A ganha-pão

(The breadwinner / 2017)***

Com a recente volta ao poder do Talibã no Afeganistão, eu achei mais do que apropriado registrar por aqui algum comentário sobre este filme, um dos poucos que vi sobre o assunto, mas que apesar de ser uma animação, mostra muito bem como era a vida para uma mulher sob esse regime fundamentalista. É realmente muito triste pensar que todos os avanços e progresso nos direitos humanos conquistados em relação principalmente às mulheres do país (quem aí não lembrou logo da Malala?) possam entrar em retrocesso, como um passo atrás para a humanidade. Aliás, que tempos são estes, não é mesmo? Que além de uma pandemia global tenhamos que enfrentar outros tipos de “sombras”, mais uma vez, em nossa história.

Eu sou descaradamente uma criatura da prole formada por animações de princesas Disney, então não consigo ver nada além de acertos neste filme, que talvez só tenha ganhado os holofotes pela “sorte” de ser uma produção apoiada por alguém de Hollywood (a produtora é da Angelina Jolie). E confesso que se não fosse uma indicação ao Oscar talvez eu nem tivesse ficado sabendo da existência. A diretora é irlandesa, mas capta e retransmite ao público perfeitamente essa realidade específica. Fiquei me imaginando com 12 anos conhecendo a história dessa protagonista jovem, admirando-a como uma das princesas heroínas (não menos valente que nenhuma dos grandes estúdios).

A trama da narrativa principal poderia ser clichê – uma menina se passa por menino para poder ajudar a família – se não fosse tão importante existir esse registro, lúdico e ao mesmo tempo de denúncia, que serve a qualquer público, desde a mais jovem consciência como um ser humano existindo de direitos e responsabilidades.

E o modo como a desenvolvem, com os respiros de entusiasmo de qualquer espírito jovem que ainda sustém esperanças e sonhos, pontuados pelos eventuais medos e perigos das diversas situações em que se encontra a personagem principal, na luta para salvar seu pai e sua família, tem um ritmo que não cansa, uma coordenação que emociona sem ser melodramática.

Até a narrativa paralela em forma de fábula, contada pela menina Parvana, acompanha bem esse ritmo com elementos da “vida real” dela e um destemor crescente na reta final. Os personagens nos cativam, Parvana é uma menina comum, que tem preguiça de ir buscar água, que questiona o pai a princípio sobre a relevância de se contar histórias, ou sobre a venda de um vestido. A irmã tendo que se casar como “solução” para a situação da família, quando o suposto marido vem de supetão buscar todos já nos deixa temendo pelo futuro deles. O pequeno irmão que gosta da história por causa do elefante, como todas as crianças, sempre nos encantam e são um alívio para as durezas enfrentadas. A mãe, forte da maneira que lhe é possível.

E não sentimos “dó” gratuitamente, o filme é esperto no dinamismo da violência velada enfrentada – até pelo teor da produção, não se poderia mostrar graficamente um assalto à mãe, mas vale, por exemplo, quando o pai é solicitado a se levantar para conversar com os opressores, com o plano revelando sua deficiência física. Tem momentos em que não é preciso escancarar, nós entendemos bem o que está acontecendo. Até para os coadjuvantes há cenas bonitas e tocantes, como do senhor cuja carta lida revela a morte da esposa. A amiga Shauzia também tem seus bons momentos, mostrando o caminho dos doces e apoiando até o final.

Na parte técnica, os traços e paleta de cores são agradáveis, e gosto que inclusive a animação da parte da fábula combine com a da trama principal. Louvável que os dubladores basicamente sejam todos afegãos, e o detalhe das partes escritas que Parvana consegue ler serem no idioma local, não legíveis para a maioria de nós.

Acabei com a sensação de ter conhecido um outro tipo de vida, bem distante da minha realidade, mas torcendo para que não passe de mais um grandioso erro dentro da história das sociedades humanas. Será que ainda vamos ter que errar muito para compreender o quão grave são esses erros cometidos?

E o que isso tem a ver com budismo?

Eu nem vou comentar com vocês que até imagens búdicas foram destruídas em investidas talibãs de extrema intolerância religiosa ou cultural. O que mais ressoa para mim, na história de Parvana e do pai, é o que Buda sempre pregou: o respeito ao próximo. Por quê, em nossa história, sempre houveram pessoas consideradas piores, inferiores? E daí surgem os grupos explorados, ou que não tem os mesmos direitos. Se nós conseguíssemos considerar o outro sempre, seus sentimentos, talvez deixaríamos de cometer muitas atrocidades. Se considerássemos que cada um tem um potencial para ser um Buda, tem o seu valor. Fora isso, também existe o lado da ação. Parvana fez o que pôde, dentro de suas possibilidades. Muitos podem pensar que o budismo é só teoria abstrata, filosofia, mas existem vários pontos que podem e devem ser colocados em prática. Apesar de boas intenções, é preciso agir também, dentro do que for possível. Talvez não possamos salvar o mundo inteiro de uma vez, mas só de ajudar pessoas próximas, como Parvana fez tudo por sua família – desde contar histórias para o pequeno, estimular a imaginação com a amiga, fazer o favor de ir buscar água para a irmã embora houvesse algo desagradável ou até perigoso envolvido – são ações, e por mais que pareçam pequenas, ao considerar o outro geramos o bem ao nosso redor, o que nos faz bem também.

Luca

(2021) ***

As Olimpíadas de Tóquio 2020 acabaram com um marco histórico de medalhas para o Brasil e representação feminina ganhadora e inédita. Achei nada mais justo e apropriado, vendo a fadinha Rayssa Leal lá no pódio com seus 13 aninhos, dedicar um post para este filme da Disney. Aliás, foi a única prova de final valendo medalha que consegui acompanhar. E afinal, uma das coisas que faz os principais personagens mirins deste longa animado interagirem é o esporte, uma competição tradicional desta ilha na Itália.

Antes, porém, de comentar como achei divertido o povo aquático transmutado e descobrindo a vida na terra firme, preciso comentar da questão LGBTQIA+… teve gente falando que este era uma versão infantil para o filme “Me chame pelo seu nome” (2017)***, porque também se dá num verão na Itália com descobertas e talz, mâs… euzinha, honestamente, não vi a homossexualidade na relação dos amigos não. Aliás, ouso dizer que tô começando a ficar irritada que tudo agora tem que ter algo a ver com as minorias – seja homossexuais, negros, empoderamento feminino… Sim, a representação é importante, quanto tempo se passou sem que a maioria branca hétero pudesse respeitar o “diferente”, entendo os movimentos. Mas tô ficando cheia de que em TUDO o pessoal tá querendo ver isso – me julguem, eu sou sincera e nem tenho tantos leitores assim. Lá com Frozen também, não vi nada além de uma mulher que só queria ser ela mesma, não vi nada de gay ou qualquer outra coisa. E aqui também. Aliás, se eles não tem interesse romântico também poderiam ser assexuais, não? Mas, novamente, nem acredito nisso. Só acredito que naquele momento esses personagens têm uma trajetória que não inclui o lado romântico amoroso sexual – e acho isso ótimo. Porque a vida não é feita só disso não, viu.

Historinha: um menino peixe faz amizades inusitadas, descobrindo possibilidades de vida maiores.

:D Como em todos os filmes Disney/Pixar, nem temos o que falar do visual e da técnica, que nunca deixam a desejar. A aparência no fundo do mar e na transformação dos personagens quando estão em terra acerta em cheio – e aqueles cachinhos do Luca? E o jeitão das “mamas” italianas? Inclusive, na dinâmica de “perigo” de serem descobertos alternando a água, e por isso, apesar de serem os melhores nadadores, a parte da natação ter que ficar com a menina da terra, Giulia. Engraçado também como o personagem do pai da Giulia se parece muito com o pai do curta A lua (La luna/2011), que é do mesmo diretor, Enrico Casarosa. Mas claro que as referências que mais gostei foram as das animações do Ghibli, o nome da cidade fazendo alusão à Porco Rosso (1992) *** foi a mais óbvia, mas e aquele gato gordo, gentem? Ainda, no início da animação eu meio que pensei “é uma nova versão de A Pequena Sereia (1989) ***, né não?” Muito parecido, a fascinação que a Ariel tinha com o povo da terra, colecionando objetos, ter que se esforçar conhecendo o mundo dos humanos.

Porém, aqui entra a graça desta história. É sobre e para crianças, ou jovens impetuosos que tem um mundo inteiro para conhecer à sua frente e em seu futuro. O roteiro mostra bem essa energia juvenil das invencionices – aqueles testes com a bicicleta! Achar que tendo uma Vespa eles poderiam ganhar o mundo; enquanto brincam, apesar de saber que tem que ir pra casa, querer ficar mais um pouquinho… Ou mesmo a Giulia, finalmente podendo fazer parte de uma equipe para vencer o chatão do bairro. E se eu reclamei que tô ficando chateada com tanto escancaramento da defesa das minorias, este roteiro aqui é esperto o suficiente para nos brindar com momentos engraçados, tocantes e lidar com o tema na forma fantasiosa do povo do mar ser caçado como monstro, para então ser descoberto e todos verem que é possível conviver. Palmas, até para os créditos finais que dão indícios de como se deu o futuro desses amigos, desses “diferentes”, convivendo.

Queremos provar o Trenette al pesto (salivando!), o tio do Luca das profundezas nos lembra um peixe que existe na realidade, e nem sentimos dó do pai da Giulia por ele não ter um braço – olha que beleza de direção de arte. Sim, temos som que valoriza o mar, temos sons de crianças numa cidade de porto italiana, não temos canção chata, temos fotografia com luzes, cores e tons acertados aos seus momentos, temos filme antigo do Mastroianni como easter egg. Nos emocionamos com a ação da competição e quando Luca na bicicleta é descoberto por toda a cidade, edição efiz. Vamos às lágrimas na despedida na estação de trem. Tá bom demais pra um entretenimento despretensioso, não tá não? Mesmo achando que aquela sequência de devaneio na Vespa tomou tempo demais, tem muito mais pontos positivos do que negativos nesta aventura.

E o que isso tem a ver com budismo?

Creio que muitos hão de concordar que uma das falas marcantes do longa foi quando o personagem de Alberto diz: “vai ficar tudo bem, você já me tirou daquela ilha”. O menino, primeira amizade de Luca acima da superfície, esperava pelo pai há muito tempo, isolado numa ilha, achando que sabia de tudo do mundo na terra. Às vezes a pessoa mesmo não percebe que está se deixando ficar pra baixo, ou presa a algo que não é bom, ou se conformar que ela não pode mais. E às vezes é necessário ter um amigo, uma companhia, alguém para apoiar e estar ao lado na aventura, na caminhada. Para aprender junto talvez, descobrir coisas novas, perceber outras coisas. É maravilhoso quando Luca descobre com Giulia sobre as estrelas e o espaço, que ele tenha vontade de alçar voos maiores e ir para a escola! Às vezes nós precisamos de uma mão amiga para podermos dar outros passos.

Na ordem budista que sigo, sempre é enfatizado muito sobre compartilhar os ensinamentos. Isso não serve apenas para angariar mais um fiel, converter mais um. É exatamente porque às vezes precisamos de alguém para estender a mão, para descobrirmos outro caminho. E muitas vezes nem percebemos que precisamos, até que descobrimos. Compartilhando experiências e conhecimentos, ajudamos outras pessoas, acreditamos no potencial delas para serem melhores ou levarem vidas melhores. E caminhando juntos, aprendemos muitas outras coisas mais. Por isso, o Buda considera a comunidade budista como uma das joias essenciais no budismo. É muito precioso ter amigos para seguir nas caminhadas que sejam, e talvez não tenha sido por acaso que você tenha cruzado com determinadas pessoas nesta vida.

Oscar 2018 – o das minorias

É claro que nunca vamos esquecer daquele final histórico do ano passado, quando o verdadeiro vencedor foi “Moonlight” e não “La la land”. Mas sem ser forçadamente uma resposta à “brancura” do cinema, no dia 23 de janeiro foram anunciados os candidatos deste ano, e o que me veio à mente foi como, de uma forma ou de outra, esses filmes representam nosso momento social atual, de dar alguma voz às minorias.

Vocês devem ter se perguntado se eu já desisti de vez do cinema ou se continuo com minha tradicional maratona anual. Pois eu ia escrever um post tão logo na semana seguinte ao anúncio, começando pelas animações e justificando o porquê de continuar todos os anos com isso – é porque é a época em que eu consigo ver bons filmes, alguns nem tanto, mas no geral, bons filmes. E de vez em quando posso me surpreender, pegar pra ver um filme que eu não teria visto caso não tivesse sido indicado e ficar feliz com uma boa descoberta.

Portanto, devo confessar: não é que eu tenha desistido da maratona, mas simplesmente me faltou energia para vir aqui e escrever. Energia física, espiritual, emocional. Novamente me encontro numa fase da vida em que sinto que seria tão mais fácil apenas me conformar, do que me reinventar, tentar acreditar de novo, mudar ou buscar algo a mais.

Daí, hoje à tarde era minha folga e fui conferir “The post – a guerra secreta” (2017)***. E tem aquela única cena relevante para a Sarah Paulson (que pena, a gente gosta da Sarah), em que ela explicita ao marido vivido por Tom Hanks sobre a coragem da personagem de Meryl Streep, a responsável-mor pelo jornal The Washington Post. A mulher do Ben (Sarah) fala sobre uma pessoa que nunca tinha imaginado se encontrar um dia naquela posição, que sempre acreditou que ela não era boa o suficiente e que era invisível aos homens cuja opinião realmente importa. E, de repente, ela precisa tomar aquela difícil decisão de arriscar tudo o que sempre importou para ela e a família… e eu chorei (é claro). Pôxa, tem esses atores que eu adoro e é do meu padrinho imaginário, o Spielberg, não é de qualquer um que vem me dizer que às vezes a gente precisa ser forte, ter coragem para enfrentar o que for, mesmo que seja o mais difícil, não importa nem sua idade. Pôxa, xenti, eu chorei mesmo.

(suspiro)

Mas, deixando de lado minhas agruras pessoais, vamos lá. “The post” deixa bem explícito a questão da mulher que já viveu em épocas quando era normal ser menosprezada ou levada apenas a cuidar do lar ou das festas. E a exposição é enorme mesmo, um monte de figurante mulher ali na saída do tribunal (que acredito não terem existido na ocasião real), diálogo expositivo e tudo mais. Mas a gente aceita, vai, é para um bem maior.

O filme com mais indicações, “A forma da água” ***, é um pouco mais sutil, ou divertido, como queiram chamar, mas está lá também. A questão dos homossexuais, das pessoas que acabam ficando “à margem” (com uma necessidade especial, por ex), a época em que uma autoridade não tinha o menor pudor de discriminar uma pessoa pela cor da pele, como se fossem outro tipo de pessoa…

Já “Me chame pelo seu nome” e “Corra!“*** nem precisa explicar, né, está bem escancarado já pela sinopse das narrativas, pelos próprios temas dos filmes, só que o último vai numa verve de terror e até, eu diria, cômica, o que acho inovador pra Academia e apoio.

Dunkirk” ** fica menos claro, mas temos sim uma espécie de representante de refugiados – que numa visão minha bem superficial, são apenas pessoas que só querem sobreviver, viver, mas dependendo do contexto, são vistas menos valorosas que outras.

Lady bird” *** é uma outra atmosfera, mas é na forma adolescente que temos essa “minoria” enquadrada (acredito que pela experiência própria da diretora) numa sociedade de padrões comuns e expectativas difíceis de romper. Essa é a personagem principal, mas o filme conta ainda com um personagem homossexual, vejam aí que Oscar é este.

Trama fantasma” eu ainda não vi, mas não vou me surpreender se tiver alguma questão de “minoria”, ainda mais com o Paul Thomas Anderson, que não tem medo de mostrar nada. E faltou “O destino de uma nação” **, que fez questão de incluir uma cena no trem de Londres que não cremos ter sido verdade, mas está lá no filme, com mulheres e pelo menos um rapaz negro para validar o pensamento de um líder da nação.

Tá bom ou vocês querem mais? “The square” **, que fala dos “indigentes”? Ou “De corpo e alma”*** que tem um senhor “deficiente” e uma moça “autista” (ou não)? Star Wars, que agora tem um negro e uma asiática como personagens importantes? Calma, calma, minha maratona é só dos filmes indicados a melhor filme, não se preocupem.

Se der coragem, volto a postar por aqui sobre cada filme com mais calma. Ou então, deixa só eu dizer que, de tudo que tenho visto, o que me surpreendeu mesmo foi “Com amor, Van Gogh” ****, um desses trabalhos incríveis que eu não teria conhecido se não fosse pelo Oscar. E como chorei copiosamente (de novo com um filme da Pixar), querendo aprender a cantar “Remember me” de “Viva – a vida é uma festa” ***.

E, por tudo que já disse, já dou os meus chutes básicos de ganhadores… quem é que tem o pacote completo das minorias e ainda consegue encantar como cinema? Já sabem minha aposta. Boa temporada do Oscar para nós!

 

 

 

Logan / A bela e a fera

Ando com um novo projetinho de vida e não é que acabei deixando passar o mês de março? Em alguns meses acho que vou poder abrir para todos e expor esse meu projeto, mas por enquanto, tenho estado com a cabeça em outras nuvens… Deixo aqui só algumas notas, só pra não deixar passar em branco.

!Claro, sempre lembrando que este blog não acredita em spoilers, uma coisa é saber dos fatos, a outra é sentir a emoção (triste ou feliz)!

Logan (Logan / 2017) ***

Gente, gente… que filme triste! É muito, muito, triste. Pensar que na minha infância eu considerava os X-men a evolução da humanidade, no final é isso que acontece? O professor Xavier fica velhinho e com todas as dores das agruras de sua vida (aliás, parabéns para o Patrick, lembrou meu avô, quando ficamos velhinhos é daquele jeito mesmo). E o Wolverine também já não é mais o mesmo, meu velho, embora continue impulsivo e briguento, naquele jantar com a família do interior, não deu vontade de ter uma vida normal? A garotinha também está muito bem, raivosinha e ainda com a carinha de quem precisava de um colo. Até que gostei do conjunto, os efeitos, as locações, ação conta com embates que a gente não sabe como se vai dar, então todo mundo fica feliz.

A bela e a fera (Beauty and the Beast / 2017) ***
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A animação era uma das minhas favoritas quando criança. Será que estamos entrando na era em que temos que fazer igual à máxima “livro é livro, quadrinho é quadrinho, filme é filme”, e partirmos pra “animação é animação, filme é filme”? Porque não é que eu não tenha gostado do filme, mas… ai, ai, prefiro tanto a animação… hahaha

Os efeitos estão muito dignos, os figurinos bem apropriados (mas na minha imaginação o vestido da Bela era ainda mais “mágico”) e eu a-do-rei o Gaston e o LeFou, melhores personagens! Não tinha lido nada sobre o filme antes de ver, então me surpreendi com o elenco famoso que foi aparecendo ao final. Sobre as inserções de narrativa, entendo que tinham que deixar o negócio mais “crível” para uma versão humana, dar mais sentido – a história da mãe da Bela, por exemplo; e gostei da feiticeira voltar a aparecer no final. Mas achei meio falso quando Bela sai cantando na montanha, embora tenha gostado dela lavando roupa. A polêmica sobre personagens gays é ridícula, eles são o mais divertido (e não tanto a interação entre o relógio e o candelabro, como na animação). Também até que gostei que o pai é mais um artesão do que um inventor. Não gostei tanto da rosa, mas tá valendo, e no desenho, o príncipe humano era mais bonito hahaha. Deu pra gente se encantar com a biblioteca e a dança no salão (cadê os passarinhos em cima da Fera?), lembrar algumas canções, querer dar um tapão na cabeça do Gaston, mas não deu tanta vontade de ter participado do banquete no castelo… Bom, acredito que adaptações são assim mesmo, nunca dá pra agradar os fãs em tudo. A Bela e a Fera continuará sendo meu desenho do coração, enquanto o filme eu vou esquecer logo.

Neste mês eu também vi a (mini?) série “Samurai Gourmet” que me deixou contente, mas eu queria um post só pra ela, então fica pra uma próxima.

3 animações para nos surpreender neste Oscar

Eu já tinha comentado por aqui antes que não tem como competir com Inside Out (2015), porque convenhamos, é uma produção Pixar-hollywood-americana, é o que a maioria do público e da crítica vai lembrar, e é realmente criativo, emocionante e divertido (como todo Pixar).

Mâs….. devemos lembrar que ele está com uns concorrentes muito bons, e, que dependendo da perspectiva, até merecem mais. Eu não assisti ao Shaun: o carneiro (2015), porque, sendo honesta, não gostei tanto de Piratas Pirados! (2012) e nem mesmo de Wallace & Gromit – a batalha dos vegetais (2005). Acho que é um ótimo estúdio de animação, que faz episódios e séries ótimos, mas que não se sustentam tão bem em longas. O que me faz pensar que não há realmente tantos longas animados no mundo, por isso todo ano a Academia coloca um dos Aardman e um representante asiático…

Contudo, eu admito que as animações indicadas ao Oscar este ano me surpreenderam.

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Anomalisa
(Anomalisa / 2015) ***

Historinha: um escritor de livros de auto-ajuda no hotel encontra uma anomalia.

:D – confesso que quando li o nome Charlie Kaufman envolvido no projeto, me deu uma certa preguiça. É o cara dos personagens complicados, das situações medonhamente loucas, e não sabia quão chata poderia ser uma animação. Mas! A beleza do cinema é realmente sua habilidade em nos surpreender, e que grata surpresa foi perceber que este meio (animação) lhe serviu muito bem às suas complexidades, fazendo sentido com seu tema.

-quando a gente percebe que o fato de  todos os personagens, com exceção de Michael e Lisa, terem um molde igual e a mesma voz (Tom Noonan) na verdade tem todo o sentido de ser.

-todos os mínimos detalhes que tornam aqueles bonecos mais reais do que atores de Hollywood (a pancinha do Michael, a gordurinha extra, a personagem cuja bolsa prende na cadeira, todos os pequenos “defeitinhos” que os filmes médios excluem). E a cena de sexo? Com uma cumplicidade construída bem melhor do que a maioria das produções por aí afora, respeitando tempos, incômodos, risadinhas sem jeito.

-os animadores só deveriam ser aplaudidos, porque o trabalho que tiveram é impecável, incluindo posicionamento de luzes, a fluidez de movimentos, a construção de espaços e personagens, tudo, em detalhes, demonstram a alta habilidade técnica.

-adorei como surgiu a palavra “anomalisa”!

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Quando estou com Marnie
(Omoide no mani / 2015) ***

Historinha: uma garota vai para o interior e descobre uma amiga antiga.

:D– esta é outra animação que acabou tomando rumos inesperados pra mim. Eu esperava algo sobre fantasmas, mas não uma ligação tão especial entre a personagem de Anna e de Marnie.

-gosto das animações em 2D, acho que elas podem ter uma exuberância típica e única dos traços dos artistas, aqui, nos deliciamos com as paisagens exuberantes da natureza, rimos com o jeito de Anna, toda sem jeito e sabemos automaticamente quando está desconfortável ou surpresa. É bonito ver as cores do festival das estrelas, queremos também nos aventurar quando a maré subir, fazer um piquenique ou dançar à noite. Tudo pode acontecer num mundo fantástico, por que não uma jornada de fortalecimento?

D: – ficou um pouco expositivo demais a explicação final, já tínhamos intuído quem realmente foi Marnie.

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O menino e o mundo
2013-omeninoeomundo
(2013) ****

Historinha: um garoto atravessa mundos e memórias.

:D – a melhor surpresa do ano! Quer dizer, nós já tínhamos recebido este filme há tempos, mas digo, foi a melhor surpresa ter o esta obra brasileirinha entre os indicados ao Oscar.

-os traços simples que parecem giz de cera misturados à diversas técnicas de animação, CGI, colagens, diversos materiais utilizados pra ampliar o mundinho desse garoto.

-como o roteiro e a montagem acabam nos fazendo repensar e redescobrir as imagens que tínhamos. O velho com latinha na cabeça, o jovem com touquinha que também faz música.

-o caleidoscópio como recurso, a repetição que se amplia e varia. Multiplicação de trabalhadores, a massa militar ou de prédios, os pais iguais. Os pequenos sons em imagens coloridas que se juntam para a grande ave. Imaginação pouca é bobagem.

-trilha sonora gostosinha na passagem dos músicos em festa, cores vibrantes. E nem precisamos de diálogos para entender tudo, o sentimento de carinho, solidariedade, solidão, saudade.

 

Anima Mundi: curtas 14

Me and my moulton (Canada/Noruega; Torill Kove) = três irmãs indagam sobre sua rotina vivendo com os pais, com muita imaginação, na espera de uma bicicleta. Esta animação colorida indicada ao Oscar brinca com a linguagem (quando ela estoura o balão de pensamento), vê algumas dificuldades pelos olhos que seriam de uma criança mesmo: com até uma certa inveja da vizinha, mas aceitando as diferenças e querendo ver os pais felizes, afinal.

Zepo (Espanha; Cesar Diaz Melendez) = animação com areia, grave. Uma menininha encontra um cara machucado na neve, tenta buscar ajuda e os adultos que encontra abrem um buraco no lago de gelo para ela cair, observá-la se debater.

Viaje a pies (Espanha; Khris Cembe) = meio Tarantinesca, essa animação traz um solitário incomodado pelo cheiro dentro de sua cabine do trem. O colega de cabine é um beberrão, no corredor uma golpista lhe rouba a carteira. Cada vez mais  atormentado… ele corta os pés do cara fora em jorros de sangue! E… depois descobrimos que tinha um pedaço de queijo velho esquecido num canto!!

Nuggets (Alemanha; Andreas Hykade) = já convidado em outro ano de festival, Hykade provoca. Com traços bem simples e repetição de movimentos, identificamos um franguinho correndo, ele encontra uma substância que lhe faz se sentir muito bem a princípio, parece conseguir voar em delírio, mas a cada gota dourada ingerida, o tombo é mais forte e ele vai ficando mais gordo, até ficar quase obsoleto. E o título do curta é…

The five minute museum (Suíça/Reino Unido; Paul Bush) = proposta interessante de animação, sobrepondo imagens de mesmos objetos encontrados em museus, como se estivéssemos vendo um só objeto por diferentes referenciais com cada imagem implicando uma história, fazendo pensarmos como em cada momento podemos considerar de modo tão diferente a mesma coisa.

The meek (Austrália; Joe Brumm) = a minha favorita do dia! Claro que devido à minha história pessoal. Uns bichinhos não identificados passam frio no breu; uma delas se encanta com um deles que vira uma espécie de faraó, comandando um enorme empreendimento para ficarem mais perto da fonte de calor – que é uma bituca de cigarro. Ao mesmo tempo em que vemos a construção de uma relação de poder autoritário, ouvimos a narração como se fosse uma mulher que se deixa ser “usada” por um homem. No final, ela encontra uma solução melhor, cada um usar o algodão para costurar para si e outros uma roupa que lhes esquente. E completa dizendo que podem pensar que ela é fraca, mas ela só estava “com frio”. Awn. Significados múltiplos e uma animação fofinha? Me ganhou de longe.

Amélia & Duarte (Portugal/Alemanha; Alice Guimarães, Mônica Santos) = de uma sala cheia de caixinhas, um velhinho organiza em uma pertences. Animação em pixalation, com atores fotografados para serem animados. Vemos o encontro e a história de amor, depois a separação desse casal – a sala tem o nome de “amores perdidos”.

 

Anima Mundi: curtas 5

Pela primeira vez neste blog, apesar de acompanhar o festival Anima Mundi há tantos anos, gostaria de compartilhar um pouquinho das sessões que pude pegar. Talvez isso nunca tenha se dado por falta de tempo, ou simplesmente porque eu não entendo tanto das técnicas de animação e todo o esforço que pode ter sido envolvido, ou dos nomes mais conhecidos nesse campo das artes ou… bem, isso nunca foi desculpa pra eu não escrever algo sobre os filmes longa-metragens, foi? Pois então.

SESSÃO CURTAS 5

Meanwhile (Reino Unido, de Stephen Mcnally) = acompanhamos alguns personagens, cada um envolto em uma cor diferente, na sua, até que todos se encontram em um acidente e todas as cores se misturam.

Batalha das máscaras (Brasil, Iuri Araújo) = animação fluente, sem espaços muito definidos a princípio, mostra um campo de batalha (como de toureiros ou cavaleiros medievais)

Dinner for few (Grécia, Nassos Vakalis) = terrível! Um curta que deixa a gente com desgosto. Vemos uma tempestade, uma sala de hotel, alguns porcos sentados à mesa, um homem vai servindo-lhes pratos de comida feitos com uma máquina, são feitos a partir da mobília em sua volta. Os porcos estão vestidos como ricos, e há gatos rondando por baixo das mesas, descobrimos que estão acorrentados, até que os gatos se tornam um tigre enorme que tritura todos os porcos ricos. Até aí, ok, metáfora, eu acho, mas o ciclo recomeça tudo de novo…

Acoustic Kitty (França, Ron Dyes) = achei que fosse um norte-americano, mostra uma ideia louca do presidente em usar um gato como infiltrado para ouvir as conversas na embaixada da Rússia, o cientista louco acaba com os gatos da cidade e no final a vovó que gostava tanto do gatinho de rua sequestrado acaba atropelando-o porque a Rússia tinha sido mais eficaz nessa competição tecnológica :/

Tsunami (Dinamarca, Sofie Kampmark) = olha, uma surpresa, um curta belíssimo que vai de encontro ao estilo oriental de narrativas. Em uma cidade em destroços, vemos um homem chegar em casa, ele descobre um peixe peculiar no seu banheiro (que parece mais uma criatura mítica) e entre devaneios, se afogar, ter perdido tudo, ele leva o peixe para soltá-lo no mar.

Lost Property (Reino Unido, Asa Lucander) = um velhinho cuida de uma loja em que há diversas salas, cada uma com muitos itens perdidos. Todos os dias, em determinado horário, ele recebe a visita de uma velhinha procurando por algo. Até que descobrimos junto com o velhinho que ele é que perdeu várias memórias, e a velhinha fica feliz quando ele relembra sua história juntos – ela o visita em um hospital. É como o Diário de uma paixão (2004), mas mais lúdico e em forma de desenho… :)

A single life (Holanda, Job, Joris e Marieke) = hahaha! O mais engraçado da sessão e super curtinho. Uma moça recebe um disco em seu apartamento, e quando o toca, percebe que pode acelerar ou atrasar sua vida conforme o disco de vinil pula pra frente ou pra trás. É incrível como a ideia passa rápido pro público; esperto e divertido, o curta foi indicado ao Oscar.

The Orchestra (Austrália, Mikey Hill) = uma cidade em que cada pessoa conta com miniaturas de si mesmo que tocam determinado estilo musical. Em uma pensão, um velhinho meio triste tem uma orquestra meio desafinada, até que uma velhinha se muda para ser sua vizinha e ela tem um grupo lírico de alegrar os ouvidos, e a pequena orquestra decide se aprumar. Passando uma grande vergonha, o velhinho briga com seus musiquinhos, até que todos possam tocar afinados a mesma música do coração.

Um festival de animação

– E aí? Tudo bem? (Ele tinha terminado com a namorada no mês anterior.)

– Tudo! Que coincidência! Você vem sempre pro festival? (Ela tinha ido pra Milão. Mas tinha dado tudo errado. Ela não encontrou com aquele rapaz alto da casa de chá. E também não teve sucesso no treinamento para o qual viera).

-Todos os anos, sempre que eu posso. E você? (Era essa garota por quem ele tinha se encantado. Apesar de ter contato com tantas outras, ela o animava e o fazia sentir uma faísca, uma alegria por dentro).

– Ah, eu também, quando posso. Mas geralmente é só um dos dias. O que você vai ver hoje? (Ela ainda estava voltando a dirigir, então preferira ir de trem, o que a impossibilitava de ficar para as últimas sessões).

– A sessão da sala 1.

– Que começa às 19h, agora?

– É, essa mesma.

– Ah, então vamos pra lá, que eu também tô nessa sessão.

E os dois foram juntos, mais uns 2 amigos dele. Conversaram um pouco antes de ela voltar pra casa. Combinaram de ver duas sessões no dia seguinte, acabaram indo aos cinco dias do festival. Entre um comentário e outro sobre a edição, as técnicas utilizadas, a reviravolta do plot, o festival nunca lhes pareceu tão colorido. Ele se surpreendeu com a pouca diferença de idade entre os dois, e trocavam referências de infância. Ela se surpreendeu com algumas opiniões e visões de vida parecidas, e trocavam exemplos de pratos culinários que deram errado e dificuldades familiares. A conversa fluía tal qual aquarela, eram lápis de cor cujos traços combinavam, dançando sobre o papel branco, do nada criando possibilidades.

Depois que voltaram as aulas (de ambos), encontravam-se casualmente, tomavam um café e conversavam. Uma vez por semana viam um filme juntos. Animavam-se a cada encontro! Agora, já um movimento contínuo, que obviamente levou à finalização em cores vibrantes, embalados por uma trilha original que eles nunca antes tinham pensado conseguir produzir – claro, cada um tem sua própria musicalidade única, mas a harmonia de sua união não tinha sido planejada. Decidiram ir em frente.

3D, com profundidade, por artistas hábeis e esmerados, pode gerar emoções inesquecíveis – embora dê trabalho. É preciso atenção aos detalhes, não deixar sombras indesejáveis, aprender a lidar com as diferentes formas, intenções, possibilidades. Acrescentar uns toques aqui e ali, não deixar toda aquela cor se desgastar e apagar todas as maravilhas já desenhadas, combinadas, movimentadas. Tinham ganhado vida. Apesar de a vida nem sempre ser uma festa, desejaram que pudesse sempre ser um festival, de animação.

Como se faz um filme (segundo as categorias do Oscar): melhor animação

É, nosso super intensivo sobre “Como se faz um filme” acabou. Depois do filme pronto, ele tem que ser exibido – o que pode até ser mais difícil do que filmá-lo. Depois dos cinemas ainda será distribuído em DVD/Blue-ray, TV paga, TV aberta, dependendo do filme tem os direitos para merchandise (bonecos, imagem em produtos etc).

Os filmes desta categoria que a Academia criou só em 2002 (premiando filmes de 2001) usufrui bem de tudo isso. São os que melhor podem aproveitar a tecnologia 3D de exibição e a maior parte é voltada para um grande público (para crianças, mas que agrada a família toda), oferecendo bons lucros.

Eu, apesar de ter ficado um tempo afastada de animações – época em que eu não aguentava mais ver bichinhos falantes –, sempre tive uma atração especial por esse tipo de filme. A arte das imagens em movimento pode incluir muitas técnicas de expressão. E grandes filmes podem, sim, serem realizados com massinhas, ou bonequinhos, ou desenhos, ou gráficos de computador.

2012-paperman

Aí, no início deste ano, me deu uma louca e uma vontade boa de querer ver animações. Talvez eu esteja um pouco saudosa das paixões que me moviam quando jovem (ê saudade de tudo que não foi). Sobre Frankenweenie e Detona Ralph eu já escrevi aqui no blog, então vamos aos outros três.

ParaNorman

(Paranorman / 2012)

Historinha: um garoto que vê fantasmas precisa ajudar uma cidade a desfazer um feitiço.

:D: do mesmo pessoal que fez Coraline, um filme que deu arrepios até em adultos, novamente trata do medo, só que menos bizarro e bem mais engraçado. Há uma sensação no ar de que homenageia filmes de terror e aventuras de adolescentes. Os personagens peculiares são ótimos, o amigo gordinho, o mendigo solitário, a vó no sofá, a típica irmã, os mortos sendo atacados pelos vivos, o primeiro gay assumido em uma animação infantil… e ainda tem aquela moral, claro. No caso, a de aceitação do diferente – tempos de bullying, faz sentido.

Piratas pirados!

(The Pirates – band of misfits / 2012)

Historinha: um pirata deslocado encontra Darwin.

:D: hmm, eu entendo as boas intenções, mas sinceramente não sei por que a Academia deu outra indicação pros Aardman. O tal pirata que gosta de presunto quer ganhar um concurso, Darwin o convence que sua “dodô” é muito valiosa, depois ele tem que resgatá-la da rainha louca. Alguns detalhes entretém, como o pirata de barba e curvas acentuadas, o macaco mordomo que se comunica por plaquinhas, a rapidez com que se disfarçam. Mas acaba sendo apenas bobo e acabamos nos desinteressando com o passar da projeção.

Valente
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(Brave / 2012)

Historinha: uma princesa rebelde e a mamãe-urso.

:D: na verdade, eu não consegui apreciar plenamente todo o potencial deste, porque com os óculos 3D e muitas cenas mais “escuras”, fiquei bastante incomodada. Mas é inegável que tenha a qualidade técnica, o humor e a emoção do bom pacote Disney. E apesar de voltar à cantoria eventual, é ágil e dinâmico – quase dá pra sentir a adrenalina de Merida cavalgando, o vento de liberdade no rosto. Outro destaque é que a protagonista realmente não fica com um príncipe no final, a relação tratada aqui é a familiar. Volto a frisar, nestes tempos modernos, uma questão que merece muito ser abordada.

Se eu fosse da Academia…

… meu voto iria para Frankenweenie. É lógico que tenho razões pessoalíssimas pra essa escolha, a começar que é provavelmente a última chance de dar um desses pro Tim Burton, compensando que na época de O estranho mundo de Jack não existia esta categoria. Mas… é bem provável que Detona Ralph leve, e eu não vou ficar triste não.

* * *

E os curtas de animação? Sim, eu vi todos. Quem quiser, tem no YouTube ou no site do Omelete.

Bem, o Avião de Papel (Paperman / 2012) passou antes de Detona Ralph e é uma singeleza, eu já tinha comentado, né.

O Fresh Guacamole é uma brincadeira bem bacana, animação super rapidinha em que usam itens de jogos, como se estivessem preparando um guacamole. Quando são cortados em pedacinhos eles se transformam, é visualmente divertido de ver.

Adam and dog exibe uma natureza exuberante, com traços leves. A trilha sonora é bonita e mostra a amizade entre um cão e um homem.

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Se eu fosse da Academia…

… meu voto iria para Head over heels. É uma bela animação, que eu já tinha visto no Anima Mundi 2012, abordando a falta de comunicação, a separação estabelecida pela rotina, com o tempo. E o melhor de tudo, dá esperança de reconciliação, por mais que o primeiro conserto possa não funcionar, que a casa tenha que cair, que tenhamos que parar pra ver, pregar pés no chão ou se deixar flutuar no céu.