Desabafo é cringe? (crush no Tom Hiddleston e um breve comentário sobre a abertura das Olimpíadas)

Senta que lá vem post longo!

Então, nos últimos tempos, nós vimos esse debate sobre o conflito das últimas gerações, Z x Millennials, e eu descobri que sou muito cringe. Tipo, café da manhã? É uma das refeições mais importantes do dia, minha gente, que é que é isso, não ter tempo pra café da manhã? Os emojis? Hmm, na verdade nunca gostei muito de “rs”, sempre usei hahaha, mas depois de descobrir as origens do quiaquiaquiá, incluindo ajuda do Donald para popularizar quaquaqua, me sinto justificada a usar o “kkk” agora. Boletos? Sim, lembro-me dos dias em que eu tinha que ir ao banco passar o código de barras lá; tudo bem, hoje temos inúmeras opções online, mas eles ainda existem e contas para pagar nós temos. Aliás, uma das coisas mais tristes foi descobrir que minha geração é a mais falida da história (xenti!), comparativamente, nossos pais em nossa idade já tinham imóvel e estabilidade financeira em seu nome. Realmente, eu sou um dos exemplares típicos que preferiu gastar com experiências do que com bens materiais (se bem que isso também envolve certas crenças religiosas aí), mas disso não me arrependo não; só pra citar alguns momentos que vão ficar na memória para confortar minha alma apesar de eu não ter um apartamento próprio: o passeio aos 14 por Los Angeles; uma viagem louca de ano novo para o Rio sem hotel para dormir; um evento inusitado em Taiwan cujas horas de voos demoraram muito mais que as reuniões em si; os dois meses que talvez sejam os melhores da minha vida em que trabalhei nos parques da Disney World em Orlando; tirar foto dançando tango no Caminito; comprar rede em Fortaleza; o treinamento num Chateau francês e dias seguintes flanando por Paris; as primeiras lanternas flutuantes minhas em NY; um passeio inusitadamente bom por Chicago à la Ferris Bueller e ao som dos Blue Brothers na cabeça; viagem de trem-bala por lugares do Japão que eu ainda não conhecia; um casamento em três partes que inclui muitas comidinhas em Belém do Pará; dias bons de camarões em Natal – só pra citar alguns destaques.

Bem, sei que estou ficando velha, disso eu sempre reclamo por aqui, e talvez seja cringe até o fato de postar num blog? Mas é parte da minha terapia pessoal, como eu também sempre digo. E vejam vocês, nem fazer isso direito eu consigo. Eu vinha postando uma vez por semana um texto de filme relacionando a algo budista, mas teve um acontecido aí que me desanimou um pouco, daí mais uma pausa ocorreu por aqui. Sei lá, sabe quando você se pega repensando algumas coisas da vida e fica com aquela sensação de “por quê?”; por que eu estou fazendo tal coisa, por que me esforçar ou me dedicar a tal coisa?

Dá vontade de se largar e se contentar (conformar?) com o mínimo que se pode querer da vida. Pra que fazer mais? Buscar outra coisa?

Nesses momentos de automelancolia, contavam com sua astúcia, não? Quem é que vem para me salvar, me confortar, me compreender na alma e me alegrar de novo? O cinema, é claro. Ou, pode ser também o mundo do audiovisual, música ou, neste meu caso atual, uma série (que deriva do cinema, então estou considerando). Já comentei alguma vez por aqui sobre a minha década perdida e talvez o universo cinematográfico Marvel também possa ser em parte incluído nisso aí. Sim, eu gostei do primeiro Homem-Aranha vivido pelo Tobey Macguire, e foi bem divertido o primeiro Homem de Ferro. Mas confesso a vocês que teve uma hora em que eu simplesmente tinha cansado dos filmes de super heróis. Tá, eu vi os filmes, Hulk era um dos meus favoritos apesar de não ser o mesmo ator dos filmes solos, quando Mark Ruffalo encarnou o smash verdão eu aprovei; não me importei tanto com o Capitão América, meio certinho demais pro meu gosto; Gavião Arqueiro e Viúva Negra figuravam meio que como coadjuvantes pra mim (e nem me empolguei muito com o filme solo da vingadora Natasha, pra mim esse deveria ter vindo bem antes); já os Guardiões da Galáxia eu realmente ri e ouvi inúmeras vezes a trilha sonora; Doutor Estranho foi bem legal, vai, com sua capa de vida própria; Homem-Formiga conta com o carisma do Paul Rudd, mas eu nem vi a continuação; Capitã Marvel não me conquistou exceto pelo gato que arranha Nick Fury; o novo Homem Aranha fez sentido como adolescente; Pantera Negra deu uma respirada renovada e adorei todo o conceito de Wakanda; e pra finalizar, eu também não me empolguei tanto com Thor, talvez o Ragnarok tenha sido o mais interessante, mas daí já tava tudo entrelaçado com Os Vingadores.

Isso tudo pra dizer que finalmente agora, neste ano, eu estou redescobrindo um pouco desse universo. Vi toda a série no Disney+ de Wanda Vision, e achei genial a sacada de cada episódio inicialmente simular uma representação de série de cada década diferente. Foi muito interessante, mas chegando ali pro final eu me desapontei um tiquinho só com a “evolução” do Visão e o carinha que fez Pietro numa versão anterior dos X-Men ter dado as caras só pra fazer uma graça extra. Aliás, além da nova heroína negra, uma participação especial que contou foi da Darcy, amiguinha da futura Thor… E, aproveitando o ensejo, senhoras e senhores, a série que salvou mesmo essa euzinha pequena do seu próprio torpor foi: Loki.

(!) Lembrando que este blog não acredita em spoilers. Mesmo que eu soubesse o que ia acontecer, eu teria visto todos os episódios e conferido a reação do Loki a cada passo ;)

Ai, vontade de rever todos os filmes do Thor, só pra conferir a evolução desse personagem. Creio que estou certa em dizer que nenhum outro vilão do MCU ganhou sua própria série, e pelo que pesquisei, nada dela existia nos quadrinhos (bem, algumas referências aqui e ali, mas não como ela vem nos sendo apresentada). Sim, a série veio a existir em grande parte pelo talento, carisma e trabalho dedicado do seu intérprete, Tom Hiddleston. Ele acabou ganhando os corações de um monte de gente, inclusive meu, pois é muito mais interessante acompanhar sua trajetória do que a de um herói, digamos, convencional – pois é, quem diria que eu, que na época do vestibular estudava o anti-herói Macunaíma, que me dava é raiva em vez de torcer por ele, iria acabar gostando tanto de anti-heróis. Daí descubro que Hiddleston gosta de Shakespeare (crush, crush!) e entrou nessa para trabalhar inicialmente com o Kenneth Branagh (diretor do primeiro Thor), que esse cara parece ser super gentil e elegante, sensato e boa praça, humilde apesar de toda a fama alcançada – e aquela aparição numa Comic Con, hein? Sem falar que ele é aquariano, signo que sempre admirei (talvez por ser tudo que eu não consigo ser?), aliás, nasceu um dia antes da data de aniversário do meu esposo. Quem sabe numa outra timeline nós teríamos nos encontrado? (crush, crush, crush!)

Claro que a série não se faz sozinha por ele, um roteiro bem trabalhado é essencial, mas digo que não foi pelos efeitos visuais e fotografia (que pra mim ficavam um pouco confusos e fora do tom até, sei lá, o que é que eu sei, não é?) que continuei vendo os episódios a cada semana. A química com o Mobius do Owen Wilson foi boa, a personagem de Sylvie me deixou contente, bem como ver o jacaré Loki. Desenho de produção também aprovado, apesar dos cenários grandiosos construídos que nem precisava talvez, o figurino da Sylvie, dos guardinhas da TVA, os props como o portal dos timepads funcionaram para esse universo.

É claro que em termos de roteiro, sempre fico com medinho dessas viagens no tempo, de que vai virar tudo uma confusão, quantas produções nós não já vimos eles c@garem tudo, né? Mas acho que era inevitável, sendo que eles pretendem trabalhar com a ideia de múltiplos universos. No geral, são as ficções científicas que tratam do tema, e eu sempre fui muito afeita a elas, portanto, acho bem justo eu ter me empolgado mais com esta série aqui do que as outras coisas que andam saindo por aí da Marvel. Sempre são histórias acompanhadas de questões filosóficas inerentes à humanidade, e foi ótimo o Loki quebrar a cara e ver como ele é tão pequeno. Às vezes a gente se acha tão importante e concentrados em determinada coisa que estamos fazendo, esquecemos que o universo é muito maior. Essa foi a característica que mais gostei, talvez, uma espécie de jornada de redenção, aceitar e ao mesmo tempo redescobrir a si mesmo. Na minha empolgação, fui lá conferir o Making Of (série Avante, no Disney +), com narração do próprio Tom Hiddleston. Recomendo se você gosta de ver essas curiosidades como eu, além de incluir uns pensamentos inspiradores…

“In life we all go through struggles, but we can’t do it alone. If we have people we can trust, it lightens the load and gladdens the heart” (Na vida, todos passamos por dificuldades, mas não podemos fazer isso sozinhos. Se temos pessoas em quem confiar, isso alivia o fardo e alegra o coração).

Talvez Loki esteja fadado não a perder e sim a sobreviver, talvez como todos nós. Nas infinitas possibilidades sendo podado de diversas realidades, talvez ele tenha se encontrado ao conhecer seus comparsas Loki.

Sendo podada em tantas realidades, eu continuo a acreditar. Mais do que nas pequenices e picuinhas, acredito no bem do mundo, pelas pessoas em quem sei que posso confiar.

E aqui meu breve comentário sobre a cerimônia de abertura das Olimpíadas Tokyo 2020, neste 2021. Eu curti, foi muito bonita, na minha opinião. Não consegui ver tudo, mas eu peguei a homenagem aos mortos, a representação da tradição japonesa Obon (festividades para os antepassados). Creio que se fosse um outro país, teria cancelado facilmente o evento, devido à pandemia. Mas esse é um povo perseverante, trabalhador, que respeita as tradições, dá valor aos ancestrais, sabendo que suas vidas não foram em vão pois interferem e se ligam ao futuro. Neste último ano, que foi de tantas mortes, não poderíamos ter tido um país melhor para sediar esses jogos que unem o mundo todo. Achei lindíssima a formação dos drones, formando o símbolo e depois a Terra, iluminando nossos corações junto, seguidos da “Imagine”, de John Lennon. Perfeição.

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Fazendo uma gracinha, essa sim é a timeline sagrada. Quando tudo parece estar em seu lugar. Por vezes temos turbulências, grandes terrores na história; sempre enfrentaremos dificuldades, pois são afinal necessárias aos humanos e sua evolução. Com melhoraríamos, sem o impulso do mal, algo que nos leve a mudar, a ultrapassar? É uma dicotomia inevitável nesta existência.

Nada mais propício também que eu possa comentar sobre isso junto do post sobre a série que traz engendramentos passados e futuros. E quem sabe não seja por isso (como o “mal” e o “bem” estão tão ligados) que seja tão interessante acompanhar Loki (o personagem)? Torcer para que no fundo, no fundo, ele tenha o potencial para mudar. Poder sentir esperanças, apesar de tanta coisa…

Algo que eu destoo dos Millennials é o fato de não substituir filho por pet. Também considero o lado de estabilidade financeira que possibilita isso, e confesso que lá pelos 20 anos eu não queria ter filhos – muita gente já no mundo, que mundo louco, etc. Mas como o nosso olhar pode mudar, não? Eu percebi que dar vida a outro ser humano é também parte desta experiência terrena e o oferecimento de uma oportunidade, para outra alma, para uma nova vida, para o futuro. Quem sabe o quanto podemos melhorar nas próximas gerações, com as vindouras evoluções? Com respeito pelo passado, é claro. Mas se eu posso proporcionar isso, e me oferecer no que puder em prol dessa nova vida, cuidando da melhor forma que posso para que ela possa ser esse futuro brilhante (e não decepcionante e cringe como minha geração?), talvez seja só isso mesmo que eu poderia (querer?) fazer para ter a melhor versão das timelines; para ter uma timeline verdadeiramente sagrada.

Como seria o seu filme sobre Corona vírus?

“Um vírus novinho em folha, fresquinho, pra você” – é uma frase que o personagem de Dustin Hoffman faz a determinado momento para seu superior no exército, vivido pelo Morgan Freeman. No filme Epidemia (Outbreak / 1995)**, o doutor Sam de Hoffman está querendo encontrar a causa para gerar um “antídoto” para o que ele acha ainda ser um vírus novo, mas que na verdade foi um caso abafado muitos anos antes para ser guardado como arma biológica. Até que a narrativa vai se desdobrando para prender nossa atenção, primeiro o macaquinho hospedeiro é contrabandeado e depois solto em uma floresta qualquer, as pessoas ficam doentes, a gente se pergunta como o doutor vai conseguir chegar até esse bendito macaco, tem personagem próximo dele que também fica infectado (a ex-esposa vivida por Rene Russo) gerando a urgência para realmente conseguir uma cura, tem até acrobacias com helicóptero e autoridades no poder para driblar e evitar que uma cidade inteira seja aniquilada. No filme, as pessoas doentes ficam num aspecto moribundo cheias de manchas e furúnculos de sangue – até para acentuar a gravidade dessa doença; elas tem apenas 2 dias antes de morrer e o vírus a princípio não se espalha pelo ar, até sofrer mutação e se propagar não só pela saliva, mas com espirros ou tosse, como uma gripe comum.

Acho que nesta época de corona vírus vários filmes apocalípticos vieram à mente das pessoas, não? Qual foi o seu? Com as ordens de quarentena e isolamento, ver ruas que antes eram super movimentadas se esvaziarem e um país inteiro ter que parar (a Itália, quem diria? O país do papa… foi realmente uma cena de cinema vê-lo caminhar pelas ruas vazias). É claro que esse filme do diretor Wolfgang Petersen tem um clima de catástrofe tenso e angústia bem mais exacerbada, mas a cidadezinha dos EUA é isolada pelos militares e os cidadãos devem ficar em casa, quem tem sintomas de tosse e febre deve se apresentar para exames… sempre tem – neste e em outros muitos filmes – alguma cena com a qual a gente pode acabar se relacionando e nos pegarmos surpresos por estarmos vivendo um momento quase igual na realidade! Os criadores da série da família amarela Os Simpsons que o digam.

Pois é, aqui no blog também eu tenho uma categoria chamada “Cenas do filminho da minha vida” que é algo assim: algum momento da minha vida real que coincide com algum momento, cena, de algum filme ou série por aí.

É até engraçado eu parar para pensar que já estava “em isolamento” antes mesmo deste caso virar uma pandemia. Como eu estava grávida e tive minha filhinha no início de janeiro, ainda estou naquele período inicial em que a dedicação total é ao bebê. Principalmente porque passamos praticamente fevereiro inteiro no hospital. Eu só saí algumas vezes para ir ao médico, farmácia ou super-mercado – ei, quarentena! Porque a bebê até 3 meses também não pode ficar exposta por aí, por não ter anticorpos suficientes… hmmm O que a geral, principalmente o pessoal de mais idade, está vivendo agora é o que eu já venho vivendo, cenas do filminho da minha vida…

E daí a gente começa a pensar diversas coisas e elaborar mais suposições para esta nossa vida em sociedade na Terra, né? Fiquei pensando que no Japão a contenção não deve ter dado tanto problema, pois eles já estão acostumados a usar máscaras e se cumprimentam de longe… Que euzinha não tenho problema algum com isolamento, já vivi a adolescência (14 aos 17 anos) num lugar sem muito convívio social, praticamente só minha família, estudava em casa. Assim, eu já imaginei como seria, como no filme A Rede (1996)**, a personagem de Sandra Bullock conseguindo viver só em casa, na base de entregas e sem muitos problemas com isso! Na época eu tinha umas fitas de vídeo-cassete e um serviço de canal pago para ver filmes – e hoje em dia, já foram desenvolvidos muito bem os serviços de streaming… Hoje em dia, até cerimônias religiosas foram restritas, mas podemos manter a fé “à distância”. Podemos comprar um livro, ou qualquer outra coisa, pela internet. E as conexões pela internet se desenvolveram desde então, hoje podemos ter contato com nossos amigos e familiares muito mais facilmente, por um aplicativo no celular – acho que esta é a hora mais que apropriada para fazermos bom uso disso!

Fiquei pensando em quantos serviços no mundo na verdade podem ser feitos de casa. Claro que tem muitos serviços que necessitam de pessoas na rua – quem vai produzir os alimentos e itens básicos, quem vai entregá-los? E os serviços de saúde, segurança, fiscalização, entre outros. Mas fiquei pensando em como até seria melhor que houvesse mais revezamento de funcionários nas empresas e serviços, não só para evitar aglomerações, evitar picos no trânsito e transporte público, mas pra oferecer também horários mais flexíveis para que os seres humanos pudessem ser mais humanos, e ter um tempo para a família, os amigos, algo que lhe dê prazer. Mesmo que os salários fossem menores, mas teríamos menos desemprego também? E se os preços também acabassem se ajustando para esses salários menores?

Na verdade, tudo isso eu já tinha pensado antes. E eu já tinha pensado esse filme. Algo que acontecesse para reinventar a sociedade. Para darmos mais valor a determinados trabalhos – como o pessoal de saúde, educadores para informação e pesquisa séria e correta, quem garante saneamento, ei, lixeiros!, o mínimo para sobrevivermos, são indispensáveis; e menos valor a outros – como o pessoal de entretenimento e esportes, políticos, podem ter uma renda tão discrepante!? Uma divisão melhor de renda e de bens, condições dignas de vida para todos.

Parece até um passo para trás, mas incluiria algo que faria muito bem para nossa sobrevivência e evolução: priorização das trocas locais, produção orgânica e atendimento mais rápido e próximo das necessidades da população, em pequenos grupos ou comunidades. Algo que faria muito bem ao meio ambiente, sociedades mais sustentáveis e menos pegada de carbono. Alimentação mais saudável, de frutas e vegetais; aproveitar melhor a água da chuva e a energia do sol; e se todos aprendessem a gerar menos ou zero lixo?

Claro que uma grande mudança, assim em âmbito geral, levaria muitas vidas – quantas pessoas no mundo estão impossibilitadas, mesmo agora, de uma higiene adequada ou recursos mínimos para viver? Seria como uma “limpa” da população mundial, desculpem se estou sendo radical e insensível, mas é o meu filme. É um mal que seria necessário para criar uma sociedade realmente melhor. E ficariam pessoas solidárias, que pensam no próximo, pois unidos sobreviveriam – seja indo ao mercado no lugar de outro, como já está acontecendo, ou oferecendo algo, partilhando algo, salvando mais uma vida por não esperar nada em troca, apenas juntos vivermos e compartilharmos esta Terra.

Pois esse seria o meu filme.

Não seria de conspiração política – como poderia ser agora, por motivos econômicos? Esse vírus já existia e agora decidiram usá-lo? Me ocorre também que pensar em fazer filmes agora talvez poderia incluir um futuro de atores digitais, como a Robin Wright em Congresso Futurista (2013)***? Como se darão as produções num pior dos casos de termos que viver eternamente em isolamento? Vamos viver das milhares de produções que já foram feitas ao longo da história da humanidade? Sim, temos grandes filmes na história do cinema que daria pra preencher anos de vida! Mas não teríamos mais a experiência de uma sala de cinema, o sentimento coletivo de ver um filme, um show, uma peça de teatro, compartilhando com outros?

Claro que na vida real não acredito que vamos chegar a esses extremos. Mas como é que vamos enfrentar esta crise mundial? E o que vamos tirar de tudo isso? Será que simplesmente vamos querer voltar à “vida comum” (capitalista, consumista, egoísta?) ou poderíamos aproveitar este acontecimento para refletirmos, mudarmos, fazermos algo? Lembrando que o momento pede a colaboração de cada um; mais do que nunca, vemos na realidade a velha máxima de que cada um fazendo a sua parte é o que vai fazer a diferença.

O meu filme seria um filme de ficção do fim do mundo, um pouco filosófico (nem tanto Malick – acho que já desisti dele desde A árvore da vida…), mas otimista.

E o seu?

Keira Knightley in my depressive times

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It’s amazing how Keira Knightley has been present in some movies of depressive times for me. And I am not a Keira’s fan as an actress (sorry), but somehow the characters she plays just manage to capture a certain feeling I have.

So by the time of Seeking a friend for the end of the world (2012) I was really wishing the world to end, but how I wished too to find someone whom we just enjoy being together with, like her character finds Steve Carell’s character.

And then, much later, with The imitation game (2014), she just says “so what” and is willing to accept a marriage based more on friendship and someone you truly care about than anything else. Again, I’ve wished that I had found such a person in my life, to always be there, and walk the path of life together with. Turing ends up alone, but the movie insisted in pinpointing how unique he was and even so he contributed valuably to the world. At the time, I felt like the world was telling me to get married, but I had no one in sight, and I was wishing to do nothing, not wanting to study or to work, and not even wanting to get married, so what?

Now, a few days ago I’ve watched Begin Again (2013), and once again I’m carried away.

Mark Ruffalo’s character is on the verge, he had this really bad day, when everything seems to go wrong and we just want to drink our ways out of it. Keira is a songwriter who is not facing the best time of her life either. They just meet and see on each other something they thought they have lost: hope.

I just love the scene when Dan (Ruffalo) starts hearing the instruments behind Gretta (Knightley) and that song just goes transforming into something bigger and wonderful, exciting. That’s pretty much how the movie goes, as their project to play at outdoors New York grows, including more and more people who just share this big love for music and care for each other.

Lines that tell the truth about nowadays musical industry are just top of the cake. Like the remixes, why she should give the record label her money etc… and doesn’t it resonate when Dan says that something he loves about music is how it can change a common scene into a special moment (“pearls” of life, in his words)?

Keira’s character is just like the girl I once wanted to be. Down to earth, she writes songs with a certain poetry to them and she does this project because she loves music, not for money or recognition.

And both of their characters just end up having a really good time, resparkle this joy for life they’ve been missing, of course we all have downturns, but we can always “begin again”.

We just continue through the projection more and more happy, music can really heighten our spirits. And by the end of the movie I really felt my soul comforted, wishing to pull off an old idea of mine – play an instrument and write songs with poetry. Not wanting to get anything out of it, just because it’s good for your soul.

Hey, and who knows? Maybe that’s just what I’ve been needing. A new sparkle.

 

This John of mine

What if I told those guys that I have finally found a John of mine?

Would that one regret? Having lost the possible woman made for him out of pride? Expecting her to be waiting for him her whole life, while he himself would be looking outwards open to the chance of getting something better out of his own disguised misery? They were supposed to be a perfect couple, if only had he tried.

Would that other one compare? Finding excuses to be enraged, and not happy as he constantly claimed he would be, pointing fingers that he is much better? Expecting her to realize she only lives in a dream world (despite this one is not a teacher), while he himself is unable to look and see how she was always clear and could’ve given a chance to a real someone, she just needed to want to. They were supposed to be a perfect couple, but it was in his mind only.

But this John of mine is not perfect. And it’s exactly because I no longer care that the Two of Us might actually work it out. This John of mine is not blue-eyed blond, but who said I Dig a Pony tail (like the locks of that original vocal)? There are a bunch billion out there, and Across the Universe, how to know he’s the guy for you? Perhaps it’s less than the signs in the stars, and less of “I me mine, I me mine, I me mine”. It’s more about things we both Dig It, it’s more like we are cool within and without each other, we can just Let It Be (the one this John of mine like to sing, however I like him singing another for me). And if that 1st hearer liked Maggie, the other Mae, less Maggie Mae; this John of mine always liked a Japanese kind, as I am. I’ve got a feeling that we only needed to stop a moment and see we care for each other, and then that wine – not the One After 909, just a simple one, just for us to share. Ok, so maybe, to better understand how to fit this John of mine in my life, one should go through The Long and Winding Road of my past relationships history. Then, For You Blue (wishful thinking it is not), 2nd hearer, and so both you and I can understand why we are not to Get Back, 1st one… here it is.

(The Long and Winding Road)

Bill’s easygoingness.

This John of mine has his boy’s toys too, but we’re easy to get along by.

Zé’s good laughs.

Sometimes we laugh together, me and this John of mine, as the white rabbit stated to be nice.

Mi’s caress and company.

This John of mine can walk with me, side by side, holding hands or, hold me tight.

Ryouji’s Legião.

This John of mine is good to me, we can share a verse of a long-time band, cry or not cry.

Doug’s strive (ideals).

As we are all moved by some romantic ideals (as we all want the revolution?) of a better world, so this poetry of living is upon this John of mine.

Marcello’s  kung fu.

Once I was told of this old ancestor related to martial arts, as unexpected as it may, this was in the past of this John of mine.

Max’s rain, ice-cream, and intelligent thoughts.

Cause it’s not only physical, but rather enjoy a gelatto, (plus, a cup of coffee, simple water); enjoy the rain and the curiosities of language, the possibilities of future or fictional evolutions – all in all, this is also at John of mine.

Dé’s drawing hand.

This John of mine, without an effort, traces my smile on a paper side.

Gui’s spirituality.

With this John of mine, as if by the intent of higher forces of the universe, the spiritual path is not a way out, but to be walked along by.

Thião’s music – and Acquarius, as Elijah.

This John of mine, without an effort, can sing with me, all right.

Nino’s French thing.

With this John of mine, unexplainably mysteriously, a French connection applies.

Hun’s height and other things.

This John of mine is tall and all, he’s soft and discreet, gentle and kind.

Leo’s (!) mystical aspects and the love for nature.

And finally, this John of mine matches me as always it should be; we love nature and animals, different places and tries; we’d like you to join us in this travel that is life, enjoying living, joyfully singing along with the ex-Sergeant Pepper’s mates,

We hope you enjoyed the show

This was the John of mine,

For I am his Yoko, at this beautiful time.

Gaston e a Fera

Um de seus desenhos favoritos da Disney era “A Bela e a Fera” (1991), baseado em um conto francês. Ela, a garota gentil, que gostava de sonhar com as aventuras nos livros e também convivia só, tendo de cuidar de um velhinho. Ela também era romântica e não ligava para aparências, podia muito bem encontrar o amor mesmo que não fosse num “príncipe encantado regular”.

Daí que aquele rapaz lhe lembrou o Gaston. A empáfia. Todo orgulhoso de si, achando-se o único possível candidato para a Bela. Como era possível que alguém tivesse tanto orgulho de si mesmo, achasse que está completamente certo, ficando cego e entendendo apenas o que quer entender, sem conseguir ouvir ninguém? E ele nem tem aquelas moçoilas suspirando por si, não. Simplesmente decidira que Bela tinha que se casar com ele, enfureceu-se diante da rejeição e ainda mais percebendo o sentimento da donzela por outro, enviou seus “exércitos” caçarem a Fera.

E foi quase assim que aconteceu. Este Gaston que não é o do desenho animado infantil, mesmo sem perceber, convocara seus exércitos, espíritos inferiores, para afastar o grande amor da vida dela. Ficou tentando conquistá-la, sem entender que não era por nenhum motivo lógico, ela não o queria simplesmente porque sempre amou outro. Claro que não poderia declarar seu amor para toda a cidade, porque as pessoas provincianas não conseguiriam entender. Gaston, cego, ainda tenta provar que poderia ser um melhor namorado, marido, sem entender que a história que ela tinha vivido com a Fera era outra, não seria com mais ninguém. Gaston não percebera que a humilhara diversas vezes, na tentativa de provar que era “o bonzão”, a rebaixara, a insultara, ela o repudiara. O próprio Gaston não percebera que estava prendendo Bela – só que não num calabouço ou masmorra, mas com amarras invisíveis. Como poderia ele ser tão egoísta para não desejar que a pessoa amada fosse feliz? Estava atando-a a si mesmo, impedindo que ela ficasse com o verdadeiro amor, ao enviar em sua direção todo o sentimento negativo, e seus comparsas, espíritos inferiores, invisíveis, que mesmo sem ele saber, combatiam todos. Desde que Bela conhecera Gaston, ela não teve sorte no amor. Conheceu pessoas, mas nenhum dera certo.

Há pouco tempo, num ímpeto raivoso, parecia que Gaston tinha finalmente compreendido, e uma portinhola das grades invisíveis que a impediam de voar se abria. Parecia que depois de anos de confinamento em um cubículo escuro, em que estava de mãos atadas e soluçando aos prantos, suplicando para que a deixasse livre, após percorrer o lúgubre corredor de um limbo, pôde ela pisar novamente num campo verde e claro, sentir um calor suave do sol que era absorvido pela pele. Pôde rever o amor da sua vida. Teve um vislumbre. Ele trouxera-lhe de presente seu sorriso terno, doces e um sabor novo, o olhar que há tanto esperava e talvez nem soubesse que esperava.

Mas Gaston não tinha desistido! Ainda de olhos vendados. Bela estava atada novamente pelas amarras invisíveis, dos espíritos inferiores. E ela duvidou. Talvez devesse deixar-se morrer naquela solitária?

Talvez ela também estivesse sendo cega? Iludindo-se, insistindo em algo que não era pra ser?

Mas tudo que aquele vislumbre lhe possibilitara foi perceber que a Fera era o amor da sua vida. Aquela Fera, que a princípio lhe parecera horrenda, também estando a lhe prender, na verdade provou mover-lhe um sentimento muito mais forte, com apenas um olhar. Bela apreciava ver a Fera mudar, e existia algo de mágico em sua história juntos. Talvez ainda faltasse a própria Fera perceber o amor, talvez faltasse Bela lutar um pouco mais para quebrar o feitiço, talvez ela precisasse salvar a Fera dos exércitos de Gaston?

E então, talvez, sob a chuva fina que eles tanto gostavam de sentir na pele…

Um festival de animação

– E aí? Tudo bem? (Ele tinha terminado com a namorada no mês anterior.)

– Tudo! Que coincidência! Você vem sempre pro festival? (Ela tinha ido pra Milão. Mas tinha dado tudo errado. Ela não encontrou com aquele rapaz alto da casa de chá. E também não teve sucesso no treinamento para o qual viera).

-Todos os anos, sempre que eu posso. E você? (Era essa garota por quem ele tinha se encantado. Apesar de ter contato com tantas outras, ela o animava e o fazia sentir uma faísca, uma alegria por dentro).

– Ah, eu também, quando posso. Mas geralmente é só um dos dias. O que você vai ver hoje? (Ela ainda estava voltando a dirigir, então preferira ir de trem, o que a impossibilitava de ficar para as últimas sessões).

– A sessão da sala 1.

– Que começa às 19h, agora?

– É, essa mesma.

– Ah, então vamos pra lá, que eu também tô nessa sessão.

E os dois foram juntos, mais uns 2 amigos dele. Conversaram um pouco antes de ela voltar pra casa. Combinaram de ver duas sessões no dia seguinte, acabaram indo aos cinco dias do festival. Entre um comentário e outro sobre a edição, as técnicas utilizadas, a reviravolta do plot, o festival nunca lhes pareceu tão colorido. Ele se surpreendeu com a pouca diferença de idade entre os dois, e trocavam referências de infância. Ela se surpreendeu com algumas opiniões e visões de vida parecidas, e trocavam exemplos de pratos culinários que deram errado e dificuldades familiares. A conversa fluía tal qual aquarela, eram lápis de cor cujos traços combinavam, dançando sobre o papel branco, do nada criando possibilidades.

Depois que voltaram as aulas (de ambos), encontravam-se casualmente, tomavam um café e conversavam. Uma vez por semana viam um filme juntos. Animavam-se a cada encontro! Agora, já um movimento contínuo, que obviamente levou à finalização em cores vibrantes, embalados por uma trilha original que eles nunca antes tinham pensado conseguir produzir – claro, cada um tem sua própria musicalidade única, mas a harmonia de sua união não tinha sido planejada. Decidiram ir em frente.

3D, com profundidade, por artistas hábeis e esmerados, pode gerar emoções inesquecíveis – embora dê trabalho. É preciso atenção aos detalhes, não deixar sombras indesejáveis, aprender a lidar com as diferentes formas, intenções, possibilidades. Acrescentar uns toques aqui e ali, não deixar toda aquela cor se desgastar e apagar todas as maravilhas já desenhadas, combinadas, movimentadas. Tinham ganhado vida. Apesar de a vida nem sempre ser uma festa, desejaram que pudesse sempre ser um festival, de animação.

Caderno de sonhos: pelos fios do seu cabelo

Era uma pequena cidade medieval, como um parque de atrações enorme, era longe uma atração da outra. Casas que pareciam castelos, ruas de pedras e estavam ali para uma espécie de congresso, com múltiplos espaços de pesquisa, e talvez lhe fora designado um local específico? Entrara nessa casa em que havia uma exibição tecnológica, algo do mais inovador, demonstração de super efeitos, peças voando, um robô que precisava das partes se unirem para formar o produto final.

E, de repente, ele estava ali também. Não se sabe o porquê, mas estavam deitados lado a lado então, observando uma apresentação. Não foram trocadas muitas palavras. Existia algo de sentimental entre ambos e não era preciso dizer. Dado momento, ele fala algo baixinho, ela não consegue ouvir, aproxima o rosto e, na tentativa de aproximar o ouvido da boca dele, com o deslocamento dos dois lados, quase seus lábios se tocam sem querer. Afastamento. Aquele certo estranhamento em que ambos devem pensar “o que acabou de acontecer? o que foi isso?”. A hipocrisia de fingir que não aconteceu nada. Ambos voltam o olhar quase que imediatamente para a tela acima. Mas ele se aproxima mais, como num aconchego. Ela não lhe nega carinho.

Passa a mão por entre os fios do seu cabelo.

Ele, ainda com a barba (e ela, que nunca gostara de homens com barba ou pelos demais) por fazer, tinha os fios mais macios e gostosos de acariciar de que ela havia se dado conta. Quase como um afago também de alma, sensação boa.

– – –

Após acordar, o que fora de súbito, num susto por precisar de hora, ela se perguntara por quê. Por que sonhara com ele? E porque, de tantos sonhos, estava se lembrando justo desse? No sonho, haviam sido interrompidos pelo final da apresentação; na rua com a multidão, avistara um outro que tinha interesse por ela, acenando ao longe. E, mais tarde, perguntava-se porque o mocinho de fios tão negros e tão macios tinha que ser tão imaturo? Porque justo ele, que conhecia tanta coisa a mais do que outros de sua idade, tinha que ser tão impertinente, tinha que lhe irritar tanto, tinha que lhe provocar (será que o fazia deliberadamente?), tinha que ter posicionamentos e comportamentos tão extremos que chegavam a lhe embaraçar às vezes? Se não o fosse, se fosse mais calmo e tranquilo, talvez ela gostasse mais do pensamento sobre ele e se deixasse querer ficar muito tempo deitada, acariciando os fios  – mas sonhos servem a isso mesmo, não? O inconsciente lhe dá o que o consciente lhe nega.

“Você não quer namorar comigo?”

“haha. Tá louco?”

( )

“Só se fosse uma relação puramente sexual”.

Ouvir jazz de vez em quando é bom.

No English for “inferno astral” and the wintery tale

She was reading somewhere about this guy explaining there is no equivalent in English for the expression “inferno astral” in Portuguese, and funny enough he never had it before coming to Brazil – now he has it every year. Sure, we can’t directly translate, but we can explain: something like “the period of 30 days before your birthday when, according to astrology, you are more susceptible to have negative feelings”.

So, as usual, there she was, up for this year’s.

After taking one whole day of depression to put ache to mind – which sometimes we need eh, what’s with people these days that call everything a disease? Sometimes we just need sometime alone, sometimes we need to be in a depressive mood, if there is no downs, happiness won’t be so good. The following week hadn’t been so bad. Sure, some tense and stress piling up moments, to be exact, feeling bloating and fatting, to be miserable, a lot of lazy and “don’t wanna do anything” feelings, to be frank.

 

What’s better to disperse a mind already dispersed (and wanting to swerve) from reality? Imagining. Whatever else thing that’d take us away from this dark room called “inferno”.

 

*****

(Am I allowed to finish a post I started writing months ago? Under the current circumstances, let’s.)

So, for the wintery tale.

*****

She thought she would be conquered by the winter. The winter invading. Like one of those terrible warriors of unhistorical medieval times who created empires.

He was tall, huge really, with those coats of fur and guts of fury, hair through the wind, a beard only confirming the manly features, as he was to fight as long as he breathed, as he was not to fall for any types of weather, whether or not he withered for love. In fights, defending the love for his kind, love for his ideals, love for life, or another type he had yet to know.

Then they’ve met. He was unexpected, unprecedented. She had to consult with a savage hidden in a greenery, forestry room, so that she could see the wars of the past. So that she could redeem the churches of last. And the savage had already warned her about the coldness she would have to face upon.

By his side she spent pleasant days – which seemed like so long she had them, far away.

But they had to part. And for a brief she thought they could break the barriers of space and time. For a brief space she thought she could believe in him. Then, came the winter, and she saw him under snow storms. For a windy time, she thought she had to give up.

Nonetheless, on one such suddenly day, she realized therein a flame, a warm feeling without fade (however unlit it seemed to be, by those stormy snowy grey and white winds).

And she couldn’t even comprehend coherently how that could be. She was sent to that quest, but in her mind she was never to find him. The one. The heir to the entire realm of her kind’s legacy. Could it be possible it was him? As much as she was a knight, he was a warrior and they could really overcome the wintery fields to fight together. Could that be? She was not certain. But in this suddenly Sun day, despite the icy, cold plains, a vivid halo of a rainbow relieved a little her heavy heart to hope.

Um consolo para o tio Rob

Dear Rob,

não sei exatamente em que partes das regiões suicidas você está neste momento, mas envio esta por mensageiros, apesar do risco de quebrar códigos de lei.

Queria lhe pedir desculpas porque tínhamos tantos planos naqueles dias dourados e eu deveria ter lhe dedicado mais abraços, embora nestes últimos tempos nossas rotinas tenham se distanciado tanto.

Talvez seja tarde, mas quero lhe oferecer um consolo. Não vou me lembrar de você por suas últimas imagens do mundo real, mais acometido pela idade, pelos vícios, pelas dores de alma. Vou lembrar do encantamento que tive ao descobrir, aos 10 anos de idade, que era sua a voz a do gênio de Aladdin (1992)****, o que fazia total sentido, pois sua energia e alegria traduziam pra mim uma versão mais mágica de você mesmo. E mesmo Hook: a volta do Capitão Gancho (Hook / 1991)***, levando lavada pela crítica, trouxe momentos muito divertidos no mundo imaginário, pois brincar contigo de Peter Pan ficou como uma das melhores memórias infantis. Mais tarde, no meu isolamento aos pés de montanhas, quantas vezes não repetimos Jumanji (1995)**! Você era mais que uma celebridade, passou a fazer parte da família, como um tio que nunca tive e me levava sempre em aventuras fantásticas.

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Embora, na verdade, muito antes já brincávamos de artistas, com as peripécias poéticas de Sociedade dos poetas mortos (Dead poets society / 1989)****. Já um pouco menos importante, a ajuda a mentes jovens com aquela energia nova, em Gênio indomável, (Good Will hunting / 1997)***. Teve algumas brincadeiras que nem foram tão legais, Flubber (1997)* foi mais um experimento com geleia verde feita por computador. Já O pescador de ilusões (The fisher king / 1991) me fez chorar; The birdcage – a gaiola das loucas (1996) *** tinha purpurina e sorrisos menos afetados, mais naturais; Um sinal de esperança (Jakob the liar / 1999)*** foi na onda de A vida é bela (La vita è bella/1997)? Amor além da vida (What dreams may come / 2002)*** tocou mais fundo nas nossas filosofias sobre amor verdadeiro e pós morte; Patch Adams – o amor é contagioso (Patch Adams/ 1998)** e a dedicação de médico, de um profissional que realmente buscou tornar a vida das pessoas melhor, e quão estranho e engraçado aquela piscina de macarrão!; O homem bicentenário (Bicentennial Man / 1999)** era uma brincadeira de futuro que acabou sendo muito longa e triste.

Fomos envelhecendo, e os últimos não acompanhei tanto. Também, chatinho o Licença para casar (License to wed / 2007)*; uma incógnita entender como juntou tantos nomes famosos, O casamento do ano (The big wedding/2013)*.

Mas você é e sempre será meu tio Rob, neste outro mundinho imaginário, que sempre se esforçava para nos trazer sorrisos – e quase sempre o fazia com sucesso. Nesses últimos é que eu já estava mais crescidinha, não pude me entreter tanto, mesmo com a série Uma noite no museu (Night at the museum / 2006)***.

1989-deadpoetsociety

Enfim, o consolo é esse, é tantos sorrisos que você pôde trazer a esta Terra! Tio Rob, talvez esteja no trem, talvez em terra escura, talvez precise acordar. Mas não desistimos, entende? Tanta energia boa que você gerou neste mundo… É com lágrimas que, no meu coração, além de todas essas brincadeiras, pra mim fica Uma babá quase perfeita (Mrs. Doubtfire / 1993)***, com você se importando tanto com seus filhos e apesar de travessuras, aceitando uma separação, encontrando um amor maior. Essa é a imagem de “tio Rob” que continuará a me dar esperanças. Esperanças que vamos voltar a nos encontrar e, então, lhe oferecerei meu abraço mais terno, esperado por tempos e tempos aparte.

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– É o seu mundo imaginário, por que você não pode resgatá-lo dessas regiões suicidas?
– É o que estamos tentando, é o que estamos tentando.

Caderno de sonhos: um filme na praia

Começara há alguns meses. Já ouvira que sonhamos todos os dias (as noites), apenas esquecemos que sonhamos. E sempre tivera sido assim, mas há alguns meses passou a ter sonhos intensos, daqueles com muitos acontecimentos, como se dias ou semanas ou meses passassem em uma noite só, sonhos vívidos, talvez mais vivos do que a própria vida. Ainda assim, passado algum tempo, já não conseguia lembrar.

Lembrou de David Lynch. Não de seu “Veludo Azul” ou “O homem elefante”, mas de seu “Mulholland Drive”. Como ele transferira tão bem para a tela de cinema o ato de sonhar. Pois se havia partes do sonho em que não gostaria de acordar mais, de tão boa a sensação, que não lhe acontecia na vida real, também havia a estranheza de bizarrices que inesperadamente surgiam. E acordava, “então era só um sonho? É claro que era só um sonho”. Saindo do filme, desculpe, do sonho, com aquela sensação estranha.

É hábito de muitas pessoas manterem um caderno de sonhos, para que assim que acordam, antes que o consciente possa levar embora a catarse do inconsciente, poderem ter um registro. E talvez, analisando-o, possam depreender algo que precisam perceber?

* * *

O primeiro registro no caderno de sonhos

EXT. PRAIA – NOITE – (como será que Kurosawa registrava seus sonhos?) Bem, lá estava o francês. O francês de seus sonhos. Vinham de alguma sessão de cinema? De algum festival? Caminhavam. Em direção à praia. Bebiam. Ou melhor, cambaleavam. Amigos boêmios! Exatamente como aquelas cenas de alguns amigos perdidos na noite, lembrou Claire Denis, um pouco. Sim, não eram só os dois, mas não havia outros rostos com nomes. Conversavam de algo? Sem importância. Davam risada. Era bom estar ali.

Corta para: uma mesa na praia, com um balde de gelo e duas garrafas de champanhe. Duas cadeiras. Seria uma celebração só para dois? Mas ela também estava ali. Não sabia se o outro amigo se incomodava. Sim, o francês a convidara. Era um recanto na areia. Beberiam ali? O sol amanheceria? Teria algum conflito pela sua noiva. Um rapaz de barba e camiseta com a face decepcionada, como se ela tivesse feito algo de errado. Mas o quê? Como se todos os amigos de curso a condenassem. Por quê? (não se lembrava)

Como Nolan registra seus sonhos? Talvez com uma luz ofuscante. Como Kurosawa registrava seus sonhos? Ah, é verdade, ele os pintava. Ele os amava? Creio que lhes intrigava.

Queria, sim, ficar ali naquela praia. Jogando conversa fora, dando risada. O inconsciente lhe dá o que o consciente lhe nega, embora seja melhor esquecer. Mas só por um ou dois minutos, fica ali deitada, em silêncio, na estranheza do acordar.