos direitos dos negros nos EUA: Jim Brown, Malcolm X, Mohammed Ali, Sam Cooke. Muitas conversas com diálogos que nos fazem pensar, principalmente ali no topo do prédio.

“O tigre branco” = baseado num best-seller, um jovem indiano humilde que é como um galo único a fugir do galinheiro, como roteiro tem algumas partes que achei expositivas e repetitivas, cansativas. Mas ilustra bem esse sentimento de indignação diante das grandes diferenças sociais, eu mesma nunca tinha visto um filme sobre a Índia moderna tão esclarecido (ei, a melhor democracia do mundo?) e objetivo, e não teria visto sem essa exposição que uma indicação ao Oscar traz.

Melhor design de produção

“Meu pai” = quase todo se passa num apartamento, com alguns elementos que vão mudando…

“A voz suprema do blues” = outra época passada, o principal cenário é um estúdio de gravação que serve de conflitos e muita argumentação.

“Mank” = também uma época passada, cenários grandiosos – estúdios de cinema, locações, mansões, uma casa no interior para o escritor.

“Relatos do mundo” = velho-oeste norte-americano, paisagens, muitos figurantes para cada cidade por onde passam, jornais antigos, uma casa abandonada, uma “roça” familiar; foi muito trabalho, mas o filme em si não tem tanto destaque e não deve levar o prêmio.

Tenet” = boas locações no exterior, já começar com aquela cena de ação irrompida na ópera! Tem o barco, o enorme avião no aeroporto que abriga obras de arte, a perseguição de carros, a tomada no deserto.

Melhor figurino

“Emma” = não vi o filme, mas conseguimos imaginar, por outras adaptações dessa história, conhecendo um pouco do universo da autora, Jane Austen. Muitos belos vestidos e adereços anos 1800? Anya Taylor-Joy é uma sortuda, por poder usar figurinos tão bacanas – sim, estou considerando aqui “O gambito da rainha” (2020)***.

A voz suprema do blues” = eu gosto do par de sapatos amarelos, além de estar muito correto os ternos e os vestidos desse grupo de músicos, da moçoila fogosa e até dos proprietários do estúdio.

“Mank” = aquele glamour da Hollywood antiga, belos ternos e ainda o pessoal dos comícios.

“Mulan” = armaduras chinesas de guerra e uma bela composição com a personagem que é mulher, mas se veste de homem para lutar no lugar do pai. Creio que muito bem inspirado nos trajes chineses reais, só que o filme não foi lá aquela coisa, então fica aí com essa indicação somente.

“Pinóquio” = não vi esse, mas novamente dá para imaginarmos, não? (e nem estou considerando tanto a versão animada da Disney, tá).

Maquiagem e cabelo

Acredito que os comentários sobre maquiagem e cabelo se relacionam com os acima, de figurino.

“Emma”

“Era uma vez um sonho” = acho que estão contando que “enfeiaram” Amy Adams e envelheceram Glenn Close? Foram competentes, mas nada que chame tanta atenção para um Oscar, exceto essas duas atrizes, que já somam várias indicações e nunca ganharam?

A voz suprema do blues

“Mank”

“Pinóquio”

Melhor fotografia

Pra dizer a verdade, eu não entendo tanto assim de fotografia. Sei que tem a ver com as luzes, cores, talvez posicionamentos, nitidez ou embrutecimento das imagens, entre outras coisas?

“Judas e o messias negro” = pra mim, o grande diferencial são as tomadas noturnas, se bem que a sensação das conversas no restaurante também é outra.

“Mank” = filmado todo em preto e branco para lembrar o filme homenageado “Cidadão Kane” (1941) ***, incluindo até simulação de “manchinhas” pontuando troca de rolo de filme… pode até ser que leve?

“Relatos do mundo” = as leituras feitas à noite com os diferentes locais, a coloração das terras conforme necessidade, ou um início de noite bem captado.

Nomadland” = também contando com muitas paisagens, muitos climas diferentes, interiores meio lânguidos? Natureza calma – e aquela cena da revoada, não?

“Os 7 de Chicago” = as ênfases necessárias, no tribunal ou outras conversas dos envolvidos, ruas com muitos jovens, reunião no parque ou enfrentamento com policiais.

Melhor som

Aqui tá tudo junto agora, né? Não só a captação dos sons pontuais, mas a mixagem, misturando com a trilha sonora e exacerbando os sons que se quer aumentar ou diminuir por um motivo ou outro. Ainda bem que não indicaram “Tenet” (que pelamor, cada susto em transições de cenas mais silenciosas e outras de ação!).

“Greyhound: Na mira do inimigo”

“Mank”

“Relatos do mundo”

“Soul”

O som do silêncio” = é meu voto porque não tem jeito, né? O próprio tema do filme é esse, como não prestar atenção ao som ao redor, ou à falta dele, zunidos, sons metálicos (título original do filme)? E acredito que leve mesmo a estatueta dourada, pelo menos este.

Canção original

Três destas indicadas considero ter um fundo político e de engajamento, o que não é ruim, não. Só não vou escolher uma dessas pra não ser injusta com as outras ;).

“Fight for you” – “Judas e o messias negro”= H.E.R. já ganhou melhor canção do ano no Grammy, hehe.

“Hear my voice” – “Os 7 de Chicago”

Husa’vik – “Festival Eurovision da Canção: A saga de Sigrit e Lars” = este é o que vai ser transmitido da Islândia! Muita gente gostou dessa brincadeira com Will Ferrell e Rachel Adams, né? E a canção representa a essência do próprio filme…

“Io sì” – “Rosa e Momo” = muito bela, para encerrar aquela relação de altos e baixos, com um menino flertando com o crime, mas de coração aproximado para realizar um último desejo pensando no melhor para aquela pessoa que o ajudou. Muitos brasileiros gostam de Laura Pausini, e ainda conta com Sophia Loren no clipe.

“Speak now” – “Uma noite em Miami” = devo confessar que não conhecia o lado musical de Leslie Odom Jr, mas ele me surpreendeu como Sam Cooke e fez também “Hamilton” ao lado do Lin-Manuel Miranda.

Melhor trilha sonora

Penso que a trilha não seja apenas uma canção, mas todo um movimento sonoro, de melodia, incluindo as canções, claro, construído para acompanhar e expressar determinada trama. Infelizmente, estazinha que vos escreve não é tão multifuncional assim, e eu precisaria rever cada um dos indicados e prestar atenção somente na trilha para poder votar com seriedade. Mas penso sempre: qual trilha ficou marcante a ponto de lembrarmos logo ao pensarmos no filme?

“Destacamento blood”

“Mank”

“Minari”

“Relatos do mundo”

Soul

Melhor edição

Combinar as imagens, ordená-las (ou desordená-las)…

Meu pai” = é fantástica, sem cenas perdidas ou a mais, todas tem um sentido ali. Como somos levados e surpreendidos, a cada momento que é vivido ou lembrado, a cada fala repassada ou transfigurada, e numa gradação de compreensão (por parte do público, incompreensão do protagonista que afetuosamente seguimos, escalando nossa emoção).

“Nomadland” = tem muita chance, apesar de ou especialmente porque não sabemos muito bem quanto tempo passou, com algumas falas bem encaixadas e momentos desencaixados.

“Bela vingança” = sabe no início, quando corta e ela aparece com um líquido vermelho, mas era só hot dog? E quando no ato final a gente fala “ih, f3rr0u”, pra então perceber que deu tudo certo? Tempos corretos, ótima edição.

“O som do silêncio” = é uma beleza, combinando com a edição sonora, então… quando a gente fica com ele ali na salinha, ele esmagando o donuts; ou desacompanhando na festa da namorada; eficiente também na transformação, junto das crianças…

“Os 7 de Chicago” = talvez o que tenha mais chamado a atenção é a pequena revelação com o paralelo de uma conversa e um discurso, mais ao final. Mas claro que temos os desenvolvimentos políticos e do próprio processo julgado, como percebemos as manipulações, as cenas iniciais com a apresentação dos personagens é bem dinâmica.

Melhores efeitos visuais

Epa, que este ano foi bom e até nesta categoria consegui ver todos os indicados! Me lembra a época de jovenzinha, quando o que eu adorava era ver os efeitos especiais dos filmes de aventura das sessões da tarde…

Amor e monstros” = boa diversão, com risadas honestas neste universo em que monstros tomaram conta da Terra e nosso herói, apesar de muito inapto, paralisado diante do perigo, decide sair e enfrentar tudo para encontrar uma possível namorada. Sim, os monstros são ótimos – até do caranguejo prisioneiro por choque elétrico eu gostei, e as explosões, a interação com o Boy, funcionam bem. Meu voto vai pra este simplesmente porque foi o mais divertido de ver, e se os efeitos fossem muito capengas tiraria parte da graça.

“O céu da meia-noite” = não me entusiasmei muito com o filme em seu todo, achei meio previsível. Sempre tem que ter algum que se passa no espaço, né; nave bonita, tecnologia avançada com direito a memória virtual, um trailer que vai inundando no lago congelado, a cena mais fenomenal eu diria que é a ferida da astronauta, com as gotículas de sangue se espalhando naquela falta de gravidade (por que sempre que um astronauta inventa de dar um passeio fora da nave a gente já sente que vai dar m3rd@? Ecos de “2001”?)

“Mulan” = treinamentos, avalanche, muitas lutas coreografadas.

“O grande Ivan” = ah, é um belo trabalho sim dar expressão aos animais, em especial o personagem principal, Ivan, parece tão real – e o filme é baseado mesmo numa história real! Apesar de sentirmos carisma pelo dono da atração, interpretado por Bryan Cranston, é bem válida a questão de libertação dos animais e que possam viver em um habitat mais próximo do natural. Eu daria uma chance por esse motivo, caso você esteja procurando por um filme “família”.

“Tenet” = sim, sim, Nolan e seus grandes efeitos. Explosão do avião, tiros e estouros ao contrário, uma visita à la “Missão Impossível” na Índia, prédio que volta e é explodido de novo… e sei lá mais quais invencionices podem garantir mais um prêmio aí.

Oscar 2021: meus votos e comentários – parte 1

Como comentei no post anterior, este ano decidi separar os comentários e meus votos em três posts, para não ficar muito longo. Vamos começar com as categorias que geralmente eu não consigo assistir a todos os títulos, mas eu acabo chutando e voto mesmo assim. Meu voto está com texto sublinhado.

Melhor curta-metragem em live action

Em quase todos os anos é muito difícil eu ter acesso aos curtas, daí este ano (apesar de imaginar que tudo estaria por aí pra vermos em casa) eu já desencanei de vez. Pra não dizer que não vi nada, teve o da Netflix, mas meu voto vai para o que pareceu ser mais belo.

Feeling through” = um encontro entre um jovem e um cego-surdo.

“The letter room'” = um oficial é transferido para a “sala das cartas” da prisão.

“The present” = pai e filha saem para comprar um presente passando por soldados e rotas separatistas.

“Two distant strangers” = um rapaz negro vive num looping em que todos os dias ele é morto por um policial racista; ao final mostram vários nomes de pessoas que se foram aparentemente sem ter cometido crime algum, e inclusive o George Floyd, cuja cena semelhante representa a primeira morte e suscitou inúmeros protestos pelos EUA mesmo em meio à pandemia.

“White Eye” = um homem reencontra a bicicleta roubada.

Melhor filme internacional

Este ano, pior do que os curtas, eu vi somente o da Dinamarca… voto para o que eu gostaria de ver.

“Colective” = (Romênia) também indicado por melhor documentário.

“Druk – mais uma rodada” = talvez seja o favorito da categoria? Quatro professores de ensino médio experimentam a teoria de que beber álcool constantemente pode melhorar seus desempenhos. É claro que a gente já sabe que esse experimento vai dar ruim, mas até que é bem conduzido, com o inicial “sucesso” nas aulas de história (“vocês elegeram Hitler!”), e Mads Mikkelsen foi bailarino de verdade? Por alguma razão compreendemos a beleza e a libertação dessa dança final.

“O homem que vendeu sua pele” = (Tunísia) um refugiado da Síria cujo corpo vira obra de arte viva (?)

Quo vadis, Aida?” = (Bósnia Herzegovina) família de uma tradutora refugiada do exército sérvio em um campo das Nações Unidas.

“Shaonian de ni” = (Hong Kong) uma jovem é protegida por um homem misterioso.

Melhor curta documentário

Com alguns títulos disponíveis no YouTube até deu pra conferir alguns, né?

“Collete” = uma senhora visita junto de uma estudante um campo de concentração nazista. Até que é interessante acompanhar essa senhora que parece turrona e claro que acaba se emocionando – talvez um pouco melodramático demais, mas sempre um registro histórico para a humanidade não repetir certos erros.  

A concerto is a conversation” = uma conversa de lembranças do avô do hoje compositor de “Green Book”, que perpassou por lugares difíceis em relação a direitos iguais para os negros em sua trajetória de vida.

“Do not split” = sobre protestos em Hong Kong.

“Hunger ward” = a luta contra a fome em centros no Iêmen.

“A love song for Natasha”= outro representante Netflix, relatos de amigas de uma menina que foi morta aos 15 anos pela dona de uma loja.

Melhor documentário

Voto para um que parece bem relevante nestes tempos.

Colective” = uma equipe de investigadores em um jornal que revela uma grande fraude em um sistema de saúde.

“Crip camp” = um acampamento para deficientes, que leva a líderes por mais direitos igualitários. Eu me surpreendi porque nunca tinha ficado sabendo desse movimento, do protesto em que tomaram um prédio e até aquelas cenas de uma instituição degradante para os de necessidades especiais. Produção executiva dos Obama.

“O agente duplo” = um “agente” investiga suposto abuso aos idosos.

“Professor Polvo” = um realizador registra sua amizade com um polvo por mais de um ano, recuperando-se de seus próprios problemas. As imagens são bem capturadas, e podemos mesmo nos surpreender em descobrir certos comportamentos do polvo.  

“Time” = representante do Primevideo, mulher luta pela soltura do marido preso.

Melhor curta de animação

“Toca” = disponível no Disney+, aquele parzinho que acompanharia o longa, Soul, caso fosse apresentado no cinema… É uma graça, animação tradicional, um coelho que vai cavando em busca de um lugar para sua casa até necessitar da ajuda de vários animais para de salvarem.  

“Genius Loci” = o caos urbano que parece um guia vivo.

Se algo acontecer… te amo” = disponível no Netflix, pais lembram da filha morta num tiroteio na escola e precisam se reencontrar e superar. Algo que faz sentido em animações é porque é um meio criativo de trabalhar as imagens contando sua história, e aqui funciona muito bem, os traços simples que podem até parecer esboços por vezes (mas faz todo o sentido), trabalham com sombras e o lado “espiritual”, digamos, dos personagens.  

“Opera” = sociedade e história em certa forma de ópera.

“Yes people” = as batalhas do dia-a-dia e a capacidade de lidar com as provações.

Melhor animação

Só destoando um pouco do tema deste primeiro post da série, este ano, sim! Consegui ver todos os longas de animação indicados, embora o vencedor acho que já está na cara faz tempo (até no Annie Awards também foi).

“Dois irmãos: Uma jornada fantástica” = dois irmãos partem numa aventura com muitas referências a jogos RPG para que possam passar um dia com o pai. Entretenimento bem divertido, sempre com o ótimo timing cômico (e o pai pela metade!) da Pixar, mas nem sei se precisava se passar num mundo “mágico”? Gostei da Mantícora (voz da Octavia Spencer), com seus poderes reprimidos. E o final eu já meio que esperava, mas ainda assim emociona tratando da relação entre irmãos.

“A caminho da lua” = uma garota cuja família tem uma loja tradicional de confecção de “bolinhos da lua” vai atrás de uma lenda lunar para evitar que o pai se case de novo. Tem umas sequências mais movimentadas, a corrida com malabarismos do suposto presente, por exemplo; gosto das tentativas dela de montar um foguete e do novo irmãozinho valente, e do voo do pássaro que visita a menina. Glen Keane trabalhou no departamento de animação de vários títulos do estúdio do Mickey, e mais recentemente da série “Zé coleta”.

“Shaun, o Carneiro: O Filme – A fazenda contra-ataca” = o carneiro que apronta com as ovelhinhas e tem que aguentar o cão rabugento faz uma amizade do outro espaço e tem que ajudá-la a voltar para os pais e seu planeta. Muuuitas referências a “E.T. – o extraterrestre” (1982)****, e só por isso já ganha minha estima. O visual desses animadores britânicos é sempre agradável e as narrativas divertidas, o parque de diversões simplório montado pelo humano foi engraçado.  

Soul” = eu já fiz um post especialmente para esta animação aqui. Um professor de música cujo sonho é fazer sucesso tocando jazz acaba morrendo antes de aproveitar sua grande chance, vai parar no mundo das almas que estão se preparando para vir para a Terra e acaba ajudando uma alma a ter sua centelha de vida. É um voto bem pessoal mesmo, pois seria um presente de filme que eu daria a mim mesma.

“Wolfwalkers” = que animação fabulosa, não? Me encanta bastante o estilo deles de animação, as formas, cores, o modo como desenham a floresta e como se apresentam os elementos mágicos. A filha de um caçador é mordida e se transforma em uma “wolfwalker”, virando lobo quando dorme. Não sei quão bons são os dois anteriores desta trilogia do folclore irlandês e com certeza pretendo conferir tão logo possa “Uma viagem ao mundo das fábulas” e “A canção do oceano” (que quase peguei num desses anos de AnimaMundi). Se Soul não tivesse “me pegado de jeito”, com certeza meu voto seria deles.

Como mudou a rotina de ver filmes, e um pouco do Oscar 2021

Estamos nos aproximando da festa do Oscar deste ano e fazia tempo que eu não via tantos filmes indicados assim! Claro, isso foi possível por um ano de pandemia, com a maioria dos títulos disponíveis em streaming e poucas idas aos cinemas (para alguns, no meu caso foi nenhuma ida).

Na verdade, fico pensando em como minha rotina de ver filmes mudou. Não apenas não ter a imersão de uma sala escura e sua total atenção voltada às cenas iluminadas por uma qualidade de imagem e som ideais (segundo o crítico Pablo Villaça, há teóricos que afirmam que o ideal seria ainda além: não ter nem os luminosos indicadores de saída, pra uma imersão ainda melhor). Inclusive, uma amiga comentou que não sentia falta de ir ao cinema – ao passo que eu afirmava dentro de mim que sentia, provavelmente pelo que acabei de descrever acima.

Mas não é só isso, de estar em casa e poder pausar e ir buscar algo pra comer ou beber. Ter distrações ao redor, seja de pessoas ou sons, ou movimentos… Ou não ter muita paciência e parar pra terminar de ver só em outro dia. Se bem que, pra ser mais exata, mais do que a pandemia, esse hábito novo foi mais devido à bebê que corresponde a uma jornada de trabalho diário de quase 12 horas sem direito a férias.

Talvez para quem vê de fora eu não esteja fazendo nada. Ou talvez pra quem tenha vivência de outras realidades – afinal cada bebê é diferente, cada família também. Ainda existe muito dessa ideia também que cuidar da casa e dos filhos não é trabalho – pode até não ser pra você que não sabe, mas que dá trabalho, dá!

E daí, ficamos assim: sim, eu vi muitos filmes nesta maratona para o Oscar deste ano de 2021, mas infelizmente não consigo tecer textos para cada um visto, então faremos o seguinte: vou dividir em três posts meus comentários, junto dos votos que eu daria caso fosse um membro da Academia. Pra não ficar um textão infindável que ninguém tem saco de ler.

Ao mais, estou curiosa pra saber como se dará a apresentação este ano, parece que Soderbergh quer inovar, fala-se de um formato que pareça com um filme, máscaras serão item de destaque – e vocês não acharam também simplesmente muitíssimo apropriado que tenhamos justamente o diretor de Contágio (Contagion / 2011) para nos guiar? Adoro essas “coincidências” do mundo do cinema.

Outro fato muito entusiasmante para esta temporada são as próprias indicações que inovaram, trouxeram uns recordes inéditos aí. Seja em mais presença de mulheres e negros, fico sentindo que depois do ano em que anunciaram o vencedor errado e de “Parasita” (2019)*** surpreender a todos, tudo é possível agora no Oscar!

Nos próximos dias sai um post por dia então, esperando com certa ansiedade pra ver se vai ser uma festa histórica das boas.

Oscar 2015 – bora que meu ano não começa só depois do carnaval

(Post atualizado em 26/02/2015)

Chega de comer bobagens, que eu passei as últimas semanas gastando demais com cinema (e este ano especificamente, comendo mal). Que bom que o Carnaval também já passou, e finalmente vamos poder começar o ano de verdade! Finalmente vou parar com essa loucura e voltar aos meus afazeres, tudo voltando ao “normal”, tentar estudar, fazer dieta e comer coisas saudáveis, planejar a próxima viagem. Incrível, acho que este é o primeiro ano em que eu quero que o Oscar passe logo!

No último ano eu não consegui ver o Leo, nem o Miyazaki (sem festa pra mim). Mas foi bem legal acompanhar pelo twitter, com a Ana Maria Bahiana e outros (e o da Academia, e ver o selfie da Ellen), tanto que quero repetir.

Bem, aqui vão os meus votos, e como de praxe, aviso que não são os que eu acho que vão levar, são os que eu daria, com certeza a lista dos ganhadores será bem diferente!

* * *

A festa passou e este ano eu achei mais previsível ainda do que os anteriores – acho que finalmente incorporei mesmo a mentalidade da Academia…

Novamente, volto a frisar que é ridículo o que o canal Globo faz, cortando a festa para menos da metade para passar “Big Brother”. Tudo bem que o programa deve dar ibope, mas custava abrir só essa noite específica, já que compraram os direitos pra passar o Oscar em TV aberta? #globofails e é um desrespeito com o espectador. Eu já não assisto mais Globo normalmente, imagina com essas. Pelo menos colocaram o Lázaro Ramos e um crítico decente pra comentar (não que eu vá criticar aqui o José Wilker, que é um querido pra mim, apesar dos pesares, com o perdão do trocadilho).

Ou seja, só nos resta esquecer que essa emissora divulga o Oscar, boicotar de vez e tentar o streaming, pra quem não tem canal pago. E, além disso, como fiz ano passado também: é muito divertido acompanhar o twitter, com uma galera louca fazendo os comentários! Pena que este ano não teve selfie.

Acho que estou ficando velha e achei a festa bem chata. Tá, teve o Neil Patrick Harris de cueca correndo pra lembrar Birdman – isso foi bem corajoso da parte dele, vai. E o “in memorian” nos lembrou como 2014 teve perdas, mais do que outros anos (e mesmo assim faltou gente ali). De resto? Achei tudo muito certinho, previsível, e o Oscar 2015 vai ficar lembrado como aquele dos discursos bem intencionados – Meryl Streep incentivando o discurso da Patricia Arquette sobre direitos das mulheres foi fenomenal! “Stay weird”, e ainda teve sobre vítimas de doença, discurso para negros, para a comunidade latina, pra todo mundo mesmo.

Os ganhadores estão destacados em azul abaixo. E vocês querem saber a real, a realidade mesmo desses prêmios de cinema? Meu amigo da “Toca do cinéfilo” escreveu um post ótimo, que explica tudo, a vida como ela é.

Melhor curta documentário: White Earth (eu não vi, mas o tema da mulher que busca trabalho com petróleo e o questionamento do American dream me pareceu interessante). / Crisis Hotline: Veteran Press 1 (previsível)

Melhor curta de ficção: Parvaneh (novamente não vi, mas parece pertinente mostrar uma imigrante Afegã e as burocracias a enfrentar) / The phone call (não gostei muito desse prêmio)

Melhor curta animado: The bigger picture (O Banquete, com o cãozinho que prefere comida saudável e ver seu dono feliz, é simplesmente adorável e deve levar porque é aquele que a maioria deve lembrar. Mas a técnica e conceito em The bigger picture parece bastante interessante) / O banquete (claro)

Melhor documentário: O sal da Terra (é claaaro que este seria o meu voto!!!) / Citizenfour (o favorito mesmo)

Melhores efeitos visuais: Interestelar / Interestelar (previsível)

Melhor edição de som: Sniper Americano (difííícil!) / Sniper Americano (menos óbvio)

Melhor mixagem de som: Whiplash / Whiplash (a única surpresa da noite? Não pra mim)

Melhor trilha sonora:  O Grande Hotel Budapeste / O grande hotel Budapeste (esse eu não sabia que ia acertar, juro)

Melhor canção original: “Everything is awesome” de Uma aventura Lego (desculpa aí, Martin Luther King, mas essa canção ficou semanas na minha cabeça e “Glory” eu já até esqueci) / Selma (óóóbvio…)

Melhor maquiagem e cabelo: Guardiões da Galáxia (prêmio consolação) / O grande hotel Budapeste (ok)

Melhor figurino: O grande hotel Budapeste / O grande hotel Budapeste (claro)

Melhor desenho de produção (direção de arte): O grande hotel Budapeste (vai dizer que vocês não ficaram com vontade de conhecer esse hotel?) / O grande hotel Budapeste (preciso de um sinônimo para “óbvio”)

Melhor edição (montagem): Whiplash (porque batera tem certo ritmo e tal, né. E o feeling, e o olhar certo no momento certo?) / Whiplash (outra surpresa? mas por quê? a montagem é legalzinha mesmo)

Melhor fotografia: Birdman (é luz de teatro, de NY na Times Square, de barzinho frequentado por críticos, de super-herói voando…) / Birdman (claro)

Melhor filme estrangeiro: Timbuktu (Ida e Leviatã são ótimos sim, mas esse pra mim foi mais belo) / Ida (era esse ou Leviatã, não tinha jeito)

Melhor animação (longa): Operação Big Hero (A princesa Kaguya é lindíssimo, mas um filme popular que faz as crianças quererem estudar e as ajudam a entender perdas? Tem que ser Disney. Fora que o Baymax é muito fofo e todo mundo queria ter um em casa.) / Operação Big Hero (ahahahah este ano eu tava bem mesmo)

Melhor roteiro adaptado: O jogo da imitação / O jogo da imitação (por que não participei de bolão?)

Melhor roteiro original: Birdman / Birdman (cansaram? eu também.)

Melhor atriz coadjuvante: Patricia Arquette (não tem pra mais ninguém) / Patricia Arquette

Melhor ator coadjuvante: J.K. Simmons (não tem mesmo) / J.K. Simmons

Melhor atriz: Julianne Moore (porque ela já fez tanta coisa legal e nunca ganhou um. Senão, seria Marion Cotillard, não?) / Julianne Moore

Melhor ator: Eddie Redmayne (este ano eu achei todos os concorrentes muito bem em cena, e não ficaria triste até se o Michael Keaton – quem diria! – levasse.) / Eddie Redmayne

Melhor direção: Richard Linklater / Alejandro González Iñarritu (e lá se vai a chance do Leo DiCaprio ganhar ano que vem por The Revenant? Desculpem, foi só isso que pensei na hora)

Melhor filme: Birdman / Birdman

Isso é tudo, pessoal! Boa festa e que tenhamos um ótimo ano nos cinemas!