Desabafo é cringe? (crush no Tom Hiddleston e um breve comentário sobre a abertura das Olimpíadas)

Senta que lá vem post longo!

Então, nos últimos tempos, nós vimos esse debate sobre o conflito das últimas gerações, Z x Millennials, e eu descobri que sou muito cringe. Tipo, café da manhã? É uma das refeições mais importantes do dia, minha gente, que é que é isso, não ter tempo pra café da manhã? Os emojis? Hmm, na verdade nunca gostei muito de “rs”, sempre usei hahaha, mas depois de descobrir as origens do quiaquiaquiá, incluindo ajuda do Donald para popularizar quaquaqua, me sinto justificada a usar o “kkk” agora. Boletos? Sim, lembro-me dos dias em que eu tinha que ir ao banco passar o código de barras lá; tudo bem, hoje temos inúmeras opções online, mas eles ainda existem e contas para pagar nós temos. Aliás, uma das coisas mais tristes foi descobrir que minha geração é a mais falida da história (xenti!), comparativamente, nossos pais em nossa idade já tinham imóvel e estabilidade financeira em seu nome. Realmente, eu sou um dos exemplares típicos que preferiu gastar com experiências do que com bens materiais (se bem que isso também envolve certas crenças religiosas aí), mas disso não me arrependo não; só pra citar alguns momentos que vão ficar na memória para confortar minha alma apesar de eu não ter um apartamento próprio: o passeio aos 14 por Los Angeles; uma viagem louca de ano novo para o Rio sem hotel para dormir; um evento inusitado em Taiwan cujas horas de voos demoraram muito mais que as reuniões em si; os dois meses que talvez sejam os melhores da minha vida em que trabalhei nos parques da Disney World em Orlando; tirar foto dançando tango no Caminito; comprar rede em Fortaleza; o treinamento num Chateau francês e dias seguintes flanando por Paris; as primeiras lanternas flutuantes minhas em NY; um passeio inusitadamente bom por Chicago à la Ferris Bueller e ao som dos Blue Brothers na cabeça; viagem de trem-bala por lugares do Japão que eu ainda não conhecia; um casamento em três partes que inclui muitas comidinhas em Belém do Pará; dias bons de camarões em Natal – só pra citar alguns destaques.

Bem, sei que estou ficando velha, disso eu sempre reclamo por aqui, e talvez seja cringe até o fato de postar num blog? Mas é parte da minha terapia pessoal, como eu também sempre digo. E vejam vocês, nem fazer isso direito eu consigo. Eu vinha postando uma vez por semana um texto de filme relacionando a algo budista, mas teve um acontecido aí que me desanimou um pouco, daí mais uma pausa ocorreu por aqui. Sei lá, sabe quando você se pega repensando algumas coisas da vida e fica com aquela sensação de “por quê?”; por que eu estou fazendo tal coisa, por que me esforçar ou me dedicar a tal coisa?

Dá vontade de se largar e se contentar (conformar?) com o mínimo que se pode querer da vida. Pra que fazer mais? Buscar outra coisa?

Nesses momentos de automelancolia, contavam com sua astúcia, não? Quem é que vem para me salvar, me confortar, me compreender na alma e me alegrar de novo? O cinema, é claro. Ou, pode ser também o mundo do audiovisual, música ou, neste meu caso atual, uma série (que deriva do cinema, então estou considerando). Já comentei alguma vez por aqui sobre a minha década perdida e talvez o universo cinematográfico Marvel também possa ser em parte incluído nisso aí. Sim, eu gostei do primeiro Homem-Aranha vivido pelo Tobey Macguire, e foi bem divertido o primeiro Homem de Ferro. Mas confesso a vocês que teve uma hora em que eu simplesmente tinha cansado dos filmes de super heróis. Tá, eu vi os filmes, Hulk era um dos meus favoritos apesar de não ser o mesmo ator dos filmes solos, quando Mark Ruffalo encarnou o smash verdão eu aprovei; não me importei tanto com o Capitão América, meio certinho demais pro meu gosto; Gavião Arqueiro e Viúva Negra figuravam meio que como coadjuvantes pra mim (e nem me empolguei muito com o filme solo da vingadora Natasha, pra mim esse deveria ter vindo bem antes); já os Guardiões da Galáxia eu realmente ri e ouvi inúmeras vezes a trilha sonora; Doutor Estranho foi bem legal, vai, com sua capa de vida própria; Homem-Formiga conta com o carisma do Paul Rudd, mas eu nem vi a continuação; Capitã Marvel não me conquistou exceto pelo gato que arranha Nick Fury; o novo Homem Aranha fez sentido como adolescente; Pantera Negra deu uma respirada renovada e adorei todo o conceito de Wakanda; e pra finalizar, eu também não me empolguei tanto com Thor, talvez o Ragnarok tenha sido o mais interessante, mas daí já tava tudo entrelaçado com Os Vingadores.

Isso tudo pra dizer que finalmente agora, neste ano, eu estou redescobrindo um pouco desse universo. Vi toda a série no Disney+ de Wanda Vision, e achei genial a sacada de cada episódio inicialmente simular uma representação de série de cada década diferente. Foi muito interessante, mas chegando ali pro final eu me desapontei um tiquinho só com a “evolução” do Visão e o carinha que fez Pietro numa versão anterior dos X-Men ter dado as caras só pra fazer uma graça extra. Aliás, além da nova heroína negra, uma participação especial que contou foi da Darcy, amiguinha da futura Thor… E, aproveitando o ensejo, senhoras e senhores, a série que salvou mesmo essa euzinha pequena do seu próprio torpor foi: Loki.

(!) Lembrando que este blog não acredita em spoilers. Mesmo que eu soubesse o que ia acontecer, eu teria visto todos os episódios e conferido a reação do Loki a cada passo ;)

Ai, vontade de rever todos os filmes do Thor, só pra conferir a evolução desse personagem. Creio que estou certa em dizer que nenhum outro vilão do MCU ganhou sua própria série, e pelo que pesquisei, nada dela existia nos quadrinhos (bem, algumas referências aqui e ali, mas não como ela vem nos sendo apresentada). Sim, a série veio a existir em grande parte pelo talento, carisma e trabalho dedicado do seu intérprete, Tom Hiddleston. Ele acabou ganhando os corações de um monte de gente, inclusive meu, pois é muito mais interessante acompanhar sua trajetória do que a de um herói, digamos, convencional – pois é, quem diria que eu, que na época do vestibular estudava o anti-herói Macunaíma, que me dava é raiva em vez de torcer por ele, iria acabar gostando tanto de anti-heróis. Daí descubro que Hiddleston gosta de Shakespeare (crush, crush!) e entrou nessa para trabalhar inicialmente com o Kenneth Branagh (diretor do primeiro Thor), que esse cara parece ser super gentil e elegante, sensato e boa praça, humilde apesar de toda a fama alcançada – e aquela aparição numa Comic Con, hein? Sem falar que ele é aquariano, signo que sempre admirei (talvez por ser tudo que eu não consigo ser?), aliás, nasceu um dia antes da data de aniversário do meu esposo. Quem sabe numa outra timeline nós teríamos nos encontrado? (crush, crush, crush!)

Claro que a série não se faz sozinha por ele, um roteiro bem trabalhado é essencial, mas digo que não foi pelos efeitos visuais e fotografia (que pra mim ficavam um pouco confusos e fora do tom até, sei lá, o que é que eu sei, não é?) que continuei vendo os episódios a cada semana. A química com o Mobius do Owen Wilson foi boa, a personagem de Sylvie me deixou contente, bem como ver o jacaré Loki. Desenho de produção também aprovado, apesar dos cenários grandiosos construídos que nem precisava talvez, o figurino da Sylvie, dos guardinhas da TVA, os props como o portal dos timepads funcionaram para esse universo.

É claro que em termos de roteiro, sempre fico com medinho dessas viagens no tempo, de que vai virar tudo uma confusão, quantas produções nós não já vimos eles c@garem tudo, né? Mas acho que era inevitável, sendo que eles pretendem trabalhar com a ideia de múltiplos universos. No geral, são as ficções científicas que tratam do tema, e eu sempre fui muito afeita a elas, portanto, acho bem justo eu ter me empolgado mais com esta série aqui do que as outras coisas que andam saindo por aí da Marvel. Sempre são histórias acompanhadas de questões filosóficas inerentes à humanidade, e foi ótimo o Loki quebrar a cara e ver como ele é tão pequeno. Às vezes a gente se acha tão importante e concentrados em determinada coisa que estamos fazendo, esquecemos que o universo é muito maior. Essa foi a característica que mais gostei, talvez, uma espécie de jornada de redenção, aceitar e ao mesmo tempo redescobrir a si mesmo. Na minha empolgação, fui lá conferir o Making Of (série Avante, no Disney +), com narração do próprio Tom Hiddleston. Recomendo se você gosta de ver essas curiosidades como eu, além de incluir uns pensamentos inspiradores…

“In life we all go through struggles, but we can’t do it alone. If we have people we can trust, it lightens the load and gladdens the heart” (Na vida, todos passamos por dificuldades, mas não podemos fazer isso sozinhos. Se temos pessoas em quem confiar, isso alivia o fardo e alegra o coração).

Talvez Loki esteja fadado não a perder e sim a sobreviver, talvez como todos nós. Nas infinitas possibilidades sendo podado de diversas realidades, talvez ele tenha se encontrado ao conhecer seus comparsas Loki.

Sendo podada em tantas realidades, eu continuo a acreditar. Mais do que nas pequenices e picuinhas, acredito no bem do mundo, pelas pessoas em quem sei que posso confiar.

E aqui meu breve comentário sobre a cerimônia de abertura das Olimpíadas Tokyo 2020, neste 2021. Eu curti, foi muito bonita, na minha opinião. Não consegui ver tudo, mas eu peguei a homenagem aos mortos, a representação da tradição japonesa Obon (festividades para os antepassados). Creio que se fosse um outro país, teria cancelado facilmente o evento, devido à pandemia. Mas esse é um povo perseverante, trabalhador, que respeita as tradições, dá valor aos ancestrais, sabendo que suas vidas não foram em vão pois interferem e se ligam ao futuro. Neste último ano, que foi de tantas mortes, não poderíamos ter tido um país melhor para sediar esses jogos que unem o mundo todo. Achei lindíssima a formação dos drones, formando o símbolo e depois a Terra, iluminando nossos corações junto, seguidos da “Imagine”, de John Lennon. Perfeição.

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Fazendo uma gracinha, essa sim é a timeline sagrada. Quando tudo parece estar em seu lugar. Por vezes temos turbulências, grandes terrores na história; sempre enfrentaremos dificuldades, pois são afinal necessárias aos humanos e sua evolução. Com melhoraríamos, sem o impulso do mal, algo que nos leve a mudar, a ultrapassar? É uma dicotomia inevitável nesta existência.

Nada mais propício também que eu possa comentar sobre isso junto do post sobre a série que traz engendramentos passados e futuros. E quem sabe não seja por isso (como o “mal” e o “bem” estão tão ligados) que seja tão interessante acompanhar Loki (o personagem)? Torcer para que no fundo, no fundo, ele tenha o potencial para mudar. Poder sentir esperanças, apesar de tanta coisa…

Algo que eu destoo dos Millennials é o fato de não substituir filho por pet. Também considero o lado de estabilidade financeira que possibilita isso, e confesso que lá pelos 20 anos eu não queria ter filhos – muita gente já no mundo, que mundo louco, etc. Mas como o nosso olhar pode mudar, não? Eu percebi que dar vida a outro ser humano é também parte desta experiência terrena e o oferecimento de uma oportunidade, para outra alma, para uma nova vida, para o futuro. Quem sabe o quanto podemos melhorar nas próximas gerações, com as vindouras evoluções? Com respeito pelo passado, é claro. Mas se eu posso proporcionar isso, e me oferecer no que puder em prol dessa nova vida, cuidando da melhor forma que posso para que ela possa ser esse futuro brilhante (e não decepcionante e cringe como minha geração?), talvez seja só isso mesmo que eu poderia (querer?) fazer para ter a melhor versão das timelines; para ter uma timeline verdadeiramente sagrada.

Voltando no tempo com os 30 anos de Esqueceram de mim

Era pra ter escrito um pouquinho sobre Um duende em Nova York (Elf/2003) ***, um filme que ganhou a simpatia de muitas pessoas e não foi senão até esse último dia de Natal quando consegui conferir, e até que é divertido de assistir, né, rende algumas risadas – apesar de eu não gostar tanto do Will Ferrell, muito menos desses filmes que ficam querendo vender a ideia de que Papai Noel existe. Eu nunca acreditei, em nenhum momento da minha infância, e honestamente acredito que foi melhor assim. Mas é bem divertido sim imaginar esse cara que nem tinha noção de que não era um duende ter que enfrentar com toda a inocência a cidade de Nova York na época de Natal. Fiquei feliz de finalmente ter visto, ainda mais depois que soube ser dirigido pelo Jon Favreau, cara que tem se tornado um dos meus parsas nos últimos anos; anda me surpreendendo e este ano pelo jeito vou passar muito tempo com ele, a primeira resolução do novo ano é repor O Mandaloriano.

Nesse final de ano também acabei revendo O Grinch (How the Grinch stole Christmas/2000) *, pra tentar dar uma segunda chance, mas ainda acho muito bizarro e um tanto obscuro para crianças, sendo que, pra mim, a única coisa realmente boa é a questão materialista de como todos só pensam nos presentes, comidas e decoração, mas o espírito natalino de amizade e empatia pode ser maior que tudo isso. (Não, não acho que Jim Carrey esteja bem, é apenas um exagerado e teve outros papeis que lhe caíram muito melhor)

Se é pra pensar em filmes com o tema natalino, o primeiro que me vem à mente, por ser tão presente durante minha infância, ano após ano, é Esqueceram de mim (Home Alone/1990)***, que em 2020 completou 30 anos. E não importa quantas vezes eu revesse, eu sempre ria muito, adorava o fato de Kevin gostar é de pizza de queijo e nada mais, e nos meus anos mais solitários sempre pensava em comer só macarrão com queijo de ceia. Eis que decidi então ver um dos episódios daquela minissérie no Netflix sobre Filmes que marcam época. E foi ótimo saber algumas das curiosidades da produção, percebi como gosto de John Hughes – claro, cresci como jovem nos anos 80! E, pôxa, ele escreveu o roteiro de Curtindo a vida adoidado (1986)*** em 7 dias?!

Sim, eu voltei no tempo, quando fiz 10 anos (em 1990), ganhei o primeiro diário e em vez de escrever brincadeiras de menina, paixonites juvenis, eu usei foi para escrever um esboço de roteiro (que eu nem sabia à época que se chamava roteiro). Meu primeiro filme seria uma produção de Steven Spielberg, e o Macaulay Culkin teria o papel do mocinho, mas a heroína seria mesmo é uma detetive de 13 anos que gostava de ler Agatha Christie, desvendando o mistério de sumiço de grandes monumentos pelo mundo: a torre Eiffel, o Monte Fuji, pirâmides no Egito, o Cristo Redentor… com direito a primeiro beijo em tela (meu e do Mac), efeitos especiais, mistura de desenho animado e live action. Quando a gente é criança, ou simplesmente jovem, a gente acha que pode tudo, não é?

Voltei no tempo em que eu pensava que eu poderia ser uma grande escritora, que poderia escrever roteiros à mão como Tarantino, ou uma roteirista hábil e ávida, como John Hughes. Um desses que nasceu para o ofício.

Daí, meu último filme visto em 2020 me deixa resignada a esta realidade inimaginada, porém impossível de negar, já que é a real. Estou pensando em acabar com tudo (I’m thinking of ending things/2020)*** é uma bela brincadeira com o tempo, com a memória incluindo a sensação – talvez a percepção? Talvez vislumbre ou imaginação futura? – do momento, das possibilidades, do que queríamos que fosse e perdemos. Com personagens que transmutam, de feição, de idade, de disposição, e uma bela dança figurada no final.

É, podem perceber que tive alguns dias mais amenos no final do ano passado, até vi filmes! Eu já tinha ficado um ano inteiro sem ir ao cinema, assim que me mudei para o Japão aos 14 anos, pois vivíamos no interior e era longe uma cidade com sala de cinema. Este ano de pandemia trouxe salas fechadas, mas com nossa atual tecnologia, a disponibilidade de aproveitarmos streamings, até festivais de cinema por esse meio, ressurgiram os drive-ins! Mas eu, com uma baby pra cuidar, acabei ficando mais um ano sem ir ver uma tela grande. Não que o cinema não se fizesse presente, o cinema, as artes, estão sempre vivos ao nosso alcance, nem que seja em pensamento, em sentimentos, em memórias, em sonhos, em esperanças…

Outros animais vivem no presente. Humanos não conseguem, por isso inventaram a esperança. ( a jovem mulher, no filme mais recente do Kaufman).

Ah, tá. Só pra vocês não reclamarem que estou terminando este primeiro post do ano de forma melancólica demais, eu já consegui repor nestes primeiros dias algo que todo mundo viu no ano passado e eu não: O gambito da rainha (que talvez vá ganhar um post só dela, porque é uma série bem boa mesmo).

Tá vendo só? Não apenas começo o ano com muita incerteza – o que vou fazer da minha vida? O que vai ser do meu futuro, do futuro a minha filha do futuro, enfim? Não só de confianças infundadas em vacinas começamos. Começamos com uma garota forte, determinada, diligente e dedicada em sua grande paixão (no caso, o xadrez), que ganha o mundo, apesar de ter que lutar com seus próprios vícios, fraquezas. 2021 está apenas começando, e ainda há muito o que viver, minha gente.

Feliz 2020 e Globo de Ouro (mas… e a maratona do Oscar?)

Não dá nem para acreditar que já estamos no final do primeiro mês de mais um novo ano! Sinto que um milhão e um turbilhão de coisas já aconteceram e nem cumprimentei ninguém direito com os habituais agradecimentos e felicitações de ano novo, a passagem de ano foi comemorada de um modo diferente desta vez, com uma pequena viagem em família para Águas de São Pedro, para já dar início com alegria, boa comida, diversão e também um pouco mais relax, mais tranquilidade.

E parecia que meu ano cinematográfico também ia começar mais cedo, já que anteciparam a festa do Globo de Ouro e por conseguinte a temporada de premiações, inclusive o nosso tão popular Oscar. A festa do Globo de Ouro é sempre bem mais descontraída, com as celebridades comendo e bebendo (Joaquin Phoenix estava bêbado já ao fazer seu agradecimento, não estava?). Este ano ainda naquele clima de festas e esperança de ano novo, o último de Rick Gervais como apresentador e ele falando tu-do o que queria, e tinha ou não direito, até pedindo pro pessoal maneirar nos discursos políticos porque a gente não sabe de nada mesmo!

Alguns prêmios já eram de se esperar, pelo menos da Phoebe Waller-Bridge, do Joaquin, da Renée, do Brad Pitt, Chernobyl e obviamente Parasita (este ano não tem pra mais ninguém, tem?). Pra mim a surpresa ficou na trilha para Coringa, na animação Link Perdido levando e, principalmente no número de prêmios pra Netflix! Com tantas indicações, era de se esperar mais, não?

Mas achei legal o Elton John subindo lá e contando pra gente que finalmente tinham esse trabalho juntos. Também um momento gostoso a Charlize falando da admiração que tinha por Tom Hanks e a gente poder imaginar que o cara é gente boa na vida real também, é claro.

Gostei dos terninhos até mais do que o vermelho impactante da Scarlett Johanson, e aquela mesa de O Irlandês, hein? Fiquei imaginando esses velhos amigos se reunindo de tempos em tempos para jogar papo fora – e que altos papos sairiam não? Já dá até saudades deles juntos, porque assim como o próprio filme recente deles nos filosofa, logo logo não estarão mais por aqui… como é o destino de todos.

Certo, certo, sentiram uma certa nota melancólica neste último parágrafo, né? É, 2019 foi um ano difícil pra muita gente, com o novo governo nos golpeando no estômago a todo momento, digamos, entre outros. Já eu, estive mais ocupada dedicando-me à nova empreitada de vida (ser mãe!) e senti menos impacto em relação aos assuntos externos, digamos.

E este 2020 já começa cheio de desafios, já nasceu minha bebê! Ano novo, vida nova, literalmente! E uma nova vida pra mim também, vida de mãe – que, confesso, sou 0% apta a isso, sempre soube, desde os 15 anos de idade, por isso sempre disse que não ia ter filhos; porém, a vida acontece e então tudo o que podemos fazer é enfrentar. Um dia de cada vez.

Estes primeiros dias de puerpério não estão sendo nada fáceis, na verdade, o que vejo é uma coisa atrás da outra dar errado, desde o parto… e eu nem estou reclamando das dores pelo corpo todo, essas dores físicas eu aguento. A pressão psicológica e outros restos… já é outra história. Sério, foi MUITA coisa que aconteceu nas últimas semanas, mas este não é o post pra isso.

Daí, sempre que me sinto triste e estou sofrendo, pra onde corro? Qual é meu porto seguro? Meu alívio de alma, meu conforto? O cinema, é claro. Então isso quer dizer que está de pé a nossa tradicional maratona para o Oscar? Oh, well. Não acredito que vá conseguir ver 1917 e Jojo Rabbit na tela grande, mas… vamos ver alguns dos indicados e ter nossa diversão anual de votar e ver no que dá. Afinal, é uma das poucas coisas na vida que realmente gosto… que a gente possa se permitir, pelo menos um pouco, este ano.

Não tenho grandes expectativas pra este 2020 não, é só isso. E é o que desejo a todos também. Apesar das dificuldades, que possamos encontrar uma luzinha de alegria e nos permitirmos.

Então bora aproveitar que o Oscar nunca teve tantos indicados disponíveis em streaming, hein! Até curtas vai dar pra ver alguns por aí. Boa festa do cinema e até dia 09!

Retrospectiva 2011

“Adoro suas pernas, lisinhas, macias”.

 

Cabelos dourados e olhos claros, descendente de italianos. O meu amor eterno. E sei que não podemos ficar juntos, mas nos encontramos de tempos em tempos. Ele me conta de suas superficialidades profundas, e eu melancolio sobre quase tudo da minha existência – é minha natureza, fazer o quê.

Digo-lhe que todos os anos escrevo uma retrospectiva, mas 2011 foi um ano que me cansou. Até bem lá no finalzinho, e só no primeiro dia do novo ano é que consegui me deixar um tempo, recobrar um pouco das forças.

 

Digo-lhe que 2011 foi um ano de abalos e revoltas – em acontecimentos pelo mundo e pessoalmente. Amizades abaladas, fé, revolta de vida, querer largar tudo e fazer sei lá o quê.

 

Lembro de algumas viagens e eventos pelo templo. Belém do Pará, interior de Minas Gerais, sítio e Festa Julina, Japão, acampamento.

 

Lembro dos filmes, vi bons filmes lançados no cinema, mas nenhum que realmente marcasse meu ano. Bem, não é lançamento, mas talvez “Um lugar ao sol”, pela Liz Taylor, ou… digamos que meu filme do ano seja “Interlúdio”. É, acho que foi esse, hein.

 

Conto-lhe do amor. Não poder corresponder, não correspondido.

E aqui nós nos alongamos um pouco. Disse que acreditei que esta última seria realmente a garota pra ele, que ele fosse se casar. E que eu, sinceramente, já desisti – como todo o mais neste 2011, cansei. Cansei das paixões e de ficar me preocupando. E tudo bem se eu ficar sozinha pelo resto da vida, posso encarar isso, se for o que o universo desejar. Mesmo tendo dito outro dia pra amigas que eu sentia que 2012 ia ser um bom ano nesse quesito pra mim, não quero mais pensar nisso. Aceito o que Deus quiser e se for pra eu ficar só, que seja – mas que então, eu aproveite minha vida, fazendo algo bom dela.

 

Acredito mesmo que meu serviço é algo bom, pois acredito que os ensinamentos que sigo são bons para o mundo. Mas acredito também que posso aprender outras coisas, conhecer outras pessoas, continuar mudando, melhorando. E que devo fazer o que gosto, pois quando fazemos as coisas com amor, aí sim estamos usando todo o potencial concedido a nós nesta existência. Podemos fazer qualquer coisa, podemos escolher o que fazemos melhor, o que fazemos com mais alegria e coragem. Talvez para certas pessoas, como eu, seja mais difícil um só caminho, pois há tantas possibilidades… E não sei das outras pessoas, mas eu estou agora neste ponto em que quero ir com calma. Cansei de ser desesperada, querer fazer tudo de uma só vez e acabar não fazendo nada. Tenho alguns planos, alguns em longo prazo. Talvez nada aconteça, como é de costume, mas quero relaxar um pouco e dizer pra mim: “tudo bem”. Vamos tentar algo. Vamos experimentar. Há tantas possibilidades!

 

Por isso esta retrospectiva assim, meio sonhadora, mais relaxada, menos “quadradinha”. Eu já não sou uma garotinha, são muitas as responsabilidades, são muitas as realidades, embora os sonhos continuem – como deve ser. E continua a esperança de contribuir para um mundo melhor, mesmo que pareça ser de pequenas formas, cada um faz a sua parte.

 

O que você vai fazer? Eu vou tentar. Fazer mais o que eu gosto, amar um pouco mais, levar com mais calma e tranquilidade, confiando nos movimentos do universo. 2012 é pra mim o início de uma nova época desta vida atual. Gosto dos anos pares, que costumam compensar todas as agruras dos ímpares. E não sei ao certo por quê, mas sinto que este ano em especial será maravilhoso pra mim.

 

Comecei junto com meu amor eterno, só isso já me deixou feliz. Um bom presságio.