Oscar 2019 – o meu mais musical

É, parece que neste 2019, meu ano realmente só começa depois do Carnaval. Quem sabe eu escreva no outro blog a primeira vez em que fui num bloquinho: que toca músicas dos Beatles no ritmo carnavalesco! Sim, achei um bloco de carnaval pra chamar de meu.

E logo no dia seguinte, temos o Oscar com sambinhas – agora sim começa meu ano? Espero que sim, porque foi uma correria desses primeiros meses, logo que saíram as indicações no final de janeiro eu pensei: “este ano tá fácil, já vi metade dos indicados a melhor filme!” e achei mesmo que iria ver vários de outras categorias… até parece, né.

A questão é que todo início de ano temos um treinamento espiritual no templo, entre outras atividades, o que acaba consumindo muito mais tempo e energia do que poderia se esperar (e ainda existe o fantasma de querer uma outra vida me assombrando). Não consegui então fazer os posts para cada filme ou mesmo o dos meus votos antes da festa, mas o que seria mais perfeito pra mim do que cinema e música para acalentar o coração?

(os oscarizados deste ano em negrito e alguns comentários também, porque é disso que a gente gosta, não? Oscar todo mundo consegue comentar : )

Atriz coadjuvante: Regina King (Se a Rua Beale falasse) – ah, eu achei muito decente e belo vestido.

Documentário: Free Soloera o favorito, não?

Maquiagem e cabelo: Vicemeu voto também, é o que mais gente viu, e impecável mesmo, não? Adorei as transformações, não só para Dick Cheney, mas Bush e até a esposa envelhecendo.

Figurino: Pantera Negra – ah, valeu, né? O primeiro filme de super-herois no Oscar não fez feio, misturaram referências africanas e tecnologia (aliás, o que eu mais gostei nesse filme foi imaginar que a África abrigaria na verdade a terra e o povo mais rico e avançado do mundo) 

Desenho de produção: Pantera Negra – meu voto era Roma, com a reconstituição da época, do cinema, do campo com as crianças, da maternidade, do protesto… de traduzir em imagem as memórias do diretor.

Fotografia: Romameu voto também, belíssima, com as texturas e o sentimento de um tempo que fica e até parece homenagem a um italiano, pra fazer jus ao título.

Edição de som: Bohemian Rhapsodymeu voto era Um lugar silencioso, só porque é um filme bom mesmo e a gente presta atenção demais nesses sons?

Mixagem de som: Bohemian Rhapsodye daí a gente sabe que misturar a voz do Rami com a do Freddie e… a gente aceita bem, certo?

Filme estrangeiro: Romameu voto era Um assunto de família, porque o filme do Koreeda realmente toca fundo para uma sociedade em que as relações familiares podem ser bem difíceis e estes tempos de dureza… E daí eu poderia dar voto de melhor filme pra Roma, hehe.

Montagem (edição): Bohemian Rhapsodyconfesso que só estava torcendo pra Vice não ganhar… eles querem fazer uma edição “espertinha”, mas tem hora que eu acho exagero.

Ator coadjuvante: Mahershala Aliera o favorito, mas pior que eu gostei mesmo do trabalho dele em Green Book; não deve ter sido uma composição simples, tem as sutilezas e é um personagem fascinante.

Filme animado: Homem-Aranha no Aranha Versopoucas surpresas neste Oscar, né? A verdade é que não tínhamos tão boas seleções assim de 2018, então ficou o que impressionou mais pela técnica, eu acho. É divertido a possibilidade de vários universos e o Homem-Aranha de meia-idade, haha, mas não tocou na alma e tenho a impressão de que logo vou esquecer dele.

Curta animado: Baopois é, né, acho que foi o que o pessoal mais viu e acabou sendo esse mesmo. Mas eu também queria ser igual essa animadora, que fazia storyboards de Divertidamente e agora taí ó; ai, ai, essa vida que eu queria e nunca foi.

Curta de documentário: Absorvendo o tabudesculpem minha ignorância, agora é que descobri o que é a “igualdade menstrual”. Então parabéns às meninas, porque a mensagem taí no mundo.

Efeitos visuais: O primeiro homempra mim esse foi surpresa, achei que iam dar pro Guerra Infinita!

Curta: Skinconfesso que nunca consigo ver os curtas, os caras pareciam bem surpresos também! 

Roteiro original: Green Bookpode soar muito explícito entregar uma fala como “é preciso coragem para mudar o coração das pessoas”; mas essa narrativa combina momentos mais cômicos, realidade regional, algumas liberdades e faz a gente torcer pelos personagens. Não tá bom? Lembre-se que tem mãos do Peter Farrelly (gente, o cara do Debi & Lóide 2!) e vocês vão se sentir gratos pelo roteiro ter saído bonitinho assim.

Roteiro adaptado: Infiltrado na Klanparece que o povo ficou meio surpreso, mas não valeu a pena o Samuel L. Jackson animadão pra anunciar e o Spike Lee pulando pra abraçar, terminando o discurso com Do the right thing (é, título daquele filme dele lá…)? Ah, e vamos combinar foi uma história bem legal pra se adaptar pras telas, adorei conhecer esse caso do infiltrado e as reuniões da KKK; ainda mencionando o cinema como motivador das massas (Nasce uma nação virou ícone na história do cinema, mas todos concordam com esse lado terrível da obra); e a ligação com fatos recentes para estarmos alertas e não achar que isso “foi coisa do passado”.

Trilha Sonora: Pantera Negrae os memes com a Gretchen, hein? Uhu. Na verdade eu tinha gostado da do Desplat com toques japoneses, mas esse novato também une a música clássica e ritmos africanos, tudo bem.

Melhor canção: Shallow (Nasce uma estrela) – não tinha como, gente, não tinha.

Melhor ator: Rami Malektá, temos os SAGs e os termômetros do Oscar, mas no fundinho eu tava torcendo pro William Dafoe finalmente levar um, contra tudo e todos.

Melhor atriz: Olivia Collmanopa, eu jurava que seria a Glenn Close! E seu vestido dourado ma-ra, fabuloso. Bem, o discurso da Olivia valeu a pena, foi muito autêntica, “It’s hilarious!”. 

Diretor: Alfonso Cuarónpoxa, o cara fez tudo, tinha que levar, né? E o todo ficou belíssimo, dá pra sentir que foi trabalho de muito afeto para encantar o mundo. Fofo do Guillermo entregando, mexicanos dominando nos últimos anos!

Filme: Green Bookhmmm. Vi gente mencionando Crash (e eu lembro desse Oscar também, credo, ficando velha. Percebo que conhecia mais nomes do In Memorian do que 10 anos atrás, ficando velha).

* * *

Muito rosa nos vestidos, laços, o tapete vermelho foi divertido, já fazia tempo que precisavam de um boost? Inclusive com gente vestindo metade smoking metade saiona. Não teve praticamente surpresa alguma sobre os que levaram a estatueta, mas a propaganda de cerveja inovou sem ficar repetindo a mesma frase, não teve politicagem chata, não teve piadinhas prontas, achei que ia dormir no meio, mas aguentei sim – a festa em si até que foi legal.

Como sempre, o cinema é consolo pro meu coração – lembram-se de que eu estava falando em incluir mais música na minha vida?

No ano de Oscar sem host não teve distribuição de comidinhas e começamos com Queen, melhor Oscar ever (não, o vocalista não é bom, mas o resto… é o Queen, gente, o Queen tava lá, e até o Javier Bardem tava curtindo!). Aliás, creio que você que acompanha Oscar faz algum tempo já deve ter parado em algum momento pra pensar como eu: “eles precisam mesmo de um host? Pra que serve?” – e não é que muita gente aprovou? Festa mais rápida, com um monte de comediantes se dividindo pra apresentar as categorias. E não teve número musical, e nem musical concorrendo, mas…

… teve a Lady Gaga e o Bradley Cooper cantando a música que ficou na nossa cabeça (e certeza que ele coordenou o pessoal das câmeras pra que a gente se sentisse assistindo a um filme, ao mesmo tempo que fez jus ao próprio filme deles, intimista e envolvente).

Por isso, este 91st Oscar vai ficar lembrado por mim como aquele que foi o mais musical. Vou até querer ver Quanto mais idiota melhor.

Como “Nasce uma estrela” me ajuda neste final de ano (que vamu combiná, foi do cão)

É, vem chegando mais um final de ano e eu nem sei o que dizer a vocês. Eu queria escrever pra todo mundo, como de praxe, amigos próximos ou que ficaram mais distantes, familiares, conhecidos, todo mundo; mas, como de praxe, muito trabalho no final de ano e sem tempo nem pra trocar a fotinho do perfil do whatsapp (sim, meu cabelo cresceu desde o ano passado!)

No horóscopo chinês, este ano é do cachorro, e eu esperava que fosse ser um ano muito bom pra mim (que nasci no ano do cachorro, meu ano!), assim como 1994 foi bom, e 2006 foi excepcional. Porém, eis que… é, pois é, não é.

2018 foi do cão mesmo. Dá até uma alegriazinha que tá acabando – porque a gente quer é mudar, quer partir pra novos tempos. Talvez eu deva encarar assim, como um ciclo de 12 anos se fechando, que tal?

Aliás, eu queria ter escrito por aqui, eu gostei de “Ilha dos cachorros” (2018)***! Ignorando quaisquer controvérsias, a trilha remetendo ao taikô (os tambores japoneses), as diversas cutucadas políticas figuradas, o visual sempre peculiar e engraçado, nem as metragens típicas do Wes Anderson me incomodaram. E olha que eu vi numa telinha na poltrona de um voo longo do Japão – quando o filme é bom não importa onde ou em qual tela você esteja?

E é claro que eu poderia escrever nem que fosse parcas palavras sobre alguns que não ganharam texto por aqui, mas obviamente me apeteceram: Jumanji, Um lugar silencioso, Corra!, Me chame pelo seu nome, Trama fantasma, Vingadores: Guerra Infinita, Viva!, Jogador No. 1, até que foi um ano bem legal para o cinema, com filmes que realmente gostei – até Bohemian Rhapsody, que é só porque está mais recente na memória e deu vontade de cantar todas as músicas do Queen a semana inteira. (não, eu não gostei da dentadura do Rami Malek, embora admita que ele trouxe uma energia incrível pro projeto)

Mas, embora eu tenha me emocionado muito, se eu for escolher um título pra falar que me surpreendeu e realmente acalentou este ano de 2018, foi “Nasce uma estrela” (2018)***. E, talvez, pra isso, coubesse eu voltar até John Carney, que só com dois filmes já entrou na lista dos diretores do coração (com Sing Street e Mesmo Se Nada Der Certo). Porque de vez em quando a gente precisa se reinventar, né. Desde que me conheço por gente eu sempre quis fazer cinema, e me perdi nas estradas da vida, e confesso que este ano foi bem complicado.

Sofri um momento de grande depressão e quis mesmo jogar tudo pro alto, nem que fosse pra vender tapioca na rua ou ir pro Japão de novo, só trabalhar numa fábrica, sem maiores preocupações sobre o sentido da vida. E me senti tão cansada, e fiquei doente tantas vezes – o que simplesmente atribuo a expressões externas pelo corpo do que não tava muito bem internamente, na alma.

Nos filmes citados do Carney, os personagens encontram um quê a mais na vida, ou para se reerguer, pela música. E quando o personagem do Bradley Cooper canta “maybe it’s time to let the old ways die”, isso ressoou na alma, em especial, neste ano. É aquela sensação de “basta” – talvez de outra maneira, mas até nas eleições sentimos isso? A gente quer fazer algo diferente, a gente quer mudar. Já faz 9 anos em janeiro que estou neste serviço e, creio que é natural desta geração, destes tempos, não se conformar simplesmente em como está.

Cooper me surpreendeu de verdade – e não é que o rapaz sabe dirigir? Até forçou a voz e tem aquela brincadeira interna com o Sam Elliott; e esse tema que se liga à própria experiência, de drogas e álcool. Eu fui pesquisar, as outras versões do filme são completamente diferentes – resolvi até assistir ao Espelho tem duas faces (1996)** da Barbra Streisand porque eu não queria ver Nasce uma estrela em si e estragar a outra versão, mas queria ver algum dela que eu nunca tinha visto… e é bem engraçado, achei até moderno, com a inversão dos papeis, é o cara que não quer sexo, e diferente de outras comédias românticas, ele gostava mesmo é da mulher mais “ao natural” dela – adorei.

Outra pra quem eu não tinha dado chance, Lady Gaga nunca me pareceu tão humana e tão talentosa – depois fui até assistir ao documentário sobre ela no Netflix. O personagem dela, a Ally, também me toca lá no fundo porque eu também queria ter tido essa “sorte”, eu também um dia tive um sonho de artista, e além de conseguir explorar um talento inato, encontrar o amor – assim como um dia eu já sonhei com o DiCaprio? ehehe. Mas eis que ela acaba se deixando levar e o próprio Jack perde a direção quando percebe o quanto mal está fazendo… ai, vai dizer que só eu chorei?

A química foi ótima, o visual, o clima de bastidores, de exploração da mídia, os coadjuvantes, a fotografia, a trilha, tudo funcionou.

2018-astarisborn_scene

Bem, mas o que eu queria mesmo dizer é que eu pretendo incluir mais música na minha vida. Já faz muitos anos que eu queria isso, e mesmo para ajudar contra a depressão. Eu não entendo nada de música, só conheço Legião e Beatles, mas sinto que preciso fazer algo diferente e ter novas aspirações. Não, não é que eu queira ser famosa como a Ally, eu só quero fazer mais algo que eu goste. E quem sabe com isso eu também não consiga aquela velha meta – de ter mais contato com os amigos, levar a vida mais de boinhas…

Os ensinamentos budistas que sigo falam que o mês de dezembro não é o final, mas consideramos como mês de “partida” para novos tempos. Neste mês eu já comecei a cuidar mais da diabetes e pretendo continuar, para esse novo momento da minha vida que eu quero ter. Com mais saúde. Física e mental. Também já tenho conseguido mais de algo que há tempos eu queria: saber mais de iniciativas conscientes sobre o meio ambiente. Existe um blog que encontrei que divulga posts quase que diariamente sobre o assunto (Life & Soul Magazine) – e eu acho isso muito legal. Na alma, é isso o que eu queria também: divulgar mais as coisas boas pra vida.

Então, não sei ainda se até mesmo o blog vai encarar por aqui alguma mudança, ou se vou acabar me dedicando mais a essas coisas por outros meios… mas ainda acredito nos ensinamentos budistas – vocês sabem que o Bertolucci que eu admiro não é por “O último tango em Paris”, certo? E também não é por “O último imperador”, sorry.

Por agora, o que posso dizer é um muito obrigado aos poucos leitores que me visitam, e que desejo a todos as mudanças quando elas forem necessárias; que consigam também se reerguer se caírem – porque as quedas e arranhões também são necessários pra depois a gente dar valor à bem-aventurança; que possamos começar de novo Mesmo Se Nada Der Certo; desejo felizes festas a todos, sabendo que Nasce uma Estrela a cada vez que você sorrir (ou que a lágrima cair também, dependendo da lágrima ;)

Tell me somethin’, girl
Are you happy in this modern world?
Or do you need more?
Is there somethin’ else you’re searchin’ for?
I’m falling
In all the good times I find myself
Longin’ for change
And in the bad times I fear myself
Tell me something, boy
Aren’t you tired tryin’ to fill that void?
Or do you need more?
Ain’t it hard keeping it so hardcore?
I’m falling
In all the good times I find myself
Longing for change
And in the bad times I fear myself
I’m off the deep end, watch as I dive in
I’ll never meet the ground
Crash through the surface, where they can’t hurt us
We’re far from the shallow now