Top 5

Esta lista não pretende citar os maiores e melhores filmes da história do cinema. Acredito que cada um tem seu gosto próprio, cada obra traz uma experiência única a cada espectador.

Esta lista é para compartilhar um pouquinho sobre os filmes que mais marcaram a minha vida – e não foi fácil, que vontade de colocar um monte de outros! Claro que eu poderia ter estendido para Top 10, onde até caberia Tarantino ou um filme francês… mas vamos seguir em Alta Fidelidade.

* * *

Top 5. Uma cilada para Rober Rabbit (1988)

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Who framed Roger Rabbit?
1988 ****

Um dos primeiros filmes que vi no cinema foi De volta para o futuro Parte II (Back to the future part II / 1989), que eu só lembrava era dos tênis com cadarço que amarrava sozinho – eu tinha 06 anos, gente. Mas um filme que eu vi muito quando criança foi esse do Roger Rabbit. Meu primo sempre alugava esse, e eu adorava desenhos animados. Quando fiz 10 anos, eu comecei a escrever um roteiro em um pequeno diário que eu tinha ganhado de aniversário. A trama envolvia o tapete mágico de Aladdin, roubo de grandes monumentos turísticos pelo mundo, teria direção do Spielberg (meu rei, na época de sessões da tarde regadas à suas produções – “E.T.”, “Goonies”, “Gremlins”, Indiana Jones…), e misturaria X-Men, Karmen Sandiego, diversos outros personagens de desenhos fazendo pontas, misturados ao live action… assim como em “Uma cilada para Roger Rabbit”.

Quando já mais grandinha, eu revia o filme e ficava embasbacada com os efeitos especiais (como será que eles tinham filmado tudo aquilo?), percebi que o enredo era bem mais complicado – ou seja, deve ter sido legal para os adultos também acompanharem a aventura. E fiquei sabendo que realmente foi uma época nova para a Disney – depois de 1989 começaram a vir sucessos como A pequena sereia (The little mermaid / 1989), A bela e a fera (The beauty and the beast / 1991), Aladdin (Aladdin / 1992), O rei leão (The lion king / 1994), entre outros que eu continuo a amar até hoje, pois a proposta já era outra, era que desenhos também podiam divertir e ser de interesse aos mais velhos.

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Este filme entra pro Top 5 porque ele realmente marca minha infância, o início dos meus sonhos de ser diretora de cinema – que levavam à criações de universos imaginários particulares e outros devaneios. E continua divertidíssimo, até hoje.

 

Top 4. O castelo animado

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Howl’s moving castle / Hauru no ugoku shiro
2004
****

Na verdade, este título é uma farsa. Eu deveria colocar aqui Meu vizinho Totoro (Tonari no Totoro / 1988), o primeiro do Hayao Miyazaki que eu vi, quando morava no Japão. E que tem tantos momentos que eu amo demais! Não é porque é um filme com crianças e para crianças que devemos subestimá-lo. Depois veio Princesa Mononoke (Mononoke no hime / 1997), Os serviços de entrega da Kiki (Majo no takyubin / 1989); já no Brasil, A viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no kamikakushi / 2001), O castelo no céu (Tenku no shiro Rapiuta / 1986), O castelo de Cagliostro (Rupan Sansei: Caguriosutoro no shiro / 1979) e o mais recente, Nausicaa – a princesa do vale dos ventos (Kaze no tani no Naushika / 1984). E posso dizer que, com certeza, Miyazaki é um dos artistas que mais amo na história do cinema.

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Mas este O Castelo Animado entra no Top 5 por tudo que ele representa. Em 1997 eu me mudei para o Japão, antes eu morava só com meu avô e meu irmão numa cidade do interior de São Paulo. Nessa terra do outro lado do mundo, eu cheguei a ficar 1 ano sem ir ao cinema (!), não tinha convívio social, pois estudava em casa. Eu morava num lugar isolado, com muitos arrozais próximos, tinha também um vulcão adormecido, éramos envoltos por natureza. Eu passava as tardes encenando cenas, fazendo filmes imaginários, fazendo magia.

Eu poderia ter colocado outro título aqui, mas talvez este filme seja o que melhor represente esse momento, foi como o Japão marcou minha vida – nada melhor que um diretor japonês. Nos filmes de Miyazaki existem inúmeros elementos mágicos e belos detalhes que não precisam de explicação, estão lá para nosso deslumbramento. Neste, há natureza, os fogos de artifício, o ultrapassar tempo e espaço, o amor que é magia e é maior que tudo… E nessa adolescência, eu também me apaixonei por um ator/músico da TV japonesa, super famoso por lá – pois a voz original de Howl é dele! E eu sempre me considerei uma alma muito velha para o físico que eu tinha – a Sophie sou eu.

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Top 3. Diários de motocicleta

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Diarios de motocicleta
2004
****

Eu pensei em colocar aqui o Deus e o Diabo na Terra do Sol (Black God White Devil / 1964), que é um ótimo do cinema brasileiro e mexeu muito comigo quando o vi, importante por diversas razões. E se fosse pra considerar só por ser filme brasileiro, e mais pela estética, também poderia citar Cidade de Deus (City of God / 2002), que é visceral. Mas Diários de Motocicleta simplesmente abrange um período um pouco maior, e marcou um pouco mais.

Voltando para o Brasil em 2001 para fazer cursinho pré-vestibular, adentrei um universo completamente novo, instigada a pensar mais criticamente. Acrescente-se a isso essa idade em que a gente quer contestar mesmo, carrega a inquietação de alma, lê e escreve poesias, repensa a história, as filosofias dos homens, forma ideais, quer mudar o mundo! Seja no cursinho, ou na faculdade, esses são meio que os temas que percorrem nossa alma nesse momento, não? Fiz faculdade de Letras, e as imagens que Waltinho entrega pra gente pela América do Sul, para mim, transpira poesia de forma indescritível, sensível. Isso sem falar que eu sempre tive espírito aventureiro, quis sair pelo mundo em mochilões – pela Europa, pela América do Sul. Acho que é um espírito que nunca vai me deixar – de querer conhecer outras pessoas, histórias, experiências, de ver outras paisagens e me deixar maravilhar com a grandeza do mundo.
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Assim como acho que nunca deveríamos esquecer de pensar sobre realidades, sobre ideais, tentar ver o que poderíamos fazer para contribuir para que o mundo seja um lugar melhor. É assim que nunca vou esquecer daquele olhar do Gael (Ernesto), bem lá no finalzinho do filme, antes de ir para o outro lado do rio…

 

Top 2. Casablanca
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Vocês que colocam aí no topo Cidadão Kane (Citizen Kane / 1941) ou O Encouraçado Potemkin (Bronenosets Potyomkin / 1925), eu não tiro a razão de vocês. Mas para mim, esta pessoinha tosca e romântica, a cena mais perfeita do cinema é o final de Casablanca.

Eu não vivi tanto quanto a maioria dos bons críticos ou diretores, mas eu vivi o suficiente para amar. E eu tenho algo de inexplicável em minha alma sobre Paris, sobre a França, até aceito a possibilidade de ser coisa de uma vida passada. Ilsa e Ricky tiveram essa vida, como eu devo ter tido com alguém que ainda não encontrei. Mas além do desejo, além do amor entre duas pessoas, existe o mundo, existem as circunstâncias… O filme tem seu plano político, os personagens não são infalíveis, são completamente humanos. Quem pode dizer que não lamenta por algo do passado? Quem nunca foi magoado por alguém?

Mas abdicar de um grande amor por uma “causa maior” não é pra qualquer um. Todos temos uma perda, em algum momento da vida, mas às vezes ela vem de uma escolha (a mais sábia?), a melhor. Casablanca entra para meu Top 5 pois inclui em si tantas experiências que eu já senti e vivi, e ainda assim é um filme romântico – eu sou uma garota romântica, dá licença! Ingrid Bergman é belíssima, indiscutivelmente uma das mulheres mais belas da história do cinema, As time goes by já é clássica por si, as sombras e luzes em preto e branco, a atmosfera criada – é tudo inesquecível. E sempre teremos Paris.

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Top 1. 2001: uma odisseia no espaço

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2001: a space odyssey
1968
*****

Quando eu vi este filme pela primeira vez, eu sabia que não precisaria revê-lo para saber que era o filme da minha vida. E depois, quando li o livro de Arthur C. Clarke, eu fiquei ainda mais feliz. Não digo que é uma jornada fácil, que seus significados pareçam incompreensíveis para alguns, mas esta é uma obra máxima para mim – que também sempre tive pensamentos voltados ao futuro, sempre gostei, de alguma forma, de ficção científica, e mais ainda de questões metafísicas.

Qualquer ser humano, em algum ponto da sua existência terrena, vai se perguntar sobre o universo. Sobre sua própria constituição, de onde viemos ou para onde vamos, existe outro tipo de vida, existe outro tipo de existência? Se acreditamos na evolução, se acreditamos na adaptação, no progresso mental e tecnológico, onde tudo isso vai dar?

2001 não foi só um marco em termos de efeitos especiais, e não apenas conta com cenas absolutamente inesperadas, impensadas, revolucionárias… traduz também a essência de cada um de nós.

Está no Top 1 porque não existe outro ou nada mais que me defina, que me marque. Desde a retumbância de Zaratustra, passando pelas cores meio psicodélicas, mas principalmente nas questões de se indagar sobre um outro tipo de existência, além daquelas que conhecemos com nossa visão limitada. Eu sempre acreditei que existe algo além do que nosso cérebro atual pode conceber, sempre acreditei numa existência, numa vida, maior. (Não sei se estou certa, talvez eu morra, e tudo se acabe. Mas pelo menos essa fé me fez viver a vida plenamente – e se tudo se acabar em pó mesmo, tudo bem). Essa sou eu, de alma mais sincera, de ideias mais abertas, de algo que toca lá no coração e a gente não sabe explicar, mas tudo bem. Essa sou eu, esse é 2001: uma odisseia no espaço para mim.

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Menção honrosa!

Quem me conhece deve imaginar que eu mencionaria Steven Spielberg como o diretor mais marcante e mais presente em minha vida; afinal, até “E.T. – o extraterrestre” (E.T. the Extraterrestrial / 1982) é um dos meus favoritos e em realidade alternativa, eu namoro o ET… Porém, seria antiético, pois Spielberg é meu padrinho imaginário (o que me apresentou ao cinema, o que cuidou de mim com seus sonhos, o que me acolheu no mundo imaginário para fazermos filmes imaginários juntos).

O diretor que não coube nessa lista, mas é o que tem mais títulos que eu adoro, é o sir Alfred Hitchcock. Porque quando eu tinha uns 13 anos eu ficava assistindo ao Intercine e Os Pássaros (The birds / 1963) me arrepiou e nunca me largou; mais tarde, já mais atenta às nuances de personalidades fascinantes, Psicose (Psycho / 1960) foi um espanto, com praticamente todas as cenas vivas em mim mesmo depois de muitos anos; Janela Indiscreta (Rear window / 1954) é inigualável em tudo, na condução da câmera, em como é atraente, envolvente, irresistível; até Interlúdio (Notorious / 1946), que foi o mais recente a conhecer, um achado, que marca algo além do que se vê na tela. Por fim, o meu mais-mais (que também deve ser para várias outras pessoas por aí), Um corpo que cai (Vertigo / 1958) me ensina sempre a ver o cinema de um outro jeito.

Seja para meu histórico com o cinema, ou em experiências da vida real, Hitchcock me acompanha. Em meu crescimento, ou amadurecimento, ou caduquisse, como queiram chamar. Eu até cheguei a criar uma “mania”: de ver Hitch em todo lugar, mesmo com filmografias distantes, que nada tem relação com ele (não acho que seja tão bizarro, considerando que ele adorava dar uma aparecida em suas obras). Ainda há muito a ver, e apesar de gostar de vários diretores, apesar de Miyazaki ser o Top diretor do meu coração, Hitch é o Top se eu for considerar no todo em que ele marca minha vida.

hitchcock-silhouette

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