Luca

(2021) ***

As Olimpíadas de Tóquio 2020 acabaram com um marco histórico de medalhas para o Brasil e representação feminina ganhadora e inédita. Achei nada mais justo e apropriado, vendo a fadinha Rayssa Leal lá no pódio com seus 13 aninhos, dedicar um post para este filme da Disney. Aliás, foi a única prova de final valendo medalha que consegui acompanhar. E afinal, uma das coisas que faz os principais personagens mirins deste longa animado interagirem é o esporte, uma competição tradicional desta ilha na Itália.

Antes, porém, de comentar como achei divertido o povo aquático transmutado e descobrindo a vida na terra firme, preciso comentar da questão LGBTQIA+… teve gente falando que este era uma versão infantil para o filme “Me chame pelo seu nome” (2017)***, porque também se dá num verão na Itália com descobertas e talz, mâs… euzinha, honestamente, não vi a homossexualidade na relação dos amigos não. Aliás, ouso dizer que tô começando a ficar irritada que tudo agora tem que ter algo a ver com as minorias – seja homossexuais, negros, empoderamento feminino… Sim, a representação é importante, quanto tempo se passou sem que a maioria branca hétero pudesse respeitar o “diferente”, entendo os movimentos. Mas tô ficando cheia de que em TUDO o pessoal tá querendo ver isso – me julguem, eu sou sincera e nem tenho tantos leitores assim. Lá com Frozen também, não vi nada além de uma mulher que só queria ser ela mesma, não vi nada de gay ou qualquer outra coisa. E aqui também. Aliás, se eles não tem interesse romântico também poderiam ser assexuais, não? Mas, novamente, nem acredito nisso. Só acredito que naquele momento esses personagens têm uma trajetória que não inclui o lado romântico amoroso sexual – e acho isso ótimo. Porque a vida não é feita só disso não, viu.

Historinha: um menino peixe faz amizades inusitadas, descobrindo possibilidades de vida maiores.

:D Como em todos os filmes Disney/Pixar, nem temos o que falar do visual e da técnica, que nunca deixam a desejar. A aparência no fundo do mar e na transformação dos personagens quando estão em terra acerta em cheio – e aqueles cachinhos do Luca? E o jeitão das “mamas” italianas? Inclusive, na dinâmica de “perigo” de serem descobertos alternando a água, e por isso, apesar de serem os melhores nadadores, a parte da natação ter que ficar com a menina da terra, Giulia. Engraçado também como o personagem do pai da Giulia se parece muito com o pai do curta A lua (La luna/2011), que é do mesmo diretor, Enrico Casarosa. Mas claro que as referências que mais gostei foram as das animações do Ghibli, o nome da cidade fazendo alusão à Porco Rosso (1992) *** foi a mais óbvia, mas e aquele gato gordo, gentem? Ainda, no início da animação eu meio que pensei “é uma nova versão de A Pequena Sereia (1989) ***, né não?” Muito parecido, a fascinação que a Ariel tinha com o povo da terra, colecionando objetos, ter que se esforçar conhecendo o mundo dos humanos.

Porém, aqui entra a graça desta história. É sobre e para crianças, ou jovens impetuosos que tem um mundo inteiro para conhecer à sua frente e em seu futuro. O roteiro mostra bem essa energia juvenil das invencionices – aqueles testes com a bicicleta! Achar que tendo uma Vespa eles poderiam ganhar o mundo; enquanto brincam, apesar de saber que tem que ir pra casa, querer ficar mais um pouquinho… Ou mesmo a Giulia, finalmente podendo fazer parte de uma equipe para vencer o chatão do bairro. E se eu reclamei que tô ficando chateada com tanto escancaramento da defesa das minorias, este roteiro aqui é esperto o suficiente para nos brindar com momentos engraçados, tocantes e lidar com o tema na forma fantasiosa do povo do mar ser caçado como monstro, para então ser descoberto e todos verem que é possível conviver. Palmas, até para os créditos finais que dão indícios de como se deu o futuro desses amigos, desses “diferentes”, convivendo.

Queremos provar o Trenette al pesto (salivando!), o tio do Luca das profundezas nos lembra um peixe que existe na realidade, e nem sentimos dó do pai da Giulia por ele não ter um braço – olha que beleza de direção de arte. Sim, temos som que valoriza o mar, temos sons de crianças numa cidade de porto italiana, não temos canção chata, temos fotografia com luzes, cores e tons acertados aos seus momentos, temos filme antigo do Mastroianni como easter egg. Nos emocionamos com a ação da competição e quando Luca na bicicleta é descoberto por toda a cidade, edição efiz. Vamos às lágrimas na despedida na estação de trem. Tá bom demais pra um entretenimento despretensioso, não tá não? Mesmo achando que aquela sequência de devaneio na Vespa tomou tempo demais, tem muito mais pontos positivos do que negativos nesta aventura.

E o que isso tem a ver com budismo?

Creio que muitos hão de concordar que uma das falas marcantes do longa foi quando o personagem de Alberto diz: “vai ficar tudo bem, você já me tirou daquela ilha”. O menino, primeira amizade de Luca acima da superfície, esperava pelo pai há muito tempo, isolado numa ilha, achando que sabia de tudo do mundo na terra. Às vezes a pessoa mesmo não percebe que está se deixando ficar pra baixo, ou presa a algo que não é bom, ou se conformar que ela não pode mais. E às vezes é necessário ter um amigo, uma companhia, alguém para apoiar e estar ao lado na aventura, na caminhada. Para aprender junto talvez, descobrir coisas novas, perceber outras coisas. É maravilhoso quando Luca descobre com Giulia sobre as estrelas e o espaço, que ele tenha vontade de alçar voos maiores e ir para a escola! Às vezes nós precisamos de uma mão amiga para podermos dar outros passos.

Na ordem budista que sigo, sempre é enfatizado muito sobre compartilhar os ensinamentos. Isso não serve apenas para angariar mais um fiel, converter mais um. É exatamente porque às vezes precisamos de alguém para estender a mão, para descobrirmos outro caminho. E muitas vezes nem percebemos que precisamos, até que descobrimos. Compartilhando experiências e conhecimentos, ajudamos outras pessoas, acreditamos no potencial delas para serem melhores ou levarem vidas melhores. E caminhando juntos, aprendemos muitas outras coisas mais. Por isso, o Buda considera a comunidade budista como uma das joias essenciais no budismo. É muito precioso ter amigos para seguir nas caminhadas que sejam, e talvez não tenha sido por acaso que você tenha cruzado com determinadas pessoas nesta vida.

Din e o dragão genial

(Wish Dragon / 2021) **

Interessante notar como de uns tempos pra cá surgem essas produções chinesas faladas em inglês, com um suposto público alvo óbvio, embora eu não sei se é filme chinês pra americano ver ou filme americano pra comunidade chinesa gostar.

De qualquer modo, acaba contando com nomes asiáticos atraentes, como o produtor Jackie Chan (que também faz a voz do gênio em mandarim), o sul-coreano John Cho fazendo a voz do dragão Long, Constance Wu na voz da mãe, Natasha Liu Bordizzo que na verdade é australiana e Jimmy Wong na voz do protagonista Din, que esteve também em Mulan e me parece ter um carisma natural, divertido e dá vontade da gente fazer amizade.

(!) lembrando que este blog não acredita em spoilers. Se bem que… talvez você já saiba mesmo o que vai acontecer aqui.

Com parte da produção bancada por Hollywood, a parte técnica não deixa a desejar aos filmes da Disney/Pixar, até porque a Sony mesma já tem certa experiência, se aventurando por outras animações antes.

Mas talvez o grande problema aqui seja exatamente esse, o de beber muito de outras animações anteriores e não conseguir trazer nada assim tão criativo ou original. Eu não sei se existe na realidade uma lenda de gênio dragão, mas continuamente meu cérebro acaba comparando ao Aladdin (1992) **** da Disney, como por exemplo o jeitão desbocado e caricato do gênio, no início temos o protagonista fazendo acrobacias pela cidade, é escolhido por ter um coração bom e puro, é encantado por uma donzela rica, o gênio não tem o poder de fazer ninguém se apaixonar, tem outros caras gananciosos atrás do bule de chá que traz o gênio.

Eu diria que o que rende melhores risadas é quando o gênio vai descobrindo sobre o mundo moderno – mas até isso é meio que uma “correção” de uma crítica que já fizeram ao gênio azul da Disney, que logo na apresentação já brinca com referências atuais da cultura moderna (principalmente norte-americana). Assim, é divertido ele descobrir sobre a água da privada, ou não acreditar que enfrentamos aquele trânsito todos os dias, além da ideia de príncipe que ele tem ser antiquada.

Funciona também alguns dos outros desejos em meio às cenas de ação, os cachorros e a perna comprida, o toque de Midas que vira contra o feiticeiro. Outro ponto positivo foi incluírem a origem do gênio e, na minha opinião, com uma conclusão bem satisfatória.

E o que isso tem a ver com budismo?

Acho que é a minha parte favorita, que o senhor que já foi um rico lorde na vida terrena não só precisa aprender o valor da família e dos amigos, mas conseguir ter esse amor ao próximo maior que si mesmo, a ponto de se sacrificar no lugar do outro, pensar primeiro na outra pessoa, tanto que a divindade lhe concede entrada pelos portões do paraíso com direito a fanfarra; mas como ele realmente aprendeu isso, prefere fazer um acordo, mesmo que isso signifique se prejudicar de certa forma.

Dentro do budismo japonês existem algumas figuras chamadas de bodhisattvas. Dizem que são seres que alcançaram o estado iluminado, como se já tivessem encontrado a salvação e não precisassem mais ter esta vida terrena. Contudo, eles preferem adiar sua ida ao mundo espiritual e ajudar para que mais uma pessoa consiga encontrar também essa “salvação”, libertação.

Esse momento do dragão obviamente me lembrou desse conceito de bodhisattva. E também que já ouvi falar que nós é que pedimos para nascer. Aliás, algo que também me lembra o final do filme “Matrix” (1999) ****, quando Neo já despertou e volta para libertar outros… Será que é verdade? Costumamos falar: “eu não pedi para nascer!” Mas e se tivermos mesmo a chance de nesta existência fazer algo por mais almas? É também por essa linha de pensamento que na escola budista que sigo o foco recai muito sobre as boas ações em prol do próximo, as ações altruístas. Quem sabe não seja assim mesmo e estejamos por aqui para isso?

Raya e o último dragão

(Raya and the last dragon / 2021) ***

Historinha: uma princesa precisa reunir as partes de uma pedra mágica para restabelecer um mundo harmonioso trazendo de volta entes queridos, com a ajuda da amiga draga (dragoa?)

(!) Este blog não acredita em spoilers! Uma coisa é saber o que vai acontecer com esse roteiro clichê, outra é mesmo assim se surpreender, se pegar emocionado, além de deslumbrado com o visual.

É, depois de um tempo vendo filmes, nós nos acostumamos a certos tipos de roteiro, né, e já sabia que a menina ia ser traída naquele momento, e até que ao final teríamos dragões… entre outros furos de roteiro, tudo bem, porque é uma aventura tão honesta e envolvente que a gente se deixa levar.

Gostei desse desenho de produção, com os diferentes conceitos para cada área como um video-game de diferentes fases, mas aproveitando o tema – como o fato dos druuns não sobreviverem à água, então os locais são adaptados a isso e a inspiração no sudeste asiático; o tatu-bola “tuk tuk” como meio de locomoção (e eu ri mesmo ao ver como ele tinha crescido!) ficou ótimo. As luzes e tonalidades são bem distintas e encanta os efeitos dos dragões pisando no céu.

Eles conseguiram seus próprios pinguins de Madagascar nas figuras da bebê e dos macaquinhos, e a aparência de dragão casou muito bem com a que deu sua voz original (Akwafina). Dos diferentes personagens, me comove o grandalhão que foi o último a sobrar de toda a sua tribo (pensem só!). Apesar de baterem repetidamente na tecla de saber confiar, não é que realmente me peguei desprevenida em lágrimas ao final? O final pode ser um feliz tradicional, mas é aquele conforto Disney de afago no coração.

E o que isso tem a ver com budismo?

Não sei se vocês sabem, mas dentro da história do Buda, existem vários momentos que seriam como lendas, envoltos por certos elementos mágicos e incluindo alguma metáfora nisso. Um desses momentos é o próprio nascimento do Buda neste mundo, dizem que o Rei Dragão fez chover água doce e quente dos céus, além de outros fenômenos que marcam esse acontecimento.

E não é que um dos dragões irmãos da Sisu tem o poder de trazer chuva? Aliás, no seu design creio que aquele topete seja inspirado na flor de lótus fechada (uma flor símbolo do budismo) – ou será que foi viagem minha?

Fato é que dentro do budismo uma das grandes celebrações do ano é o nascimento, que lembramos no início de Abril – e vejam só, bem nessa época, para os cristãos, celebra-se a Páscoa, que também traz a ideia de renascimento, não? Acho muito interessante essas “coincidências”.

No filme, essa aventura toda é para renascer, de certa forma, para um mundo com mais união apesar das diferenças, mais amor e harmonia.

Para a ordem budista que sigo também, o tempo do nascimento do Buda é para nós nos inspirarmos, pensarmos em como podemos nos desapegar de algo (que pode sim ser nosso orgulho próprio ou até alguma descrença) e “renascer” espiritualmente…

Os últimos (e primeiros) três meses

Eu acabei largando isto aqui às traças virtuais, mas na verdade, desta vez, eu tenho bons motivos!

Em junho eu descobri… que estou grávida!!!

Desde então minha vida deu uma reviravolta e se eu já andava ocupada, sem tempo de sobra pra escrever, aí é que ficou ainda mais complicado – tá vendo só, não é a habitual procrastinação, nem as reclamações rabugentas sobre a vida que virginianos costumam fazer.

De qualquer modo, apesar de ter repensado este blog para escrever mais sobre filmes ou séries, já deixo avisado que este post é bem pessoal, mas fazer o quê, se nossa relação (quer dizer, pelo menos a minha) com qualquer obra também tem uma influência muito do pessoal. Afinal, quantas vezes um filme não acaba “falando” de forma diferente com a gente, dependendo do que estamos vivendo naquele momento? Pelo menos no meu caso em particular o cinema sempre – ou quase sempre – conversa comigo como se fosse uma mensagem especial do universo/tempo/espaço única para mim, para aquele momento.

Dizem que os três primeiros meses é de maior risco de aborto, então esperamos algum tempo para começar a contar para as pessoas.

Comecei a passar mal, fiz umas contas e fiquei desconfiada, fiz o teste de farmácia, procurei uma obstetra aleatoriamente pela internet, fiz um primeiro ultrassom que já deu pra ouvir o batimento do coração do bebê (não imaginava que dava, tão cedo assim!), e como tenho diabetes é uma gravidez de risco, então começou uma bateria de exames e tive que ir em vários médicos nas semanas seguintes.

Claro que ainda continuei indo ao serviço, mas foi realmente uma maratona! Com enjoos mesmo tomando remédio pra enjoo, e muito, muito sono, eu praticamente só ia ao serviço, voltava pra casa e dormia.

E assim foram passando as semanas, antes eu só media a glicemia em jejum ao acordar, passei a ter que medir umas cinco vezes por dia (muitas vezes sem sucesso); eu tomava uma dose baixa de insulina e passei a ter que tomar bem mais, duas vezes por dia, fora o outro tipo de insulina, não de longa duração, mas a regular/rápida; indagações frustradas de como poderia me alimentar melhor pra manter os níveis de açúcar no sangue bons – desafio quase que causa perdida, considerando esta minha rotina de vida nada rotineira…

Nessas, eu acabei vendo “O bebê de Bridget Jones” (2016)**, que tava ali de bobeira no Netflix, só pelo momento que eu vivia em si, não tanto por essa franquia que eu já considerava falida antes mesmo do carisma da Renée Zellweger falir com o passar das plásticas /dos anos. Sem o Hugh Grant, acharam um outro carinha das comédias românticas como filler, o Patrick Dempsey, e apesar de ter graça a cara da Emma Thompson como obstetra indiferente, a trama é uma bobagem (camisinhas veganas?) e a gente sempre soube de quem seria o filho de Bridget, não é?

Pensando bem, do ano passado pra cá até que andei vendo vários filmes sobre “mamães”. O Maior Amor do Mundo (2016) **, que junta vários nomes famosos, como é costume do Garry Marshall, não é tão emocionante; tem um outro título parecido, que mistura vários casos de grávida, O que esperar quando você está esperando (2012) ** tem uns momentos até mais engraçados – nunca vou esquecer daquela mulher que queria muito engravidar e a realidade detona com ela, não é nada daquela sensação de sonho que ela imaginava… uma grávida do cinema que sempre vou lembrar também é Juno (2007)*** e essa sim dá mais gosto de ver, gravidinha mais cool. E quem se lembra de Junior (1994) **?! É, aquele do Arnold Shwarzenegger grávido com o Danny DeVito… quanto impropério o cinema consegue produzir… falando em comédias, eu não cheguei a ver Perfeita é a mãe! (2016) com mamães que vão pra farra, mas quem sabe no futuro eu dê uma chance…

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Bem, nesses meses que passaram eu pude conferir uma série que até me surpreendeu (eu não achei que ia gostar, sinceramente), The Boys, Primevideo. São um bando de heróis que na verdade são muito falhos nos bastidores, algo meio sinistro, uma heroína novata que ainda é inocente, um carinha nerd cuja noiva morre e ele se junta a um brutão que também quer vingança e acabar com esses seres aparentemente melhores que o resto de nós mortais… sim, tem personagens que colidem e não são desinteressantes nessas relações, tem misteriozinho sobre a origem dos herois e um passado, tem direito a crítica política, social, comercial, religiosa… apenas 8 episódios da primeira temporada, deu pra ver tudo em 3 noites, vai lá conferir se ainda não foi. Eu só não gosto muito do lado gore, aquele sangue jorrando na nossa cara, mas um dos criadores também é de Supernatural (também não sei se isso diz alguma coisa?)

Eu também vi rapidinho em algumas noites (esta é a minha nova moda, nada de séries infinitas!) Switched, de adolescentes e japonesa, sobre troca de corpos – quem não já viu esse filme? A garota gordinha e isolada da escola troca com a mais bonitinha e popular da sala… parece previsível? Mas também tem o lado obscuro dessa troca, e a gente fica contente com a amizade verdadeira, com a gordinha ficando mais simpática e em tempos de bullying, entender como se chegar a um limite de nem ver graça em viver para também amolecer com a mãe que parecia tão “madrasta má”…

Vi mais uma temporada de Bojack Horseman, mas esse ganha post só dele, né, gentem. E Master Chefe (ah, eu gostava muito da Lorena, o Helton surpreendia no começo, mas ainda tem aquele ar arrogante de jovem, né, vamu admitir? E eu achei que desta vez estavam bem profissionais na final!). Por influência, até arrisquei outra série de culinária, Todos contra o chefe (é gostoso ver os participantes que representam suas origens e o desespero do chefe observando seus aprendizes, mas tem sempre um episódio que é só propaganda do restaurante e os participantes só ganham um troféu…?)

Ai, é… teve também o final de Game of Thrones nesse hiato, né? Mas tanta gente já deu seus pitacos, cada um reescreveu o final como achava melhor – ei, com alguns eu até concordei mesmo – e a gente não precisa mais escrever sobre isso, né não?

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Deixa ver… no cinema, é claro que fui lá conferir Aladdin (2019) ***, que era um dos meus favoritos quando criança, eu adorava a vontade da Jasmine de sair e conhecer o mundo. Claro que alguns elementos das animações Disney dessa leva já estão datados, então concordo com alguma atualização, e confesso que me surpreendi, porque jurava que seria uó o Will Smith como gênio da lâmpada, mas não é que ficou legal? Agrabah ficou muito mais colorida nesse desenho de produção, vistosa; e os atores estão bem, o Sultão menos bobão e a Jasmine, linda, como todos imaginariam uma princesa. Mas posso falar? Pelo menos pra mim, achei bem forçada essa questão da Jasmine, só porque agora tá na moda o girl power, empoderamento feminino e tal. Tudo bem, a princesa não precisa ser salva por um príncipe (Jasmine na verdade nunca precisou, nem no desenho, e era isso que eu gostava nela e também na Bela); mas que achei forçação de barra, achei.

E como boa simpatizante Disney que sou, não podia deixar de falar um pouquinho de O Rei Leão (2019) ***, é claro, né… Lembro que quando vi Mogli, o menino lobo (2016) *** eu falei, “puxa, eles podiam chamar esse diretor pra fazer a versão em live action de O Rei Leão”… e não é que de vez em quando eu consigo prever essas mentalidades hollywoodianas? A transposição da versão animada desses personagens animais ficou ótima, a África está perfeita – e claro, como não podia deixar de ser, bem mais realista. Se o visual enche os nossos olhos, e as atualizações aqui também estão valendo (coisas dos anos 90 que já nem funcionavam bem na época, imagina agora), por alguma razão, este aqui não me emocionou tanto? Eu me lembro de ter me acabado em lágrimas com a morte do pai do Simba no desenho (ei! eu já falei que este blog não acredita em spoilers. E 25 anos depois? Pelamor).

Já nas telinhas… Andei vendo umas coisas só porque o Keanu Reeves anda na moda, como o crush da internet – hahaha! E até parece que algum dia ele deixou de ser? Nem precisava de John Wick, a gente sempre gostou do cara, achando ou não que ele não sabe atuar, se simpatizando ou não com o “sad Keanu”, querendo ou não um novo “Bill & Ted”…

Só pra mencionar, dei uma espiada, também porque estava ali no Netflix por acaso (eu sou daquelas que passa mais tempo adicionando títulos na lista do que vendo coisas), A escalada (2017)**, francês, baseado num caso real em que o rapaz sem muita experiência decide escalar o Everest e impressionar uma garota, e vai relatando para uma rádio, e ganha a torcida de um monte de gente pra que ele chegue até o final. Eu gostei porque a gente realmente vê como é escalar o monte, sem as firulas de suspense ou ação, gostei do coadjuvante carismático que quer ouvir o romance até o final.

Na verdade, ter as adaptações da Disney no cinema me fizeram ir conferir de novo Mulan (1998)***, que me pareceu até melhor do que eu lembrava – o dragão do Eddie Murphy nem me incomodou tanto. É legal a sequência de treinamentos e também no castelo do imperador. Quem sabe de repente eu pegue Pocahontas (1995) pra rever um dia desses. E quem falou que eu não me diverti com a cena das princesas em Wi-fi Ralph (2018)***? É claro que dou risada com as alfinetadas, mas poxa, isso é porque eu cresci vendo essas animações e vi o mundo mudar… fico imaginando o que meus filhos vão ver? Bem, sempre teremos a Pixar pra nos salvar, eu acho.

Ai, é. Eu fui sim, não podia deixar de ir conferir o mais novo do Tarantino & Leo DiCaprio (com bônus do Brad Pitt cinquentão e ainda sarado – xenti! como consegue?). Mas esse também acho que merece um post especial.

Por enquanto, vou continuar pesquisando na internet a cada semana de gestação o que devo tomar cuidado, e me preparando… eu nunca achei que ia ter filhos porque sempre pensei que “eu nem sei cuidar de mim, imagina educar um outro ser humano?”; sem falar que eu pensava que o mundo já tem 7 bilhões de pessoas, não precisa mais, né… mas acabou sendo incluído esse ato neste roteiro da minha vidinha, e o que eu posso fazer? Vou colocar Ennio Morricone pro baby ouvir na barriguinha.

 

 

 

Logan / A bela e a fera

Ando com um novo projetinho de vida e não é que acabei deixando passar o mês de março? Em alguns meses acho que vou poder abrir para todos e expor esse meu projeto, mas por enquanto, tenho estado com a cabeça em outras nuvens… Deixo aqui só algumas notas, só pra não deixar passar em branco.

!Claro, sempre lembrando que este blog não acredita em spoilers, uma coisa é saber dos fatos, a outra é sentir a emoção (triste ou feliz)!

Logan (Logan / 2017) ***

Gente, gente… que filme triste! É muito, muito, triste. Pensar que na minha infância eu considerava os X-men a evolução da humanidade, no final é isso que acontece? O professor Xavier fica velhinho e com todas as dores das agruras de sua vida (aliás, parabéns para o Patrick, lembrou meu avô, quando ficamos velhinhos é daquele jeito mesmo). E o Wolverine também já não é mais o mesmo, meu velho, embora continue impulsivo e briguento, naquele jantar com a família do interior, não deu vontade de ter uma vida normal? A garotinha também está muito bem, raivosinha e ainda com a carinha de quem precisava de um colo. Até que gostei do conjunto, os efeitos, as locações, ação conta com embates que a gente não sabe como se vai dar, então todo mundo fica feliz.

A bela e a fera (Beauty and the Beast / 2017) ***
2017-beautyandthebeast
A animação era uma das minhas favoritas quando criança. Será que estamos entrando na era em que temos que fazer igual à máxima “livro é livro, quadrinho é quadrinho, filme é filme”, e partirmos pra “animação é animação, filme é filme”? Porque não é que eu não tenha gostado do filme, mas… ai, ai, prefiro tanto a animação… hahaha

Os efeitos estão muito dignos, os figurinos bem apropriados (mas na minha imaginação o vestido da Bela era ainda mais “mágico”) e eu a-do-rei o Gaston e o LeFou, melhores personagens! Não tinha lido nada sobre o filme antes de ver, então me surpreendi com o elenco famoso que foi aparecendo ao final. Sobre as inserções de narrativa, entendo que tinham que deixar o negócio mais “crível” para uma versão humana, dar mais sentido – a história da mãe da Bela, por exemplo; e gostei da feiticeira voltar a aparecer no final. Mas achei meio falso quando Bela sai cantando na montanha, embora tenha gostado dela lavando roupa. A polêmica sobre personagens gays é ridícula, eles são o mais divertido (e não tanto a interação entre o relógio e o candelabro, como na animação). Também até que gostei que o pai é mais um artesão do que um inventor. Não gostei tanto da rosa, mas tá valendo, e no desenho, o príncipe humano era mais bonito hahaha. Deu pra gente se encantar com a biblioteca e a dança no salão (cadê os passarinhos em cima da Fera?), lembrar algumas canções, querer dar um tapão na cabeça do Gaston, mas não deu tanta vontade de ter participado do banquete no castelo… Bom, acredito que adaptações são assim mesmo, nunca dá pra agradar os fãs em tudo. A Bela e a Fera continuará sendo meu desenho do coração, enquanto o filme eu vou esquecer logo.

Neste mês eu também vi a (mini?) série “Samurai Gourmet” que me deixou contente, mas eu queria um post só pra ela, então fica pra uma próxima.

BoJack Horseman – Season 02

O Netflix acaba de trazer episódios fresquinhos da 3a temporada, então pensei em terminar logo a segunda. Sem falar que ando naquelas épocas em que me sinto sozinha, sem amigos pra sair e fazer coisas junto, pensei em pegar emprestado amigos de alguma série – tipo fazer maratona e ver todas as temporadas de How I Met Your Mother, só que são episódios demais, né… E na falta de elucubrações hollywoodianas (saudosa Entourage), o que me resta é esta série animada da Netflix. E é uma série sacana, sarcástica e sem dó da gente (às vezes tem uns episódios que podem deixar a gente pra baixo até!), mas sabe que entretem? Com algumas situações absurdas, tiradas imprevisíveis, personagens falhas… e quem disse que o nosso mundo também anda todo certinho?

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E01 – Um novo sofá

Bojack ouve um audiobook de autoajuda, tenta ter uma nova atitude, mas para o filme dos seus sonhos Secretariat, ele precisa lembrar da mãe e ser o Bojack negativo de sempre. Diane tem a importante função de não deixar as pessoas tropeçarem no cabo, e Todd tenta dormir no carro, mas tem mesmo que enfrentar um sofá novo. :D – ótimo o diretor (voz de JK Simmons) escaneando BoJack! Me lembrou daquele filme com a Robin Wright, O congresso futurista (2013) ***.

 

E02 – Passadolândia

Todd constrói a própria Disneylândia (e dá-lhe piadinhas “So it’s a small world after all!”), toda capenga, com abelhas construtoras, haha. BoJack conhece uma coruja (voz de Lisa Kudrow, clueless as Phoebe can be) que esteve em coma por 30 anos então não o conhece, e ele se apaixona (quer até sair com roupas e sóbrio!), depois de várias garotas apenas quererem reprisar episódios do seu livro que virou um sucesso. Wanda também conhece Alex (voz de Joel Mchale, que trabalhou com Alison Brie em Community) que não soube que a Guerra Fria acabou e tem mais carisma que BoJack! :D – “There’s never a new Haley Joel Osment! / And there never will be”.

 

E03 – Ainda sem grana

Enterro e funeral do Herb, os ex-atores principais da série Horsin’ Around se reúnem novamente e buscam o “gold” do escritor. Princess Carolyn é ótima pra contar histórias e Todd fica super cool de moto, mas o encanto passa com apenas um diálogo com BoJack. :D – “A senha é… senha!” (depois de terem nos induzindo a pensar em “família”)

 

E04 – Depois da festa

É aniversário de Diane e Mr. Peanut Butter dá uma festa surpresa, mas o dia perfeito de Diane é arruinado. Bojack não dá risada da piada de Wanda, repensa o relacionamento e atropela um cervo. Pryncess Carolyn vê um garoto igual ao Vincent e ele tenta se explicar, “Por que você tem chocolate na sua boca?”. :D – o relacionamento dos celulares com Todd no meio, que nos lembra o filme Ela (2014) ****; o quadro de bolinhas de tênis e a piscina de gelatina e Diane aceitar o Starbucks e a indagação dela de que já tem 35 anos e não quer continuar acordando todos os dias sem um propósito… ah, e claro, o Paul McCartney!!!

 

E05 – Galinhas

A gente já tinha visto que esta série animada inclui suas críticas em meio à loucura de uma vida nessa suposta Hollywood e este episódio ataca gratuitamente a indústria do frango frito, tão popular nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, BoJack tenta fazer com que a diretora goste dele :D – Fantástico os “diálogos” com a galinha! Conseguiram fazer as galinhas “pra comer” e as que podem matar sua própria espécie, ainda aparecendo na TV como uma produção mais “orgânica” hahaha, o melhor para as galinhas – e a gente vai com Todd nessa! E aqueles policiais tentando definir o “Miaumiau”? “Então tudo o que salvou a galinha foi BoJack ser amigo da Drew Barrymore?” e as vendas aumentando…

 

E06 – Amor elevado

Sr Peanut Butter descobre que está falido, mas é um show pra vender sapatos (a briga com o flyer deve acontecer na vida real?). Depois que seu agente morreu de “asfixia autoerótica”, a agência de Princess Carolyn tenta recrutar os ex-clientes e seu amigo a ajuda a encontrar J.D. Salinger (voz de Alan Arkin!), que fingiu a própria morte. BoJack tenta fazer Wanda admitir que o ama fingindo que vai também tentar a tal asfixia…

 

E07 – O lado escuro de Hank

O hipopótamo Hank é carismático há anos com seus programas na TV, num tour do livro, Diane relembra acusações de casos com suas assistentes e ela não quer deixar barato, apesar do crescente sentimento de raiva do povo contra ela e do marido querer fazer um show com o hipopótamo. O príncipe da Cordóvia troca de lugar com Todd! :D – Matthew Fox parece mais lobo que Scott Wolf! Em vez de “Vanity Fair”, “Manatee Fair” e claro que desistirem da matéria não tem a ver com todas aquelas grandes companhias, ah, inocente Diane e seu toblerone gigante…

 

E08 – Vamos descobrir

A primeira noite do novo programa de Peanut Butter conta com o cão zoando muito BoJack, Todd também quer ser alguém e conseguir a caneta do JD; Wanda só acompanha tudo pela segunda tela; Daniel Radcliffe! :D – a entrada do episódio com a câmera seguindo-os pelos bastidores como Birdman (2014) *** e nos lembra Studio 60 on  the Sunset Strip (2006)***. “Eu gostaria de dizer…….. Elijah Wood” hahahahaha Melhor frase final que o episódio poderia ter.

 

E09 – The shot

BoJack insiste em fazer a cena com Nixon e por incrível que pareça o seu plano de entrar na Casa Branca dá certo (whaaat?!), convocando uma Princess Carolyn que não sabe se prefere uma vida tranquila numa pintura bucólica, Margot Martindale que acabou de sair da prisão, e até o segurança filho perdido de Nixon. Diane percebe que não está salvando vidas e volta para Los Angeles sem Peanut Butter saber. :D – Ethan Hawke é, claro, um gavião.

 

E10 – Sim, e…

Todd entra para um grupo de improviso, que BoJack e Diane dizem ser um culto (mas claro que cientologia não é um culto). Diane não faz nada o dia todo e BoJack está chateado porque o filme dos seus sonhos se tornou uma bomba, briga com o diretor que é medíocre (voz do Garry Marshall!) e Wanda sai de casa. Quando foi a última vez que BoJack se sentiu feliz de verdade?

 

E11 – Fuga de Los Angeles

BoJack descobre que Charlotte (Olivia Wilde) está casada e tem dois filhos, mas passa um tempo com eles e compra um barco. Leva a filha dela para a festa de formatura, faz a amiga ficar bêbada, propõe fugir com Charlotte, e acaba tendo que voltar pra casa…

 

E12 – Out to the sea

Todd decide ir num cruzeiro de comédia, apenas para descobrir que o mentor Copernicus (Liev Schrieber) é uma fraude. Princess Carolyn percebe que o tal divórcio de Rutabaga não está saindo e decide montar a agência sozinha. Pede a Diane que trabalhe fazendo twitters pra famosos (hey! Isso existe mesmo?) BoJack descobre que terminaram o filme com sua versão digitalizada, mas já preveem que ele entrará na corrida pro Oscar, tem um orfanato quase em nome de Herb, resgata o melhor amigo do culto do improviso e tenta se recompor de novo – mas o mais difícil é que a gente tem que se dedicar todos os dias. Sim, pois é, pois é.

 

 

Mogli – o menino lobo

(The jungle book / 2016)

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Historinha: um menino adotado por uma alcateia tem de sobreviver na floresta pela ameaça de um tigre que domina a região.

:D – quem diria que o cara de Homem de ferro (2008) e Chef (2014) gostava tanto de Disney? Fiquei sabendo por este filme, e sinto em boa parte dele uma certa homenagem à animação de 1967 do estúdio. Mas, convenhamos, esse de 1967 nem era tãooo legal assim, né? Não ficaram com a gente aquelas cenas memoráveis como acontece com outros clássicos Disney, e eu me surpreendi em como ficou boa essa nova adaptação do livro de Rudyard Kipling!

-pra começarmos a falar desta versão, temos que mencionar os efeitos visuais. Todos os animais são CGI e até a floresta foi criada, mas nunca temos a sensação de que aquele ambiente é falso e parece mesmo que poderíamos conversar com Baguera ou Balu. As cenas de ação ou tensão funcionam bem, a tecnologia realmente ajudou a trazer um filme mais ágil e que prende nossa atenção. Vide a cena da manada no desfiladeiro… O Rei Leão (1994) parece mais tenso ainda, agora?

-aliás, impressionante o impacto do gigante King Louie, pra quem um mamão papaia é migalha, e a “sedução” da cobra Kaa trazendo de quebra parte da história de Mogli pra entendermos melhor os motivos do tigre. A importância da “flor vermelha”, que é um dos diferenciais humanos, faz muito mais sentido. Mudanças bem vindas de enredo.

-escalação idem, não temos nem o que falar de Bill Murray, cuja personalidade casa perfeitamente com a do Balu, né? E tinha que ter algum “indiano”, já que a floresta original supostamente é de lá (Ben Kingsley faz a voz do Baguera).

-e não tem chororô pra quem é meio nostálgico, porque ficou surreal o Mogli sentado no barrigão do Balu, nadando e cantando “The bare necessities”! Era a canção mais legal. Mas aqui e ali tem pequenas homenagens, Favreau soube muito bem respeitar as crianças (hoje crescidinhas) que gostavam daquela outra versão.

***

Claro que Mogli não se comporta como os lobos, mas tem suas características próprias e únicas. O engenho humano, capaz de criar ferramentas para auxiliar em tarefas que parecem impossíveis (buscar aquele mel!), não é de todo o ruim se usado para o bem (elefantinhu fofu. ôpa, me empolguei. Vamos respeitar os elefantes). No Budismo que sigo, diz-se que todos nós possuímos uma natureza como a de Buda, algo de bom em nossa essência e que pode ser expressa ainda melhor se soubermos aproveitar nossas qualidades únicas. Cada um de nós possui talentos e qualidades que talvez outros não tenham – e podem ser muito bons para o mundo ao redor. Já pensou em qual a sua?

 

Gaston e a Fera

Um de seus desenhos favoritos da Disney era “A Bela e a Fera” (1991), baseado em um conto francês. Ela, a garota gentil, que gostava de sonhar com as aventuras nos livros e também convivia só, tendo de cuidar de um velhinho. Ela também era romântica e não ligava para aparências, podia muito bem encontrar o amor mesmo que não fosse num “príncipe encantado regular”.

Daí que aquele rapaz lhe lembrou o Gaston. A empáfia. Todo orgulhoso de si, achando-se o único possível candidato para a Bela. Como era possível que alguém tivesse tanto orgulho de si mesmo, achasse que está completamente certo, ficando cego e entendendo apenas o que quer entender, sem conseguir ouvir ninguém? E ele nem tem aquelas moçoilas suspirando por si, não. Simplesmente decidira que Bela tinha que se casar com ele, enfureceu-se diante da rejeição e ainda mais percebendo o sentimento da donzela por outro, enviou seus “exércitos” caçarem a Fera.

E foi quase assim que aconteceu. Este Gaston que não é o do desenho animado infantil, mesmo sem perceber, convocara seus exércitos, espíritos inferiores, para afastar o grande amor da vida dela. Ficou tentando conquistá-la, sem entender que não era por nenhum motivo lógico, ela não o queria simplesmente porque sempre amou outro. Claro que não poderia declarar seu amor para toda a cidade, porque as pessoas provincianas não conseguiriam entender. Gaston, cego, ainda tenta provar que poderia ser um melhor namorado, marido, sem entender que a história que ela tinha vivido com a Fera era outra, não seria com mais ninguém. Gaston não percebera que a humilhara diversas vezes, na tentativa de provar que era “o bonzão”, a rebaixara, a insultara, ela o repudiara. O próprio Gaston não percebera que estava prendendo Bela – só que não num calabouço ou masmorra, mas com amarras invisíveis. Como poderia ele ser tão egoísta para não desejar que a pessoa amada fosse feliz? Estava atando-a a si mesmo, impedindo que ela ficasse com o verdadeiro amor, ao enviar em sua direção todo o sentimento negativo, e seus comparsas, espíritos inferiores, invisíveis, que mesmo sem ele saber, combatiam todos. Desde que Bela conhecera Gaston, ela não teve sorte no amor. Conheceu pessoas, mas nenhum dera certo.

Há pouco tempo, num ímpeto raivoso, parecia que Gaston tinha finalmente compreendido, e uma portinhola das grades invisíveis que a impediam de voar se abria. Parecia que depois de anos de confinamento em um cubículo escuro, em que estava de mãos atadas e soluçando aos prantos, suplicando para que a deixasse livre, após percorrer o lúgubre corredor de um limbo, pôde ela pisar novamente num campo verde e claro, sentir um calor suave do sol que era absorvido pela pele. Pôde rever o amor da sua vida. Teve um vislumbre. Ele trouxera-lhe de presente seu sorriso terno, doces e um sabor novo, o olhar que há tanto esperava e talvez nem soubesse que esperava.

Mas Gaston não tinha desistido! Ainda de olhos vendados. Bela estava atada novamente pelas amarras invisíveis, dos espíritos inferiores. E ela duvidou. Talvez devesse deixar-se morrer naquela solitária?

Talvez ela também estivesse sendo cega? Iludindo-se, insistindo em algo que não era pra ser?

Mas tudo que aquele vislumbre lhe possibilitara foi perceber que a Fera era o amor da sua vida. Aquela Fera, que a princípio lhe parecera horrenda, também estando a lhe prender, na verdade provou mover-lhe um sentimento muito mais forte, com apenas um olhar. Bela apreciava ver a Fera mudar, e existia algo de mágico em sua história juntos. Talvez ainda faltasse a própria Fera perceber o amor, talvez faltasse Bela lutar um pouco mais para quebrar o feitiço, talvez ela precisasse salvar a Fera dos exércitos de Gaston?

E então, talvez, sob a chuva fina que eles tanto gostavam de sentir na pele…

Coisinhas divertidas pra se notar em Tomorrowland

(Tomorrowland / 2015) ***

2015-tomorrowland

! Spoilers !

Historinha: existe um lugar em que cientistas podem criar livremente sem intervenções políticas e impedimentos sociais?

:D – eu admito que me diverti demais com este filme, mas que isso provavelmente se deve à minha experiência Disney pessoal. Por exemplo: reconhecer partes do parque ou imaginar que Walt Disney foi com certeza um dos que tinham acesso à tal Tomorrowland, é bom demais. Mais detalhes sobre isso abaixo, na seção de curiosidades ;)

– quando vi que George Clooney e Hugh Laurie, dois caras inteligentes e políticos, estariam no projeto, fiquei imaginando que não poderia ser de todo o mal. E a mensagem de conscientização sobre os caminhos do mundo bem que funciona.

– achei muito corajoso eles bolarem um discurso um pouco mais elaborado do que o comum para um filme sem palavrões (ou seja, para toda a família), como a sociedade poder ser selvagem e não merecer uma Tomorrowland. E corajoso também colocar o protagonista apaixonado por uma inteligência artificial, apesar de tão velho nutrir um sentimento que representa mais do que o corpo físico, mas ideais da juventude.

– o incentivo à imaginação, aos inventores, a buscar a ciência.

– o cão de guarda, o bom humor: Athena tentando vender cookies, num product placement mais divertido; Casey louca percebendo que a menina não era comum, com Athena correndo igual a um T-1000, praticamente um “Exterminador do Futuro” (1984)*** para crianças.

– o visual anos 50/60, as parafernálias que lembram as aventuras dos anos 80, a cidade do futuro com efeitos especiais servindo pra gente realmente ficar maravilhado e querer morar em Tomorrowland.

D: – os pequeninos mais jovens não vão conseguir entender direito, eu acho. Mas tudo bem, um dos primeiros que eu vi foi “De volta para o futuro II” (1989)**, aos 6 anos, não tinha entendido nada, mas tinha achado legal os gadgets e as cenas de ação.

– os clichés de narrativa clássica… a Casey é inteligente, ela tinha mesmo que sair rolando pela escada? E, sim, a gente precisa mesmo de um sacrifício pra fazer o público chorar, né.

– exageraaaado…. tem umas coisas que é forçação mesmo, né.

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Agora, senhoras e senhores, coisinhas divertidas para se notar em Tomorrowland:

– o logo da Disney antes de iniciar o filme foi substituído pela cidade utópica

– e dá pra ver a Space Mountain ali ó!

– Brad Bird dirigiu “O gigante de ferro” (1999)***, uma animação bem delicada e bonita, e também trabalhou por anos como consultor para a série “Os Simpsons”. Na loja “Blast from the Past” que aparece no filme, podemos encontrar diversas referências de filmes, e um cantinho especial só para esses dois exemplos. As referências ao universo “Star Wars” (1977-2015) imagino que seja mais do Damon Lindelof. Aliás, com Michael Giacchino na trilha, só eu senti uns toques de “LOST” (2004-2010)? Giacchino também foi responsável musical por “Planeta dos macacos: o confronto” (2014) e o filme original é referência na loja.

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– os estúdios Disney costumavam fazer uns filmes de aventura bem legaizinhos, fora as animações. Aqui, temos referência a “Rocketeer” (1991), com a mochila propulsora inventada por Frank, e o chiclete do protagonista é o mesmo que a Casey carrega.

– quando pronunciamos “Casey” ao contrário, vira “Isaac”; o sobrenome é o mesmo: Newton. E, conforme vemos na Torre Eiffel, ele foi um dos primeiros que tinham acesso à Tomorrowland.

– Hugh Laurie ficou conhecido por “Dr. House” (2004-2012) e um monumento cai sobre sua perna, hmmm… piscadela? E quando ele quase fala “Zip-a-dee-doo-dah”? Piscadela!

– nos créditos, diz-se que filmaram no Cabo Canaveral. Mas também em Tomorrowland :)

– muitas referências aos parques Disney! Quando vemos Frank entrando na feira de ciências (que aliás acontecia mesmo em NY nos anos 60), ouvimos “There’s a great big beautiful tomorrow”, tema da atração Carousel of Progress. As armas na loja lembram as de Buzz Lightyear. Athena diz que é um AA (Audio Animatronics), bonecos utilizados em várias atrações dos parques. E, claro, “It’s a small world” é o tradicional ride presente em qualquer Disneylândia do mundo. Tem ainda um coelho da “Alice no país das maravilhas” (1951)**, meio que denunciando que a criança estava prestes a entrar num ride para outro mundo… Euzinha fiquei super feliz de relembrar tanta coisa da minha vidinha lá na Disney World, e imaginei diversas atrações que eles poderiam fazer baseado neste filme – já pensou se aproveitassem a Torre Eiffel do Epcot pra alguma coisa?

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– por fim, a mensagem que Walt sempre acreditou: o mundo precisa de mais sonhadores. Faz um tempo que não temos mensagens positivas e otimistas, de esperança – ou é impressão minha? Esse era o lema do próprio criador da Tomorrowland, e para recriá-la, é preciso mesmo recrutar dreamers.

Operação Big Hero

(Big Hero 6) ***

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No Japão, o cartaz diz: “será que a gentileza pode salvar o mundo?” – algo que eu realmente acredito! E lá o título do filme é simplesmente “Baymax” – faz todo sentido.

Historinha: um garoto aproveita o projeto do irmão para derrotar um vilão.

:D – talvez o Baymax seja o mais fofo dos heróis da Marvel! Um dos pontos mais fortes do filme todo é esse personagem (na verdade, eu diria que ele é a única coisa que faz o filme ser tão adorável), cujo motivo é simplesmente fazer o outro “se sentir melhor”, é vulnerável (meio bêbado quando vai acabando a bateria, porque todo mundo tem que ter um defeito), tão fácil da gente gostar dele e traz o que há de melhor em Hiro.
– Hiro sendo um garoto prodígio e que tem que lidar com perdas. Confesso que chorei vendo as imagens do irmão mais velho – às vezes a gente precisa se lembrar do que é realmente importante, e que algumas coisas são frutos de muito trabalho das outras pessoas.
– taí um filme que incentiva as crianças a gostarem de ciência :)
– Fransokyo é linda! Movimentos de câmera bem empolgantes nas cenas de ação, com ritmo ágil (vide a ajuda dos amigos com o plano para combater os microbots), e claro que os poderes desses amigos heróis combinam com suas personalidades.
– sim, eu esperei pelos créditos… Stan Lee gosta da Disney, orgulho!

D: – vamos admitir que a surpresa do vilão nem foi tão legal, tem uns clichês básicos, a tia é meio afetada demais…

Baymax concorre ao Oscar de melhor animação.